Análise: Kindle Paperwhite 3G (2015)

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Leitores de e-books enfrentaram uma fortíssima resistência quando começaram a aparecer. Para muitos eles não faziam muito sentido, já que pagar quase o mesmo valor de um livro físico e ter que adquirir o leitor por um preço não tão camarada acabou afastando boa parte do público. Com o tempo, eles começaram a ter cada vez mais aceitação, já que as versões digitais de livros começaram a ficar mais acessíveis, os leitores ficaram mais avançados e a praticidade começou a pesar cada vez mais.

A Amazon foi uma das grandes responsáveis por essa mudança de cenário, sendo uma das primeiras empresas a trazer um leitor de e-books comercialmente interessante. O Kindle virou sinônimo de leitor digital, melhorando a cada geração como boa parte dos gadgets: mais resolução, mais recursos e mais design. Temos então o novo Kindle Paperwhite, ou Kindle Paperwhite edição 2015, um dos modelos mais recentes da empresa.

Começando com o seu principal argumento de vendas, temos a tela melhorada. Ela mantém as 6 polegadas do Kindle e Kindle Paperwhite originais, só que agora vem com 300 pontos por polegada quadrada de densidade de pixels, o suficiente para melhorar, e muito, a experiência de leitura. Já questionamos aqui a necessidade de aumentar ainda mais a densidade de pixels em tablets e smartphones, mas aqui essa estratégia faz um belo de um sentido.

Leitores de e-books servem, essencialmente, apenas para leitura, então juntar 300 PPP com a tecnologia E-ink suportando até 16 níveis de cinza fazem essa experiência ser o melhor quanto possível. Como comparação, o Kindle Paperwhite original tinha 212 PPP. O Kindle “normal”, apenas 167 PPP. Basta imaginar o E-ink com uma resolução quase 4 vezes maior para ter uma ideia da superioridade da experiência de leitura desse novo Kindle Paperwhite.

A tela é basicamente a mesma do Kindle Voyage (também conhecido como “a Ferrari dos leitores de e-books da Amazon”), mas não tem controle de brilho automático. Há a retro iluminação com um controle bastante preciso de 20 níveis, o que o coloca em uma posição de destaque em relação ao Lev com luz da Saraiva que analisamos aqui. O nível mínimo do Kindle Paperwhite é bem mais suave do que o do Lev, sendo mais confortável de ler em ambientes escuros (em um quarto escuro antes de dormir, por exemplo).

Ele continua praticamente imperceptível nas mãos, pesando 217 gramas no modelo com modem 3G (206 gramas no modelo Wi-Fi), e com apenas 9,1 milímetros de espessura. Essa é uma característica de qualquer leitor de e-books que realmente conquista o público, em especial para quem já tentou ler livros como Duna ou Game of Thrones no trem sem a menor probabilidade de sucesso.

Ele está mais rapidinho também. Uma das vantagens de acompanhar o mercado de leitores de e-books é ver como esse quesito melhorou com o tempo, já que é um ponto que geralmente passa despercebido. Nas primeiras gerações do Kindle, as que ainda vinham com teclado físico, a mudança de página era bem devagar, o que atrapalhava a experiência de quem lê rápido, e que certamente foi resolvido aqui. Não encontramos as especificações do processador, mas, funcionando bem, que diferença faz?

O modelo que recebemos para testes vem com 3G embutido, gratuito e ilimitado, aos moldes do modelo americano. Essa é uma característica útil por vários motivos, entre eles, a busca por definições de palavras desconhecidas, inclusive com integração com a Wikipedia, um recurso para lá de poderoso para quem costuma ler durante o trajeto em trens e ônibus, sendo até bastante rápido, considerando que é uma rede 3G.

