É hora dos pequenos e-commerces brasileiros apostarem na exportação

Por Rafael Romer | 15 de Janeiro de 2016 às 08h10

A alta valorização do dólar frente ao real, a desaceleração do mercado interno e as recentes iniciativas do Governo Federal para estimular a exportação de micro, pequenas e médias empresas indicam um bom momento para e-commerces nacionais investirem no envio de seus produtos e serviços para o exterior a partir deste ano.

Tradicionalmente, empresas brasileiras não costumam levar seus negócios para o exterior, por motivos que vão desde o desconhecimento do processo de envio de bens para fora do país até o medo de ter que atender consumidores estrangeiros. O cenário, no entanto, tem potencial para começar a se transformar mais intensamente neste ano, com novas empresas voltando a atenção para o exterior.

Um estudo realizado pelo PayPal em parceria com a consultoria Nielsen, em 2013, revelou que empresas brasileiras de e-commerce movimentaram R$ 1,5 bilhão com vendas para o exterior naquele ano - em uma tendência de crescimento que deverá atingir a casa dos R$ 4 bilhões em 2018. Entre os principais destinos para os produtos e serviços brasileiros estão países vizinhos, como Argentina, Colômbia e Chile, além de mercados como os Estados Unidos, Austrália, Portugal e Angola, onde os produtos brasileiros pegam carona na popularidade que as novelas nacionais têm no país.

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"No ano de 2015, as pessoas ficaram sequestradas emocionalmente pela crise, mas a gente já passou por isso antes e vamos passar por outras. De toda crise a gente consegue tirar alguma oportunidade", indicou a Diretora de Pequenas e Médias empresas do PayPal Brasil. "Agora a gente começa a ficar muito mais atraente para as transações internacionais do que era antes".

Outro levantamento, também realizado pelo PayPal em parceria com a Ipsos em 29 países e revelado no final do ano passado mostrou que os hábitos de compras online internacionais já são comuns em diversas regiões. Em mercados maduros, como Irlanda e Áustria, cerca de 78% da população maior de 18 anos e com acesso à internet afirmou ter feito compras entre fronteiros no ano passado. Na China, mesmo o mercado relativamente fechado do país não está impedindo seus cidadãos de buscarem bens em outros países: 32% dos chineses disseram ter importado produtos em 2015 - um crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

Aos números encorajadores, alguns outros fatores também apontam para o bom momento que e-commerces nacionais podem ter com exportações. Além do real mais barato frente ao dólar, que significa que produtos nacionais ficam mais competitivos lá fora, em junho do ano passado o Governo lançou o Plano Nacional de Exportações com medidas como financiamentos, que visam estimular exportações nacionais. Em julho, o Ministério da Fazenda emitiu os primeiros certificados de garantia para a cobertura de exportações para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), o que também facilita o processo de envio de produtos para fora por empresas com faturamento reduzido.

Mas o cenário positivo não significa que a exportação seja um processo fácil e vários indicativos mostram que sites brasileiros ainda precisam se preparar antes de apostarem nas vendas para fora. No total, 58% dos respondentes da pesquisa realizada pelo PayPal indicaram que não se sentiriam confortáveis em comprar em um site que não está em seu próprio idioma, por exemplo - o que significa que a tradução do e-commerce para línguas bastante utilizadas, como inglês e espanhol, é um elemento importante para comércios eletrônicos de quem quer vender para fora.

"A primeira coisa que o empresário precisa é planejamento: conhecer o que sua empresa faz, qual seu produto e como levá-lo para um mercado externo", comentou o consultor de internacionalização para micro e pequenas empresas do Sebrae, Thiago Brandão. "Elaborar planejamento, metas, cronogramas, o empresário brasileiro não gosta de fazer isso, mas é preciso quando a gente fala de mercado internacional".

De acordo com o consultor, também é importante buscar informações sobre quais são os potenciais mercados para seus produtos e o seu público alvo lá fora. Elementos como demora no envio de produtos, medo de não ser atendido pelo e-commerce estrangeiro e falta de suporte pós-compra ainda são impeditivos para vários consumidores comprarem online em sites de outros países, e precisam estar bem cobertos pela empresa que deseja internacionalizar suas vendas.

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