4 dicas do Google para recém-formados se darem bem no mercado de trabalho

Por Caio Carvalho | 23 de Abril de 2014 às 09h08

Entrar para a faculdade, começar um curso técnico ou qualquer outra especialização são passos importantes na vida de qualquer pessoa. Uma vez escolhido o curso, o aluno realiza tarefas, faz especializações técnicas, estágios e descobre novas habilidades ao longo dos estudos que vão ajudá-lo na carreira profissional. Mas e para aqueles que já estão prestes a se formar? Quais são as dicas para conseguir uma boa oportunidade no mercado de trabalho agora que a graduação está chegando ao fim?

Fazer um bom currículo e falar bem são duas coisas essenciais, mas isso não é tudo. É por essa razão que Laszlo Bock, vice-presidente de operações para pessoas do Google, afirma como os recém-formados podem se preparar para novas entrevistas de emprego e conseguir uma vaga. Em entrevista ao jornal The New York Times, Bock, que é responsável por todas as contratações feitas na gigante das buscas, disse que a companhia recruta cerca de 100 pessoas por semana - o que levou o executivo a perceber algumas características dos formandos que buscam uma oportunidade profissional.

Veja abaixo quatro tópicos discutidos por Bock que são fundamentais para quem está concluindo a universidade e deseja conseguir um espaço no mercado de trabalho. Como o próprio executivo explica, todas as dicas a seguir não valem apenas para os novos graduados, mas também para aqueles que ficaram muito tempo sem um novo emprego e estão em busca de algo novo.

1. Diploma e faculdade não são tudo

Quem está na universidade certamente deve ter ouvido algum colega comentar que está no curso apenas pelo diploma. O certificado de conclusão é importante, mas não deve ser o objetivo principal. De acordo com Bock, muitos jovens entre 18 e 22 anos não sabem nem porquê estão em um curso de ensino superior e acabam desistindo conforme as disciplinas ficam mais rigorosas. "Não basta ir para a faculdade só porque você acha que é a coisa certa a fazer ou que o grau de bacharel será suficiente", diz o Googler.

Dessa forma, o executivo aconselha que os estudantes tenham, acima de tudo, a certeza do curso que escolheram, pois essa é uma decisão que aumentará não apenas a experiência universitária como um todo, mas também o conhecimento do aluno em diferentes assuntos da profissão que ele optou.

Na opinião do chefe de RH do Google, cursos mais fáceis podem prejudicar o currículo do candidato. "[A faculdade] é um enorme investimento de tempo, esforço e dinheiro. Por isso, as pessoas devem, antes de tudo, pensar sobre o que elas estão recebendo em troca [daquele curso]", comenta.

2. Seja analítico

As expectativas para o futuro são claras: nas próximas décadas, máquinas, robôs e a inteligência artificial vão dominar o mercado. Ou seja, vai faltar emprego para muita gente que não mostrar diferencial na profissão. E uma dessas características, segundo Lazslo, é a capacidade de ser analítico, "um conjunto de conhecimento que será de valor inestimável para trabalhar com informações".

Basicamente, Bock afirma que a habilidade cognitiva em várias áreas é peça chave para aprender coisas novas e resolver problemas. "Ninguém precisa ser um expert em programação, mas para entender como essas coisas funcionam você tem que ser capaz de pensar de uma maneira formal, lógica e estruturada. Um pensamento analítico te dá um conjunto de habilidades que diferencia você da maioria das pessoas no mercado de trabalho", diz.

O executivo acredita que esse é um conselho a ser seguido por todos os profissionais, independente da área de atuação e que, por isso, criatividade não é tudo. "Construir um conjunto de habilidades que permitem fazer duas coisas [distintas] requer uma linha de pensamento analítico. Os seres humanos são criativos por natureza, mas não possuem pensamento lógico e analítico por natureza. Essas são habilidades que você tem que aprender. (...) Construir esse equilíbrio é difícil, mas é daí que surgem grandes sociedades e organizações", explica.

3. Seja direto na composição do currículo

Se a primeira impressão é a que fica, a dica é preparar o seu currículo antes de enviá-lo às companhias. Para o chefe de operações de pessoas do Google, o recém-formado deve ser específico e evitar colocar muitas informações que podem parecer desnecessárias aos recrutadores. "A maioria das pessoas não coloca o conteúdo certo em seus currículos. (...) O importante é enquadrar seus pontos fortes como 'eu realizei X, em relação a Y, fazendo Z", diz.

