Relembre os seis momentos mais surpreendentes da história da E3

Por Sérgio Oliveira | 04.06.2014 às 13:20 - atualizado em 21.05.2017 às 20:08

Todos os anos a Electronic Entertainment Expo, ou apenas E3 para os fãs de videogames, mostra a jornalistas e varejistas as novidades da indústria em primeira mão. Desde 1995, ano em que foi realizada a primeira edição do evento, não foram raras as vezes em que fomos surpreendidos com anúncios monumentais que delineariam os rumos da indústria dali em diante.

A uma semana do início da edição deste ano, que ocorrerá entre os dias 10 e 12 de junho em Los Angeles, Califórnia (EUA), nós já sabemos um pouco do que será apresentado na feira. Apesar disso, a torcida que fica é para que sejamos surpreendidos como fomos há alguns anos pelos momentos abaixo:

SEGA antecipa o lançamento do Saturn no Ocidente

O Sega Saturn tinha lançamento agendado para o fim de 1995, mas a ameaça do PlayStation fez o aparelho chegar às lojas no começo daquele ano

Lançado no mercado japonês no fim de novembro de 1994, o Saturn chegaria aos Estados Unidos pouco menos de um ano depois no dia 2 de setembro de 1995. A data foi escolhida cuidadosamente e acabou sendo batizada de "Saturnday" por se tratar de um sábado.

Apesar de toda a estratégia de marketing preparada para a chegada do console nos EUA, a SEGA of Japan emitiu uma ordem de que tudo deveria ser antecipado. O motivo: obter vantagem sobre o PlayStation da Sony. A concorrente pretendia lançar um novo videogame que também era baseado em CDs naquele mesmo período e temia-se que o Saturn poderia se dar mal em um confronto direto.

O público permanecera alheio a todo o alvoroço dos bastidores e foi surpreendido quando, em maio daquele ano, no palco da E3, a empresa japonesa anunciou que, "devido à alta demanda do público", o Saturn estaria disponível "imediatamente" – 4 meses antes do esperado.

Muito embora tenha causado euforia em grande parte dos jogadores, a estratégia feita às pressas não deu certo. Varejistas não receberam o console a tempo e alguns até se recusaram a vendê-lo. Mesmo as pessoas que conseguiram comprá-lo acabaram não encontrado os jogos nas lojas. Um fiasco.

Preço baixo do PlayStation derruba SEGA e o Saturn

Apesar da estratégia da SEGA, o PlayStation 1 chamou a atenção pelo baixo preço e por dispor de uma vasta biblioteca de jogos no lançamento

Quando todos achavam que a E3 de 1995 já havia apresentado surpresas suficientes com a SEGA, eis que a Sony sobe ao palco para anunciar a chegada do PlayStation ao mercado norte-americano.

Muito embora a conferência da SEGA tenha surpreendido com a chegada prematura do aparelho às lojas, muitos se sentiram desconfortáveis com o preço cobrado pelo aparelho: US$ 400. E foi aí que a Sony resolveu contra-atacar. Não precisava antecipar o lançamento do PlayStation, nem prometer coisas mirabolantes. Naquele dia bastou apenas dizer que o PlayStation custaria US$ 300.

O anúncio gerou tanta euforia quanto o da SEGA. Meses depois a estratégia adotada pela estreante na indústria se mostrou extremamente efetiva. Ao contrário do Saturn, o PlayStation tinha um bom preço, uma ótima biblioteca de jogos no lançamento e apoio de toda a rede varejista do país. Um ano depois, com o anúncio do Nintendo 64 na E3 de 1996, a empresa baixou o preço do aparelho para US$ 200 e enfrentou processos tanto da SEGA quanto da Nintendo pela prática. Hoje nós sabemos que isso não foi suficiente para pará-la.

O preço astronômico do PlayStation 3 gera desconforto

A apresentação enfadonha do PlayStation 3 já havia sido suficiente para gerar desconforto no público. Quando o preço foi anunciado, a coisa desandou de vez.

Onze anos se passaram desde o lançamento do PlayStation original e a apresentação do seu segundo sucessor, o PlayStation 3. Nesse meio tempo, a outrora estreante Sony emplacou o console mais vendido de todos os tempos: o PlayStation 2. A expectativa era alta na E3 2006 e todos esperavam por um grande anúncio.

Quando o CEO da Sony Computer Entertainment America, Kaz Hirai, subiu ao palco, o que se viu foi um keynote desastroso. Ao contrário dos dois outros consoles da empresa, o PlayStation 3 tinha demos enfadonhos e uma quantidade excessiva de tempo empregada para a demonstração de controles de movimento. Além disso, Hirai não era nada carismático e não conseguiu conduzir a apresentação de maneira agradável.

Àquela altura, a única coisa que conseguiria salvar a apresentação era a revelação do preço do console. Mas não foi isso o que aconteceu. O PlayStation 3 custaria astronômicos US$ 600, US$ 200 a mais que a mais cara versão do Xbox 360 lançado há um ano. Muitos se perguntaram "o que a Sony está pensando?".

Mais tarde descobriu-se que o valor ainda não era suficiente para a japonesa "pagar" os custos de produção do console. Somente em 2008 o PlayStation 3 se tornou lucrativo e trouxe dinheiro à Sony.

