Oportunidade em tempos de crise: coronavírus cria novas vagas de trabalho

Por Fidel Forato | 09 de Março de 2020 às 15h35

De acordo com os dados levantados pela Universidade Johns Hopkins, já são mais de 101 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus SARS-CoV-19, além de mais de 3.400 óbitos em decorrência da infecção respiratória COVID-19. Nesse cenário, tanto empresas quanto funcionários precisam se adaptar à epidemia que se espalhar pelo mundo.

Na plataforma focada no mundo corporativo, o Glassdoor, o novo coronavírus tem refletido na criação de postos de trabalho inéditos, diretamente ligados à doença, e em uma série de publicações, onde funcionários de diferentes países comentam sobre como suas empresas vêm lidando com a situação.

Dificuldade para lidar coma epidemia do novo coronavírus tem criado novas oportunidades de emprego (Imagem: Getty Images)

Dentro das ofertas de trabalhos (centralizadas nos Estados Unidos), são dezenas de vagas de emprego para profissionais das áreas de saúde, ciência e análise de dados para tratar de questões envolvendo o surto. Além dos profissionais de saúde, contratantes também buscam especialistas do setor da comunicação e consultores para abordar esse assunto com o público, de forma segura e sem alarmismos.

Entre os exemplos das novas oportunidades no Glassdoor, estão:

  • Microbiologista, em Austin, TX: “atualmente, estou recrutando um microbiologista para ajudar nos testes de coronavírus;”
  • Especialistas de comunicação em saúde, em Atlanta, GA: “… oportunidades para vários especialistas de comunicação em saúde em Atlanta, GA, para apoiar nosso cliente nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças como parte da resposta ao coronavírus (COVID-19)";
  • Enfermeira para Rastreio de Coronavírus, em Fairfield, CA: “… precisamos de enfermeiras para Suporte de Emergência em Saúde Pública em resposta ao COVID-19 nos aeroportos e área de quarentena na base militar do Departamento de Saúde e Serviços Humanos”;
  • Especialista em dados de coronavírus, de forma remota: “(...) o especialista será responsável pela curadoria, limpeza, compartilhamento e mapeamento de dados nos países afetados pelo surto de COVID-19”;
  • Quality Assurance, em Atlanta, GA: “fornecer suporte de controle de qualidade para investigações especiais e surtos, incluindo, entre outros, a nova resposta de emergência para Coronavírus (nCoV) de 2019…”;
  • Gerente Sênior de Programa Técnico Operações de Emergência em Saúde Pública, em Washington, DC: “o consultor apoiará o desenvolvimento do plano de trabalho e a implementação de atividades para apoiar redes de ONGs de assistência médica na África Oriental, a fim de se preparar para surtos de doenças infecciosas e responder ao novo coronavírus 2019”;
  • Pesquisador Líder - COVID 19, nos Estados Unidos: “o Pesquisador Líder irá gerenciar a implementação de uma Avaliação de Ecossistemas da Informação com foco nas mídias sociais no idioma tailandês e outras fontes on-line de informações sobre o COVID-19, trabalhando com uma equipe de pesquisadores de campo e tradutores.”

Como tem sido a resposta à crise?

De acordo com as avaliações postadas por profissionais no Glassdoor mencionando a epidemia, esses funcionários relatam uma série de desafios que incluem a interrupção das operações de negócios, entrevistas canceladas e falta de políticas para trabalho remoto. Além disso, algumas avaliações citam consequências econômicas, incluindo piores perspectivas de negócios ou cortes nos salários.

Confira algumas avaliações, queixas e elogios deixados na plataforma, traduzidos para o português:

  • "Diminuição de viagens com coronavírus acrescenta mais desafios";
  • "Ela me disse que, devido ao surto de coronavírus, meu emprego só poderia começar em março";
  • “Indústria e negócios vulneráveis — foram atingidos pelo coronavírus em 2020 e imediatamente começaram a diminuir a equipe e a cortar salários em uma quantidade significativa”;
  • "Foram necessárias três semanas após o coronavírus para que os funcionários pudessem trabalhar em casa, porque a empresa é tão barata que nem sequer fornece laptops para as pessoas em situações de emergência";
  • “Surto recente de coronavírus e nenhuma política de trabalho em casa ou flexibilidade. Colocando todos em risco, especialmente aqueles com crianças e idosos para cuidar”;
  • “Impressionado com a maneira como nossa empresa está lidando com a situação de surto de coronavírus. Eles são muito eficientes na tomada de todas as medidas necessárias para garantir a máxima segurança e precaução. Nós recebemos máscaras cirúrgicas, spray Dettol, luvas de vinil, lenços e a temperatura é medida 2 vezes ao dia. O RH também está acompanhando de perto aqueles que viajaram para qualquer lugar (não apenas para a China) durante esse período, assim como qualquer equipe que tenha entrado em contato próximo com alguém da China. Nosso médico conversou conosco para garantir que nossa empresa fará o melhor possível e tomará as medidas necessárias para manter os funcionários seguros. Sinto-me muito tranquilo de que a situação é levada tão a sério e está bem sob controle no lugar em que passo mais tempo do que em qualquer outro. ”

Além disso, os números envolvendo as perspectivas de negócios, conforme avaliadas pelos profissionais no Glassdoor, estão diminuindo para empresas e funcionários, principalmente, nos países mais afetados, como China, Cingapura, Japão e Coreia do Sul.

"Estamos começando a ver evidências precoces da reação ao coronavírus no Glassdoor. Novos empregos estão sendo anunciados em agências de saúde, empresas e organizações internacionais que se preparam para responder ao surto. Além disso, os profissionais estão prestando muita atenção à resposta de seus empregadores e estão compartilhando seus pensamentos sobre o tema em suas avaliações na plataforma. Muitos relatam preocupações com interrupções em seus locais de trabalho e com as perspectivas para os negócios, enquanto outros elogiam suas empresas por uma comunicação transparente", comenta Daniel Zhao, economista sênior do Glassdoor.

"Embora a trajetória global do surto de coronavírus seja uma grande incógnita, estaremos observando atentamente os dados do Glassdoor para obter mais evidências sobre como os funcionários e empresas estão reagindo", completa o economista.

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