Não queremos ter. Queremos ser!

Por Pedro Conrade

Há quem diga que esse mundo ultra conectado ficou chato. Que os jovens perdem mais tempo no virtual que no real. Será que o digital não pode ser uma extensão da realidade? De fato, é. Com isso, uma revolução. As necessidades cada vez mais latentes e menos burocráticas fizeram com que o mercado se transformasse. O tradicional ficou obsoleto e novas alternativas vieram.

É preciso entender que, atualmente, o jovem valoriza muito mais o propósito que o custo – e muitas vezes o propósito lhe traz um custo bem abaixo. No passado, completar 18 anos era sinônimo de tirar a carteira de habilitação. O carro era objeto de desejo. E não estou falando de uma geração tão distante.

Para se ter uma base, o Global Automotive Consumer Study, estudo realizado pela Deloitte, com base na geração millennial, apontou que 62% dos jovens que utilizam serviços de transportes como Uber e Cabify, dispensariam a compra de automóveis. Eles não querem ter, querem ser.

Cada vez fica mais explícita a afirmação do pague pelo que usar, sem a sensação do pertencimento e sim da experiência vivida. Resolvi fazer um teste e procurar uns apartamentos em regiões badaladas de São Paulo. Um apartamento básico, com dois quartos e uma suíte, para venda, está na média de oitocentos mil reais.

Poucas pessoas conseguem tal valor, ainda mais falando em jovens no começo de carreira. Aos que conseguem, deixo uma reflexão: em um apartamento de dois dormitórios, como fará caso venha mais um filho? E se recebe uma proposta para trabalhar do outro lado do mundo? Vai vender o imóvel correndo o risco de desvalorização?

Atualmente, com Airbnb, Quinto Andar e VivaReal, o processo foi democratizado e, confesso, descomplicado. Chega de taxas disso, daquilo, juros, asterisco. Viva o poder de pertencer e não de ter. Jovem, você pode, sim, ficar por um tempo lá – com um preço justo.

Obviamente, além de serviços de transporte, músicas, filmes e hospedagem, chego em um assunto crítico para muitos: Bancos. É justo, também, pagar por serviços que não usa ou, muitas vezes, nem sabe que tem?

O site Quanto Custa Seu Banco mostra o valor que você já gastou com seu banco até hoje. Um cliente de 24 anos, com renda média de R$ 2.000, que possui conta corrente há cinco anos e realiza dois saques e duas transferências por mês, já gastou R$ 2.048, equivalente a um pouco mais que sua renda. Caso ele mantenha os processos bancários tradicionais, ele gastaria mais de R$ 100.000 em 50 anos.

Com essa grana ele poderia fazer cinco cursos no exterior se hospedando em um Airbnb, trafegar de transporte compartilhado por aproximadamente 20 anos, assistir a 690 shows e comprar 52 smartphones do momento.

Os jovens, atualmente, compram ideais. Por isso as startups, fintechs ou novas empresas, como queira chamar, conseguiram crescer exponencialmente. É preciso entregar bem mais que um produto ou solução. É preciso entregar amizade, propósito, conceito e experiência. Parabéns, jovens. Vocês podem mais. Não deixem de mudar o convencional.