Anúncio de Grand Theft Auto IV no Xbox 360

Até a E3 de 2006 GTA era uma franquia exclusiva para PlayStation. Mas isso mudou com a chegada da quarta edição do jogo para Xbox 360

A chegada do PlayStation ao mercado também marcou a ruptura de desenvolvedoras third party com a Nintendo e o acolhimento delas pela Sony. A partir de 1994 o que se viu foi uma grande quantidade de jogos de terceiros saindo com exclusividade para a plataforma da estreante, como Final Fantasy, Tomb Raider e Grand Theft Auto.

Este último, inclusive, passou de um jogo esquisitão para uma franquia de sucesso que emplacou três dos cinco títulos mais vendidos do PlayStation 2: Grand Theft Auto San Andreas, Grand Theft Auto Vice City e Grand Theft Auto III. Por bastante tempo eles foram exclusivos do PlayStation e apenas anos depois do lançamento foram portados para o Xbox. Na E3 de 2006 a coisa não poderia ser diferente com o lançamento de GTA IV.

Durante a conferência da Microsoft daquele ano, Peter Moore, um dos diretores executivos da empresa, subiu ao palco e mostrou sua mais nova tatuagem: o logo de GTA IV. A plateia ficou perplexa e o aplaudiu calorosamente. A Sony perdera a exclusividade sobre a franquia GTA e ali teve início um movimento que fez Final Fantasy, Tomb Raider e tantos outros jogos de sucesso abraçarem outras plataformas.

Hoje, os jogos exclusivos ainda existem, mas são praticamente todos produzidos por desenvolvedoras first party ou subsidiárias. A indústria como a conhecíamos até aquele ano deixou de existir.

Primeira aparição do Project Natal

O Kinect apareceu pela primeira vez na E3 2009 ainda como Project Natal, uma ideia que certamente revolucionaria o mercado. Mas não foi exatamente isso que aconteceu

Até hoje o Kinect é alvo de controvérsia e polêmicas entre os usuários do Xbox 360 e Xbox One. Esse cenário, no entanto, nem sempre foi assim.

Durante a E3 de 2009 a Microsoft surpreendeu o público ao apresentar o até então chamado Project Natal, sua resposta (tardia) aos controles com sensores de movimento do Wii e do PlayStation 3. A revelação parecia incrível e perfeita: as pessoas jogavam sem controle diante de uma câmera e os movimentos eram interpretados instantaneamente e com precisão. Ela até tirava fotos de objetos reais e os colocava dentro do jogo!

A demonstração de Milo & Kate deixou muitos expectadores atônitos e prometia inúmeras possibilidades – todas elas superestimadas. No fim das contas, o que parecia a resposta definitiva ao Wii e ao futuro dos videogames se mostrou dispensável para a maioria dos jogadores. A tecnologia era falha, a interpretação dos movimentos apresentava um lag absurdo e o potencial prometido na E3 daquele ano jamais foi alcançado – isso se ele realmente foi real algum dia.

Duelo entre Xbox One e PlayStation 4

A E3 do ano passado foi palco de um dos maiores confrontos da indústria de videogames que se tem notícia. No fim, o PlayStation 4 levou a melhor e foi aplaudido de pé

A E3 de 2013 talvez tenha sido uma das mais aguardadas de todos os tempos. A edição do ano passado da feira prometia nada mais nada menos que a revelação de dois novos consoles da oitava geração de videogames: o Xbox One e o PlayStation 4. O clima de rivalidade era inevitável.

A Microsoft foi a primeira a subir ao palco para mostrar um pouco mais do seu novo console. Anunciado inicialmente em um evento dedicado exclusivamente para ele poucas semanas antes da E3, o Xbox One desagradou e decepcionou muitos fãs e entusiastas. O foco excessivo dado às capacidades de entretenimento do aparelho colocaram em xeque suas verdadeiras capacidades como videogame. Àquela altura, muitos se perguntavam se a Microsoft continuaria falando de TV ou se finalmente falaria do que realmente importava: games.

No palco da feira, Don Mattrick conduziu uma apresentação morna e incapaz de responder às principais questões que surgiram naquele meio tempo: o Xbox One exigirá conexão permanente com a Internet? Poderemos jogar títulos usados no console?

A única dúvida esclarecida foi sobre o preço do Xbox One: ele chegaria às lojas custando US$ 499. Muitos acharam o valor justo e tudo estava bem. Até que a Sony subiu ao palco.

Privilegiada por ser a última empresa a se apresentar na noite, a japonesa soube aproveitar o momento. A cadência impressa na apresentação deixou fãs e profissionais sedentos pelo que realmente importava. Alguns jogos foram apresentados e não demorou muito para o PlayStation 4 ser finalmente revelado. Aplaudido de pé, o console teve suas especificações reveladas, arquitetura comentada e mais um punhado de jogos apresentados.

Quando tudo parecia bem, ao fim da apresentação, Jack Tretton soltou a bomba e revelou que o PlayStation 4 não contaria com nenhuma das limitações que o Xbox One apresentaria. Nele seria permitido rodar jogos usados e não haveria nenhuma exigência de conexão permanente à internet. Para fechar a noite com chave de ouro, o valor inicial do aparelho seria US$ 100 inferior ao do Xbox One. O público vibrou e esse foi, sem sombra de dúvidas, um daqueles momentos da E3 capazes de converter até mesmo quem era fã de longa data do Xbox 360 e simpatizante da Microsoft.

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