Frete ficou até 40% mais caro após reajuste dos Correios, afirma pesquisa

Por Felipe Demartini | 04 de Maio de 2018 às 12h49

O reajuste no valor dos envios anunciado pelos Correios no início do ano gerou um aumento de até 40% no frete para algumas cidades. A conclusão é do Cuponomia, um portal que reúne promoções e ofertas, que demonstrou uma grande variação nos preços de frete de acordo com a cidade de origem e destino dos produtos adquiridos.

Em alguns casos, por exemplo, o encarecimento foi pequeno, de apenas 4%, enquanto, em outros, as taxas chegaram a subir até os já citados 40%. Tudo depende, claro, das cidades envolvidas no processo de frete, e foi justamente por isso que o portal levou em conta quatro capitais do país – São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Brasília (DF) e Salvador (BA) – bem como lojas de diferentes categorias, todas entre os principais nomes do comércio eletrônico brasileiro.

O maior aumento foi encontrado em um envio de um “copo para viagem” para a capital gaúcha, que de R$ 12,03 antes do reajuste, passou a custar R$ 16,80. Por outro lado, o envio de um tênis para a cidade de São Paulo ficou na outra ponta desse espectro, passando de R$ 8,90 para R$ 9,30. No meio termo está Salvador, que recebeu incremento de 25% no valor da entrega de um televisor de 43 polegadas.

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Por outro lado, o reajuste nas tarifas de serviços dos Correios também levou à redução nos preços do frete para alguns territórios. O envio da mesma TV que, para a capital baiana, custa 25% mais caro, teve redução de 23% para a cidade de São Paulo. Para a Cupomania, trata-se não apenas de um reflexo da mudança de preço, mas também de correções feitas por empresas de logísticas e parceiras comerciais por conta das alterações aplicadas pela estatal.

Como normalmente acontece quando o assunto é o comércio eletrônico, porém, os maiores prejudicados são os estados do Norte e Nordeste. De acordo com o levantamento, o envio de produtos de diferentes categorias para estas regiões pode custar até quatro vezes mais do que a entrega em cidades como Porto Alegre ou São Paulo. Um exemplo é o PlayStation 4, cuja remessa para a capital paulista sai por R$ 30, enquanto para a Bahia esse custo é de R$ 138.

Uma explicação simples para isso é a localização geográfica das lojas, principalmente as maiores, que normalmente estão localizadas no eixo Rio-São Paulo. Como todos já devem imaginar, quando maior a distância percorrida, mais caro o custo do envio, devido à maior quantidade de logística envolvida. Sendo assim, para os estados do Norte e Nordeste, o impacto dos reajustes também acaba sendo maior.

Foi justamente esse um dos argumentos usados pelo Mercado Livre em fevereiro, quando liberou um manifesto, apoiado por outros varejistas online, contra o reajuste nas tarifas. Para a empresa de e-commerce, o aumento está acima da inflação e teria maior impacto justamente sobre os pequenos e médios vendedores, muitos deles usando sistemas de marketplace para venderem produtos e complementarem a renda familiar. Na época, uma liminar concedida pela justiça impediu que os Correios aplicassem as mudanças.

Enquanto o Mercado Livre afirmava que o reajuste poderia significar aumentos médios de 51% no frete, a estatal rebatia afirmando que essa média seria de 8% nos principais mercados. Além disso, na ocasião, os Correios defenderam a aplicação de uma tarifa extra de R$ 3 para envios ao Rio de Janeiro devido à situação de segurança pública do estado.

O levantamento publicado pelo Cuponomia foi realizado entre 5 de março e 7 de abril. Os preços foram avaliados antes e depois das mudanças aplicadas pelos Correios em 13 varejistas brasileiros.

Fonte: E-commerce Brasil

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