Alta demanda volta a valorizar profissionais de TI com mais de 50 anos

Alta demanda volta a valorizar profissionais de TI com mais de 50 anos

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 03 de Janeiro de 2022 às 19h20
Envato / isartcat

O mercado de trabalho sempre preferiu os mais jovens, e os profissionais mais experientes têm alguma dificuldade para se recolocar em outras empresas. Mas alguns fatores recentes, como a grande demanda por programadores no Brasil e a maior oferta nessa faixa etária, levaram algumas companhias a repensarem suas prioridades, de acordo com reportagem do Estadão.

Uma pesquisa recente da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) constatou que em 2020 54% dos profissionais técnicos eram jovens adultos na faixa dos 18 aos 29 anos. Já os profissionais do grupo de mais de 50 anos eram apenas de 2,7%, além de terem diminuído no comparativo com 2015: 7% entre os homens e 9,4% entre as mulheres.

Outro dado da mesma Brasscom diz que o Brasil forma apenas 53 mil pessoas em tecnologia por ano, contra uma demanda média anual de 159 mil vagas. Então esse vício de buscar mais profissionais juniores estaria ameaçado pela grande necessidade de se ocupar essas vagas.

Mas ainda há muito a se fazer para reverter o cenário. A plataforma InfoJobs entrevistou 4.588 pessoas, e 70,4% já sofreram preconceito no mercado de trabalho em relação à idade. Apenas 12% das empresas têm mais da metade de seus profissionais com mais de 50 anos.

Rimini Street é uma das poucas que foca na contratação de seniors em tecnologia da informação (Imagem: Reprodução/Hunters Race/Unsplash)

A empresa de software empresarial Rimini Street é uma das poucas que foca na contratação de seniors em tecnologia da informação (TI), 40% dos 120 funcionários estão acima de 45 anos de idade, e outros 40% têm entre 35 e 45 anos. Além disso, a companhia norte-americana aposta há seis anos, desde que veio ao Brasil, em um modelo de trabalho híbrido.

“A gente tem que ser mais flexível. São profissionais que viajaram décadas, passaram por muito estresse em projetos. Então damos a infraestrutura para que eles estejam na cidade que querem estar. Com isso, atraímos profissionais bons que estão cansados dos grandes centros, mas não de trabalhar”, contou ao Estadão Edenize Maron, gerente geral para a América Latina da Rimini.

Outras iniciativas destacadas pela reportagem são a escola Let’s Code, que criou dois programas voltados para maiores de 40 anos aprenderem programação gratuitamente; e uma parceria entre a empresa de inovação Avanade e a startup de impacto social Labora para desenvolver profissionais seniors em front-end e back-end.

Fonte: Estadão, Brasscom

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