Cuidado com os golpes de phishing nesta Black Friday!

Por Redação | 23 de Novembro de 2016 às 20h20

Todo ano é a mesma coisa: vem chegando a época de festas e a temporada de descontos começa. Agora, com o processo de consolidação cada vez mais forte da tradição norte-americana de separar a última sexta-feira (25) de novembro para vender produtos a preços incríveis, aumenta também o número de crimes cibernéticos no Brasil.

A Kaspersky Lab, empresa que cuida da segurança na internet, resolveu estudar o potencial de ciberataques para este ano, a partir da Black Friday, passando também pela Cyber Monday e pelas compras tradicionais de Natal. As estatísticas da empresa mostram que, em 2014 e 2015, a proporção de páginas de phising que tentam sequestrar dados financeiros como informações de cartões de crédito nesta época teve crescimento considerável em relação à média de cada ano.

Os números referentes ao phishing financeiro em todo o ano de 2014 saltaram de 28,73% para, no quarto trimestre, 38,49%. Em 2015, 34,33% de todos os ataques de phishing foram de caráter financeiro e, no quarto trimestre, esse tipo de phishing foi responsável por 43,38% de todos os ataques.

E os cibercriminosos não poupam esforços ao buscarem seus alvos financeiros: tanto em 2014 quanto no ano passado, os pesquisadores observaram um aumento significativo nos ataques de phishing contra sistemas de pagamento e lojas virtuais. Os ataques contra bancos também aumentaram, mas com um índice menor.

E a previsão para o período de final de ano de 2016 também não fica atrás: cibercriminosos brasileiros andam investindo esforços em duas novas modalidades de phishing: via SMS e compra de anúncios em redes sociais. Vale dizer que nosso país está entre os mais comprometidos por ataques de phishing no mundo todo, aponta a companhia. No ranking mundial, o Brasil figura em segunda posição, com a China em primeiro.

A criatividade dos criminosos não tem limites: eles criam páginas falsas que imitam um sistema de pagamento conhecido, copiam sites legítimos de lojas on-line ou desenvolvem lojas totalmente falsas com ofertas incrivelmente tentadoras. A Black Friday é um prato cheio para estes criminosos, que criam até lojas inteiras falsas para fisgar consumidores desatentos semanas antes do evento, como estes site da Michael Kors que você vê abaixo (até que engana, não?).

“As táticas são sempre as mesmas: criminosos enviam milhares de e-mail falsos, com supostas ofertas tentadoras de eletrodomésticos, smartphones entre outros produtos com preços bastante baixos, se a vítima acreditar e clicar no link, estará num site falso, e se a compra for concluída, o cartão de crédito usado será clonado. Há ainda sites falsos que oferecem a opção de pagamento de boletos bancários, se a vítima pagar o boleto, nunca receberá o produto. Para isso os phishers costumam abusar de nomes de varejistas conhecidos e já estabelecidos no mercado, criando domínios falsos e divulgando as falsas ofertas”, conta Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab.

Para Assoline, o objetivo destes golpistas é maquiar o máximo possível seus meios, a fim de que as mensagens e sites fiquem o mais próximo possível de promoções naturais. No caso do SMS, o alvo são donos de smartphone que costumam comprar usando dispositivos móveis; os criminosos têm enviado milhares de SMSs com links para os sites falsos, que ao serem acessados irão exibir a página falsa já em formato móvel.

Aliás, no Brasil, vem crescendo a modalidade de compras através das redes sociais. Facebook e Twitter são as preferidas dos usuários, e portanto passaram a ser também o principal meio de atuação dos golpistas. Os anúncios sempre usam o nome de varejistas conhecidos e trazem links para os sites falsos, com preços tentadores:

O que fazer, então?

O Procon e a Proteste alertaram sobre as fraudes que chegam com o período. A diretora do Procon Amazonas, Rosely Fernandes, destaca um aumento nas reclamações nesta época do ano. “A empresa diz que vai dar 70% de desconto quando, na realidade, estava praticando um preço bem acima, para chegar no dia da promoção e baixar. É uma maquiagem de preço que nós, consumidores, devemos boicotar e denunciar aos Procons para evitar 'o tudo pela metade do dobro'”, afirmou.

Ela ainda orienta o consumidor a fazer uma pesquisa de preços antes de adquirir o produto na Black Friday. “Tem que saber pesquisar. Pesquise uma ou duas semanas antes, para quando chegar o dia da Black Friday comparar se realmente houve a redução de preço, de modo que a gente não tenha a maquiagem", orientou.

Já a Proteste levanta a bola para o grande número de fraudes praticadas no e-commerce no período e pede cautela nas compras. A dica é para que o consumidor não feche o negócio se notar que os descontos são enganosos e que o anúncio de oferta não passa de um artifício para vender mais, o que, segundo a Proteste, é comum no período. A sugestão é fazer pesquisas em outras lojas para ter certeza de que o preço é realmente promocional.

A recomendação, portanto, é ficar esperto: desconfie de links com preços inacreditáveis, cupons de desconto que caem do céu e demais ofertas absurdas. A única forma de comprar com segurança é visitando o site oficial da loja e fazendo a boa e velha pechincha — em lojas tradicionais e sites seguros, claro.

Via e-commerce Brasil e EBC

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