Lojistas também precisam se cuidar: como vender sem riscos na Black Friday

(Imagem: busca online)

*por Marco Mendes

Com a proximidade para o Black Friday, é muito comum ver pautas sobre o tema do lado do consumidor, pois, afinal, trata-se de um grande evento comercial. Por outro lado, entender as dificuldades e o processo em segurança que os e-commerces precisam lidar no período não é das tarefas mais fáceis.

Estar disponível antes, durante e depois da BlackFriday não é uma das tarefas mais simples para um e-commerce. Ainda que estar apto para um elevado número de vendas e ter alto pico no faturamento no período seja muito atrativo, há a preocupação, por parte de quem vende. Afinal, os cuidados nesse processo devem ir de ponta a ponta na operação, pois há diversos pontos sensíveis que podem causar danos materiais e de imagem à empresa, especialmente frente à iminente chegada da LGPD. Além disso, os criminosos virtuais estão cada vez mais atentos na hora de realizar ciberataques. E, para minimizar ao máximo todos esses riscos, é preciso estar atento a algumas etapas. Confira quais são delas e as precauções a serem tomadas:

Pré-Black Friday

Muito antes da Black Friday, a coleta de dados dos possíveis consumidores é tratada de maneira minuciosa para que as campanhas de marketing tenham eficácia e posteriormente se convertam em vendas. Mais do que cruzar informações, é preciso se atentar para que esse processo esteja dentro da legalidade e que durante a data, seja fator positivo para otimizar a operação. Além disso o investimento e preparo em infraestrutura para aguentar o volume diferenciado deve ser feito de forma planejada e diligente, não necessariamente adotar novas tecnologias significa tornar o processo mais eficiente, pode significar o aumento da superfície de exposição e acabar resultando em maiores problemas, por isso planejamento e teste são essenciais.

Preparação do lojista (do pequeno ao grande)

Para não ser pego de surpresa, o lojista precisa ter um plano de crise montado e testado. Dessa forma, a resposta passa a ser mais rápida para toda a cadeia que faz parte do negócio e o custo é minimizado. O que precisa ficar claro para o lojista é, que se ele sabe que as vendas são acentuadas nesse período, a preparação precisa ser prévia, independentemente do tamanho do e-commerce. Grande ou pequeno, a data representa um pico no faturamento operacional e para que seja, de fato, rentável, é necessário proteger. Para os pequenos lojistas, existem parceiros comerciais que estejam dispostos a atender demandas menores, com ferramentas pré-moldadas específicas para esse tipo de negócio.

A privacidade e o vazamento de informações

Esse tipo de evento (Black Friday) aumenta consideravelmente o fluxo de informações dos sites, ainda mais com a expansão dos caminhos de comunicação e interface com parceiros de negócio, como processadores de pagamento; aumentam também o tipo e proporção de informações que são coletadas, já que cadastros muitas vezes se tornam pedidos, que por sua vez se oficializam em efetivas compras. Embora existam inúmeros recursos tecnológicos, o número de riscos nesse tipo de data é de fato potencializado.

Durante a Black Friday

O sucesso de uma Black Friday está diretamente atrelado à disponibilidade no dia do evento, que por sua vez está atrelado a vendas e suporte. Existe ainda a preocupação com o processamento de pagamentos e entrega. Estar atento ao que acontece com o ambiente de rede e sites concorrentes, esse é um risco democrático, que afeta a todos na cadeia de fornecimento. Devido ao enorme fluxo transacional, as plataformas ficam muito carregadas e a queda de um site é extremamente preocupante e ainda uma realidade em diversas empresas, existe também o aumento do volume de fraudes, erros, faltas, e, ocasionalmente, até mesmo defeitos em mercadoria.

Reputação em cheque

Grandes datas atraem mais holofotes, dessa forma os erros são potencializados. O prejuízo financeiro é de fato um problema, mas o potencial prejuízo vai muito além do custo diretamente relacionado ao produto vendido! Existem os processos consumeristas, existe a depreciação da marca, existe a perda de clientes, e até mesmo a desvalorização da companhia

Pós-Black Friday

A fase de pós Black Friday implica na busca/pesquisa de compras que não foram, de alguma forma, processadas por algum problema, fosse devida a falta de estoque, problemas na entrega, complicações no pagamento; tudo isso gira em torno das informações que foram coletadas, e são processos que geram ainda mais informações (como as de refazer o pedido, devolver o dinheiro, logística reversa, garantia, etc).

*Marco Mendes é especialista em Risco Cibernético da Aon

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