A importância da educação empreendedora para a sociedade moderna

Por Bernardo Carneiro | 15 de Fevereiro de 2021 às 10h00
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Sabe-se que a educação é a base para o desenvolvimento do país, afinal teremos cidadãos mais participativos, conscientes e produtivos na sociedade. Um dos pilares, talvez pouco explorado nos últimos anos, é a educação empreendedora.

Segundo estudos de Edgar Dale, William Glasser e outros pesquisadores, assimilamos o aprendizado de apenas 10% quando lemos um assunto e 20% quando ouvimos. A aprendizagem vai aumentando a medida em que somos mais ativos no processo e principalmente quando fazemos – esse número sobe para 80%.

Por este motivo, cada vez mais, as salas de aula têm se tornado mais interativas e os alunos desafiados a por a mão na massa. Em São José dos Campos existe uma escola chamada Instituto Alpha Lumen, focada em jovens com altas habilidades de baixa renda. O Instituto Alpha Lumen é uma ONG que busca soluções de impacto social por meio de ações educativas, desenvolvendo inúmeros projetos de ação e inspiração junto à comunidade entre eles, o Projeto Escola – trabalhando com jovens e crianças para formar lideranças capazes de refletir a construção da própria história, impactar positivamente seu entorno e alcançar o mundo.

A partir de um modelo em que os jovens são convidados a participar ativamente, conseguem canalizar a sua energia em investigar um problema, propor soluções, experimentar na prática e consolidar o conhecimento adquirido em sala de aula. Essas competências vão muito além de querer abrir uma empresa, são bases de uma pessoa com capacidade analítica, curiosidade, raciocínio lógico e criatividade - curiosamente habilidades desejadas por muitos.

O objetivo da escola não é formar empreendedores de startups, mas pessoas com capacidade de pensar em uma ideia, estruturá-la e colocá-la em prática. Seja para criar uma iniciativa social no seu bairro, para pensar em um formato diferente de divulgar um produto, juntar um dinheiro para uma viagem, seja para abrir uma pequena loja com a minha família.

Até mesmo nas grandes empresas hoje é buscado um perfil empreendedor, as pessoas chamadas intraempreendedoras. Aquela pessoa que dentro da empresa entenderá o cliente, o que pode ser melhorado na experiência dele com a empresa e que buscará novas formas de execução que tragam ganhos tanto para os clientes quanto para a companhia. Segundo estudos de Dylan Minor, Paul Brook e Josh Bernoff, publicada em 2017 na MIT Sloan, empresas com intraempreendedores desenvolveram muitas soluções criativas e geraram uma lucratividade 11% maior no período.

A ciência se desenvolveu com o método científico: a partir de investigação de problemas. Os grandes cientistas tiveram uma curiosidade persistente que os levaram a iniciar investigações, levantar hipóteses, verificar os resultados encontrados, ajustar a formulação do entendimento e consolidar o conhecimento de forma estruturada. Então, por que geralmente ensina-se um conteúdo pronto, fechado e sem esse processo de descobrimento?

A educação empreendedora passa por essas etapas inseridas no cotidiano, onde a partir de experimentação e conhecimento através de um processo aprendizado ativo, as pessoas possam buscar os problemas que queiram se interessar e aplicar na prática as suas próprias ideias.

Com a velocidade da mudança que temos vivido e o vasto acesso à informação, ter as respostas decoradas perde espaço para uma outra abordagem: entender o contexto, saber fazer as perguntas certas e tomar decisões. A educação e empreendedorismo de mãos dadas têm esse poder de destravar o potencial dos jovens e transformar o país.

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