20 anos de Pokémon e seu papel atemporal na cultura pop

Por Gustavo Rodrigues | 04.02.2016 às 16:30

Dificilmente alguma franquia que tenha chegado ao Brasil por causa do anime seja tão importante para as últimas gerações quanto Pokémon. Pikachu e cia. conquistaram as gerações dos anos 80 e, principalmente, 90, tanto pela jornada de Ash Ketchum, transmitida na Record, quanto pelos jogos da Nintendo que conquistavam os gamers casuais e hardcore. Completando sua segunda década de existência, o universo criado por Satoshi Tajiri é uma das maiores marcas japonesas na cultura pop atual.

Ao contrário do que alguns pensam, Pokémon tem sua origem nos games em 1996 e só se tornaria anime e mangá no ano seguinte. As versões Red e Blue, do Game Boy, foram a base da estrutura narrativa que se tornaria marca registrada da série. Tornar-se um treinador Pokémon, escolher um dos três iniciais (Squirtle sempre que possível, né!), enfrentar as cavernas cheias de Zubat, vencer o rival, passar por todos os ginásios e derrotar a Equipe Rocket consumiriam centenas de horas dos gamers.

Assim como o conceito metamórfico dos Pokémon, os jogos evoluíram bastante no decorrer dos anos. Várias versões com os novos monstrinhos de bolso eram lançadas para os portáteis da desenvolvedora de games japonesa. Mas não foi apenas a jornada em busca de ser um Mestre Pokémon que tornou-se sucesso da décima arte. Jogos focados em tirar fotos das criaturas, colocá-los em combate nos ginásios, pinball, versão Tekken, participações em Super Smash Bros também conquistaram a simpatia dos gamers.

O engenheiro eletricista Carlos Agarie conheceu Pokémon pelos jogos do Game Boy em um passeio normal pela Liberdade. Alguns anos depois, ele começou a participar de convenções entre games da franquia. "Os torneios surgiram em 2000, eram pequenos e organizados por alguns shoppings de São Paulo. Depois disso, eles ficaram maiores, pessoas viajavam para participar e até tínhamos a divulgação das revistas Nintendo World e Pokémon Club Evolution", comenta Carlos. Recentemente, ele foi o principal organizador de uma competição de Pokémon para Nintendo 3DS na Vila Mariana em parceira com uma loja local. O último campeonato mundial, realizado em Boston, rendeu 10 mil dólares ao campeão.

Mesmo que os jogos tenham se tornado populares rapidamente, foi o anime que tornou Pokémon um fenômeno mundial. No Brasil, ele era transmitido pela Record durante as manhãs, horário que havia uma grande concentração de crianças assistindo aos desenhos dos programas infantis. Como a finada Rede Manchete era a detentora das animações japonesas que mais faziam sucesso na época, a jornada de Ash Ketchum chamou atenção dos amantes do gênero. Pouco tempo depois Pokémon seria a febre daquela geração e objeto de cobiça dos maiores canais televisivos brasileiros. A Globo até tentou combater com Digimon, mas Agumon não teve chances contra Pikachu. Pouco tempo depois, o primeiro filme da série, com enfoque em Mew e Mewtwo, chegava aos cinemas e ultrapassava os 160 milhões de dólares na bilheteria mundial.

O sucesso de Pokémon fez com que várias marcas desejassem um pouco daquele universo em seus produtos para alavancar as vendas. Os salgadinhos da Elma Chips eram mais desejados do que nunca por causa dos tazos ou cards que vinham dentro. Para completar a coleção era necessário comprar vários pacotes e fazer várias trocas com os amigos, algo semelhante ao primeiro álbum de figurinhas do anime publicado pela Panini. Mesmo que só tivesse as imagens dos 151 Pokémons iniciais, a procura dos jovens pelos cromos era tão grande quanto as da Copa do Mundo. Refrigerante, pelúcia, chaveiros, roupas, etc., os monstrinhos de Tajiri estavam por toda parte.

Pokémon TCG

A empresa de jogos Wizards of the Coast foi a responsável pela publicação do Pokémon: Trading Card Game no início, mas que voltaria para a Nintendo em 2003. Esse tempo foi mais do que o suficiente para consolidar os monstros de bolso em um estilo de jogo que não para de crescer até hoje. Cada jogador deve ter suas cartas de Pokémon, Treinadores e Itens especiais para criar uma estratégia capaz de derrotar o adversário. Hoje em dia, há uma versão online para o card game, enquanto algumas raridades do TCG físico são extremamente valiosas.

Cassiano "Chuck" Mendes conheceu Pokémon através do desenho e rapidamente se apaixonou pelo card game quando tinha apenas 8 anos. Hoje, com 26, ele é dono de uma própria loja online do jogo e ainda se mantém ativo nos campeonatos. "Aprendi um pouco de inglês, melhorei meu raciocínio, viajei para jogar e agora consigo ter reconhecimento nacional vendendo material do TCG", afirma Chuck. Apesar de todos os lucros financeiros que ele pode ter conseguido durante os anos jogando Pokémon, são outros pontos positivos que ele gosta de ressaltar. "Apesar da temática infantil, o jogo apresenta elementos de lógica e matemática, mas o mais importante mesmo são as relações interpessoais, algo que fica cada vez mais distante nas atuais gerações. Muita gente cria amizades verdadeiras enquanto compete". Os torneios costumam ter participantes entre 6 e 50 anos de idade, mostrando o envolvimento e paixão de Pokémon para vários tipos de pessoas.

Pokémon é ainda hoje amado pelos adultos que eram crianças com a chegada dele pelo Brasil, assim como ocorre em vários locais do mundo. Isso fez com que a Nintendo ganhasse sua segunda maior franquia de sucesso e lucrasse mais de 37 bilhões de dólares com seus monstrinhos de bolso. A marca se consolidou na cultura pop e conquistou milhares de fãs, tornando improvável pensar em um esgotamento de lançamentos deste universo durante muitos anos. Seja com criaturas semelhantes a animais da vida real ou a estranhos objetos do cotidiano, o incrível universo de Satoshi Tajiri ainda tem muito a evoluir.