The Legend of Zelda: Breath of the Wild é a revolução que a série precisava

Por Durval Ramos

Quando a Nintendo anunciou que levaria apenas o novo The Legend of Zelda: Breath of the Wild para a E3, muita gente reclamou e viu ali um sinal da “falência” da empresa. Afinal, como uma companhia do tamanho da Nintendo tem a coragem de levar um único game para a maior feira de games do mundo? Porém, esse pessoal se esquece de que não estamos falando de uma franquia qualquer e que Zelda é um dos poucos títulos da indústria que consegue carregar uma E3 nas costas com facilidade.

Prova disso é que o estande da Big N era o mais procurado de toda a feira, com filas que davam voltas com fãs realmente empenhados em conferir a nova aventura de Link. E a longa espera realmente era válida, já que as duas demonstrações disponíveis para teste deixavam mais do que claro que Breath of the Wild é completamente diferente de tudo aquilo que a gente já viu na série.

A começar pelas mudanças de jogabilidade. A Nintendo decidiu abrir mão da fórmula que acompanhava o game ao longo das últimas décadas e trouxe uma série de mecânicas que aproximam muito o título dos RPGs. O sistema de equipamentos foi reestruturado e agora Link pode utilizar uma série de outras armas, vestimentas e acessórios que vão além da Master Sword e das túnicas coloridas. E cada uma delas possui seus próprios atributos, características e durabilidade.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Porém, essa é apenas a ponta do grande iceberg de novidades que The Legend of Zelda: Breath of the Wild oferece. Com lançamento previsto para 2017 para Wii U e o vindouro NX, o game promete ser um belo recomeço para a série e provar que ainda há muito espaço para inovações.

Conhecendo o novo Link

A primeira demonstração se passa nos minutos iniciais do game, com o herói acordando como de costume para a aventura. No entanto, aqui já é possível sentir as diferenças. Ao contrário dos demais games da série, Link não está em sua vida comum quando inicia sua aventura, mas despertando de um longo sono de 100 anos. Ele desperta em uma espécie de câmara tecnológica ao ouvir a voz de Zelda chamando pelo seu nome.

E essa é outra novidade. Pela primeira vez em toda a franquia, temos um The Legend of Zelda dublado. Link continua sendo o protagonista mudo de sempre, mas os demais personagens falam, quebrando um paradigma que muita gente duvidava que seria vencido.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Esses momentos iniciais servem principalmente para dar ao jogador a real noção das novidades. A demonstração introduz o sistema de equipamentos, de coleta de itens e o próprio universo no qual a trama se situa. Sem dar muitos detalhes do que está por vir, Link encontra um misterioso homem que explica sobre a existência de um mal antigo e é possível ver o que parece ser o espírito de Ganon cobrindo o castelo de Hyrule.

Isso tudo nos faz levantar várias teorias sobre o momento exato da cronologia em que Breath of the Wild se passa. Seja pelo design de muitos locais ou pelas referências nas falas deste velho, é muito fácil imaginar que o game se passa após os acontecimentos de Skyward Sword. Em determinado momento, inclusive, é possível usar um par de binóculos para olhar no horizonte e ver uma plataforma flutuando no céu, no que parece ser a própria Skyloft. Isso sem falar que o misterioso homem que você encontra também aparece planando da mesma forma que o jogador fazia no game de Wii.

Por outro lado, há também referências a outros títulos da série, seja com inimigos característicos ou mesmo passagens que nos fazem imaginar que se trata apenas de uma grande amálgama de elementos. Alguns dos fãs que conferiram a demonstração não acreditam em uma sequência para Skyward Sword, mas de The Wind Waker. De qualquer forma, isso é algo que só vamos descobrir em 2017.

Alma de explorador

Já a segunda demonstração se passa em outro momento do game, com Link mais bem equipado. E este é o momento em que a Nintendo decide ostentar tudo aquilo que Breath of the Wild tem a oferecer. Tanto que o jogador tem total liberdade para fazer o que quiser, seja explorar a área ao seu redor, experimentar as novas armas ou tentar a sorte em uma das várias dungeons disponíveis.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

É aqui que você consegue sentir um pouco mais das mudanças nas mecânicas, incluindo a possibilidade de cozinhar seu próprio alimento. Como não há mais poções, Link precisa coletar carne e outros tipos de comida para prepará-las. É o tipo de coisa bastante simples, mas que muda a dinâmica do jogo de maneira significativa.

Outro ponto que chama muito a atenção é como o game está bonito. Mesmo com as limitações do Wii U — que são muitas, já que é muito fácil encontrar problemas técnicos aqui e ali por conta do console —, The Legend of Zelda: Breath of the Wild é certamente o título mais bonito do sistema. O trabalho artístico é de encher os olhos e você realmente se encanta com cada cenário apresentado. Tudo é muito colorido e vibrante, de modo que cada cena renderia um excelente papel de parede.

Ainda assim, é claro como o hardware não consegue mais dar conta daquilo. O Wii U nasceu datado e o novo Zelda deixa isso mais do que claro. Porém, se ele já é absurdamente bonito sob essas condições, é impossível não se empolgar com as possibilidades que se desenham com o vindouro NX. O problema é esperar até lá para conferir o game.