Amazon destrói milhões de produtos novos por ano, afirma programa de TV

Por Felipe Demartini | 14 de Janeiro de 2019 às 18h59
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Uma reportagem do canal francês M6 acusa a Amazon de destruir, anualmente, milhões de produtos em seus armazéns ao redor do mundo, muitos em estado de novos por não terem sido vendidos ou, então, devolvidos pelos compradores, mesmo que sem defeitos aparentes, oriundos de estoques próprios e também de parcerias com revendedores por meio do marketplace.

A denúncia foi feita depois que um jornalista, disfarçado, conseguiu um emprego nos armazéns da Amazon na cidade de Saran, na França. Ele trabalhava como auxiliar administrativo e registrou imagens de grandes caçambas voltadas ao descarte de produtos como brinquedos, fraldas infantis, cafeteiras, televisores, drones e outros dispositivos de tecnologia, a maioria deles em estado de novo.

A destruição dos produtos seria atividade normal nas instalações do e-commerce, com direito a contratos firmados entre a Amazon e parceiros de marketplace, que revendem seus produtos por meio da gigante e utilizam seus depósitos. O acordo entre as partes, de forma a evitar gastos com logística, transporte e, principalmente devolução, seria simples: o que não for vendido ou devolvido deve ser descartado.

Os descartes iriam muito além das políticas divulgadas abertamente pela Amazon, que citam apenas a destruição de itens de higiene e cuidado pessoal por questões sanitárias, mesmo que não tenham sido abertos, ou artigos defeituosos. Segundo a reportagem, mais de 293 mil artigos teriam sido descartados ou incinerados apenas na unidade em que a reportagem esteve presente, com um total que pode chegar a até três milhões de produtos destruídos ao redor do mundo.

Em resposta oficial, a Amazon francesa não negou o descarte de produtos, afirmando que essa é uma prática legal e voltada apenas para reduzir o custo envolvido na devolução de itens pelos clientes. Ao mesmo tempo, a empresa negou ser responsável por desperdício, trabalhando com organizações não governamentais, instituições de apoio a pessoas carentes e banco de alimentos na doação de artigos em bom estado que não tenham sido vendidos.

Não é a primeira vez que a Amazon se vê diante de acusações desse tipo. Em junho do ano passado, ela foi alvo de uma investigação pelo governo da Alemanha por conta do desperdício e descarte inadequado de produtos de tecnologia. Em setembro, também na França, uma ONG de proteção do meio ambiente denunciou práticas desse tipo, que estariam violando códigos ambientais do país.

A reportagem do canal M6, entretanto, não encontrou irregularidades nos procedimentos de descarte de produtos. Entretanto, por mais que a prática seja legal, ela é questionada por seu impacto sobre o meio ambiente e, principalmente, quanto à imoralidade de destruir produtos que estão em perfeito estado e poderiam ser vendidos ou, então, doados a quem precisa.

Fonte: Capital M6

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