E-commerce supera venda presencial de shopping centers na pandemia

E-commerce supera venda presencial de shopping centers na pandemia

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 17 de Janeiro de 2022 às 15h20
Envato/monkeybusiness

As vendas online em 2021 atingiram R$ 260 bilhões enquanto as estimativas para o fechamento anual dos shoppings são de R$ 175 bilhões. Em relação a 2019, antes da pandemia, o avanço do comércio eletrônico foi de R$ 160 bilhões, enquanto os shoppings faturaram R$ 190 bilhões naquele ano.

Os dados são de um estudo da gestora Canuma Capital e o resultado chegou antes do previsto para o e-commerce, em razão das mudanças no comportamento do consumidor trazidas pela covid-19. Segundo a empresa, o desafio dos shoppings agora é acelerar a digitalização das vendas. Ou seja, as cerca de 600 unidades de shoppings em operação no País não devem perder relevância.

Segundo Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), diz que não é possível dizer o quanto das vendas online partiram da estrutura dos shoppings — as vendas digitais das varejistas. "É cada vez mais difícil separar venda online e offline", afirma.

Comércio eletrônico continua em expansão (Imagem: Reprodução/Envato/twenty20photos)

Humai destaca que os shoppings têm apostado na convergência dos canais de venda. "Todos caminham para a multicanalidade", aponta. É por isso, por exemplo, que o varejo nativo digital tem aberto pontos físicos. Ele pondera que a compra se tornou uma commodity. "Na pandemia, o valor do ponto físico para contato do cliente com a marca e produto ficou ainda mais evidente."

Marcelo Vainstein, sócio da Canuma Capital, avalia que os shoppings terão de se reinventar para ter a mesma receita por metro quadrado. Ele destaca, ainda, que a adoção do e-commerce não é homogênea em todos o país — ou seja, em algumas áreaa, os shoppings e o comércio eletrônico competem menos.

O executivo aponta que os outlets superaram as expectativas e os shoppings com itens de luxo importados tiveram melhor desempenho — sem poder viajar, o consumidor desse segmento optou por comprar localmente. Com o avanço da vacinação e a retomada do turismo, entretanto, esse mercado tende a perder volume de vendas.

Perdas e recuperação

O estudo indica que os shoppings tiveram perda de cerca de R$ 35 bilhões para o comércio eletrônico. Adicionalmente, o segmento de serviços, com menor fluxo, perdeu outros R$ 15 bilhões. Apesar disso, o maior ganho do e-commerce veio das lojas de rua.

No varejo restrito, que não inclui os setores de veículos e de material de construção, o e-commerce tinha participação de 6,8% em 2019. Em 2021, ela foi para 12,7%.

Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, diz que os shoppings já estão próximos do resultado de vendas de antes da pandemia. "Quando as pessoas se sentem mais seguras, elas voltam ao shopping. Foi o que vimos no quarto trimestre de 2021", lembra.

Consumidor gosta de compras presenciais (Imagem: Reprodução/Unsplash/Heidi Fin)

Os números já começam a refletir a retomada. Nos últimos três meses do ano, a Multiplan, que tem os shoppings Morumbi e Vila Olímpia no portfólio, reportou número recorde na história da companhia. No último trimestre de 2021, o crescimento foi de 8,1% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Isso não quer dizer, entretanto, que os shoppings não terão de lidar com desafios específicos. "O grande desafio é aderir à nova jornada de consumo. Isso passará pela transformação digital que simplifica a vida do cliente", analisa.

Fonte: Estadão

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