Mais do que oferecer um dicionário ilimitado e sempre online, o suporte ao 3G gratuito ganha ainda mais importância quando lembramos que a Amazon tem o Kindle Unlimited, serviço de assinatura que oferece todo o catálogo de e-books nacionais e internacionais por R$ 19,90. Ou seja, para quem assina o serviço, é possível baixar qualquer livro de qualquer lugar, mesmo que uma rede Wi-Fi não esteja disponível.

A autonomia de bateria permaneceu basicamente a mesma, durante desde alguns dias até várias semanas. Depende muito do uso, variando da quantidade de horas de leitura até a intensidade de luz, mas acreditamos que uma semana seja uma boa estimativa para quem costuma ler bastante e não costuma desligar a luz mesmo em ambientes mais claros. Como todos os leitores de livros digitais, não há um carregador incluso na embalagem, apenas um cabo micro USB.

Quer dizer, você pode adquirir um carregador da própria Amazon para o Kindle por R$ 79, valor bem salgado e que você pode dispensar sem problemas, já que o Kindle Paperwhite carrega com qualquer adaptador que você tenha em casa, ou mesmo na porta USB do PC, levando cerca de 4 horas para completar a carga.

Um dos grandes “problemas” dos Kindles em geral é o alto preço dos acessórios. O carregador é até dispensável, mas não podemos dizer o mesmo da capa de proteção, já que e-readers não lidam muito bem com pressões na tela, sendo um belo de um risco colocá-lo na mochila para competir com livros, notebook e acessórios diversos. A Amazon tem uma capa até bem sexy de couro que o protege nessas situações, mas que custa R$ 119. Ai.

A memória interna permaneceu a mesma, com os mesmos 4 GB de capacidade sem possibilidade de expansão via cartão microSD, como o Lev ou o Kobo. Quatro gigabytes para e-books é um belo de um espaço, já que eles tipicamente têm cento e poucos KB de tamanho, mas seria bacana a Amazon adicionar esse slot nas próximas versões pensando em quem tem uma grande coleção de e-books, e até mesmo pela praticidade, já que elimina a necessidade de espetá-lo no PC para isso.

Outra coisa que não mudou é que o Kindle Paperwhite 2015 ainda não suporta o formato EPUB, um dos mais famosos e poderosos do mercado. Quem pretende adicionar seus próprios livros ao Kindle terá que convertê-lo para os formatos nativos do Kindle (AZW w AZW3), PDF (não recomendamos) MOBI, DOC e DOCX ou mesmo TXT. No departamento de imagem temos o suporte aos formatos BMP, GIF, PNG e JPEG.

Conclusão

O modelo do Kindle Paperwhite que recebemos, com suporte a 3G e sem propagandas, sai por R$ 699, ainda longe dos bastante salgados R$ 899 do Kindle Voyage, mas nem por isso barato, considerando que o Kindle começa na casa dos R$ 300 para o modelo mais básico. Vale a pena? Sim, se você estava buscando um leitor top de linha e não estava afim de pagar pelo Voyage, mas não para quem busca um leitor para as horas vagas.

A favor dele temos a iluminação de tela, uma das melhores que vimos entre os concorrentes Kobo (Livraria Cultura) e Lev (Saraiva), a melhor tela e a possibilidade de assinar livros ilimitados no Kindle Unlimited, o que pode ajudar a economizar uma grana para os shopaholics de livros. Do lado negativo, temos os acessórios caros demais e o preço dos livros digitais, que ainda é muito próximo dos livros físicos, fazendo com que ele seja um investimento que demore para se pagar.

Vantagens

  • A melhor tela que já vimos em um e-reader, no mesmo nível do Kindle Voyage;
  • Iluminação suave e precisa, ideal para quem lê de noite antes de dormir;
  • Autonomia de bateria dentro do esperado, considerando a iluminação.

Desvantagens

  • Não suporta EPUB (nada quem um programa como o Calibre não resolva, mas, ainda assim);
  • Acessórios caros demais;
  • Com custo-benefício para quem lê muito, mas ainda assim caro.
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