Amazon mudou algoritmo de busca para favorecer seus produtos, diz jornal

Por Claudio Yuge | 17 de Setembro de 2019 às 09h53
Tudo sobre

Amazon

Saiba tudo sobre Amazon

Ver mais

A Amazon mudou a maneira como seu algoritmo busca os produtos em sua plataforma de e-commerce, de maneira que ele sempre favoreça seus próprios produtos ou de parceiros escolhidos estrategicamente. A denúncia vem do Wall Street Journal, que conversou com funcionários que, na época da implantação, foram contrários ao novo motor de pesquisa.

A alteração teria acontecido no ano passado e, segundo o jornal, “a Amazon otimizou o algoritmo secreto que classifica as listagens, de modo que, em vez de mostrar aos clientes os produtos mais relevantes e mais vendidos, como acontecia há mais de uma década, o site também impulsione os itens mais rentáveis para a empresa".

(Imagem: Pixabay)

O objetivo é favorecer produtos fabricados pela Amazon e itens de terceiros com alta classificação no que a companhia chama de “lucro de contribuição”. Esse índice leva em consideração despesas não fixas, como remessa e publicidade, deixando o valor restante para cobrir os custos fixos da plataforma. A mudança foi feita de forma indireta, ou seja, não foi realizada no código-fonte, e sim na maneira como são priorizados fatores correlacionados com essa lucratividade.

Os engenheiros tiveram que importar dados sobre o “lucro de contribuição” para todos os itens vendidos. O processo foi trabalhoso, pois foi necessário extrair informações de remessa dos armazéns da Amazon para fazer esse cálculo.

Amazon fala sobre o caso e vai ter que se explicar ao Congresso

Questionada sobre o assunto, a Amazon respondeu o seguinte:

"O Wall Street Journal está errado. Explicamos detalhadamente que o 'furo' de fontes não identificadas não era factualmente preciso, mas eles continuaram a história de qualquer maneira. O fato é que não alteramos os critérios que usamos para classificar os resultados da pesquisa para incluir lucratividade”.

“Apresentamos os produtos que os clientes desejam, independentemente de serem nossas próprias marcas ou produtos oferecidos por nossos parceiros de vendas. Como qualquer loja faria, consideramos a lucratividade dos produtos que listamos e apresentamos no site, mas é apenas uma métrica e, de maneira alguma, um fator importante do que mostramos aos clientes.”

A companhia ainda complementou dizendo que "os produtos de marca própria representam apenas cerca de 1% de nossas vendas totais. Isso é muito menos do que outros varejistas, muitos dos quais possuem produtos de marca própria que representam 25% ou mais de suas vendas".

(Imagem The Verge)

De qualquer forma, tanto a Amazon quanto o Facebook, a Apple e a Google foram intimadas na sexta-feira (13) pelo Congresso dos Estados Unidos a dar explicações sobre como usam décadas de registros em prol de seus produtos e serviços. As gigantes, que estão na mira da União Europeia há alguns anos, também vêm sendo bastante pressionadas pelos deputados norte-americanos desde 2018. Agora, elas têm até o dia 14 de outubro para dar suas explicações.

Fonte: The Wall Street Journal, Ars Technica

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.