Aproveitando o assunto, nós do Canaltech fizemos um especial com 10 palavras que você deve evitar colocar no seu currículo. Entre as mais usadas estão "competente", "trabalhador", "criativo" e "motivado".

4. Saiba contar histórias - com começo, meio e fim - nas entrevistas

Como última dica, Bock comenta que muitos alunos na faculdade não sabem explicar como chegaram à resposta de algum problema. Consequentemente, isso afeta o candidato diante de perguntas complicadas em processos seletivos, que exigem o já citado pensamento analítico. "Mesmo que eles [os candidatos] tenham habilidade de contar uma história convincente, são incapazes de explicar seu processo de pensamento", afirma.

Mais uma vez, o executivo recomenda que o recém-graduado seja direto e responda de forma específica, com começo, meio e fim, ao que as empresas querem saber durante uma entrevista de trabalho. "Aqui está o que eu vou demonstrar, aqui está a história que demonstra isso e aqui como aquela história faz isso", explica.

Bônus: 14 perguntas difíceis que o Google já fez em entrevistas de emprego

Em junho do ano passado, Bock deu uma outra entrevista ao New York Times e contou detalhes do processo seletivo feito pelo Google. Na época, o executivo criticou o método de alguns recrutradores que preferem fazer perguntas difíceis aos candidatos, como "Quantas bolas de golfe cabem em um avião?" ou "Como você resolveria o problema do trânsito em São Paulo?" - ambas questões do próprio Google. Cerca de um ano antes, em 2012, a companhia ficou entre as dez empresas com as entrevistas de emprego mais difíceis do mundo.

Como informa a revisa EXAME, Bock analisou dez mil entrevistas feitas por funcionários da gigante de Redmond e como os recrutadores avaliaram os candidatos, de acordo com o desempenho que os aprovados tiveram no trabalho. Ao final da análise, Bock concluiu que não havia nenhuma relação entre o que o entrevistador valorizava - ou seja, o que ele perguntava - e a maneira como os contratados trabalhavam depois. "Perguntas difíceis são uma total perda de tempo. Elas não preveem nada e servem principalmente para fazer o entrevistador se sentir esperto", disse.

Assim como processos seletivos com questões mais complicadas, Bock acredita que as notas tiradas pelo candidato durante a faculdade também não servem para prever se ele será um bom profissional no futuro. "Depois de dois ou três anos, sua habilidade para ‘performar’ no Google não tem nenhuma relação com seu desempenho quando estava na faculdade porque as habilidades exigidas na faculdade são muito diferentes", disse. "Você também é, fundamentalmente, uma pessoa diferente. Você aprendeu e cresceu, você pensa sobre as coisas de uma maneira diferente".

Bock disse que a companhia não faz mais perguntas tão difíceis durante entrevistas de emprego, mas vale a pena dar uma olhada nas questões que muitos candidatos às vagas do Google já tiveram que enfrentar:

  1. Se você fosse Larry Page por um dia, o que você faria?
  2. Como você resolveria o problema de trânsito em São Paulo?
  3. Por que a mídia digital é melhor que a convencional?
  4. Quanto é dois elevado a 64?
  5. Imagine um armário repleto de camisetas. É muito difícil encontrar uma camiseta nele. Então, como você organizaria o armário para encontrá-las facilmente?
  6. Projete um plano de evacuação para São Franscisco.
  7. Você é o capitão de um navio pirata e sua tripulação fará uma votação para definir como o ouro será dividido. Se menos da metade dos piratas concordar com sua proposta, você será morto.Como você recomendaria um meio para dividir o ouro de forma a ganhar uma boa recompensa mas ao mesmo tempo sobreviver?
  8. Explique, em três sentenças, o que é uma base de dados para seu primo de oito anos.
  9. Que método você usaria para encontrar uma palavra no dicionário?
  10. Como você armazenaria 1 milhão de números telefônicos?
  11. Se você fosse o gerente de produto do Google Adwords, como faria um plano de marketing desse produto?
  12. Quem são os principais concorrentes do Google e como Google compete com eles?
  13. Se você fosse o gerente de marketing de produto do Gmail, como faria um plano de marketing para alcançar 100 milhões de clientes em seis meses?
  14. Quanto você acha que o Google fatura diariamente apenas com as propagandas no Gmail?
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