Alibaba é alvo de investigação do governo dos EUA

Por Redação | 25.05.2016 às 14:53

O Alibaba está na mira das autoridades norte-americanas. A empresa, que é responsável pelo maior e-commerce do país asiático, revelou estar sendo alvo de uma investigação pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos devido às suas práticas contábeis. Basicamente, os fiscais querem saber mais sobre as ações e participações que a companhia possui em empresas americanas, bem como seu poder de decisão nelas e de que forma assume, ou não, eventuais perdas registradas.

Um dos pontos centrais da investigação seria a Cainiao, segmento de logística que pertence à empresa e outras companhias do mesmo setor como uma forma de, principalmente, garantir frete mais barato e entregas mais ágeis para o marketplace online. Apesar de ser dona do conglomerado, entretanto, o Alibaba não consolida os resultados junto aos seus, em uma atitude que não apenas serviria como uma possível forma de ocultar informações, mas também mascarar perdas.

O tratamento do Alibaba junto às transações financeiras realizadas pelos usuários também estaria sendo investigado. Nesse assunto, o foco seria o Alipay, um serviço que não apenas facilita o envio de pagamentos para vendedores de sites como o AliExpress e outros, como também permite investimentos. O sistema foi separado em uma empresa independente em 2011, o que causou tensões com o Yahoo, empresa também americana que possui uma bela parcela das operações da chinesa.

O fato de a Alibaba ter sido a responsável pela maior oferta inicial de ações da história da Bolsa de Nova York também coloca sua situação sob escrutínio. A SEC, na sigla em inglês, quer saber mais sobre como a empresa relatou em seus balanços financeiros as vendas do Singles Day, uma data comercial chinesa que, no ano passado, bateu o recorde de maior volume de compras online em um único dia da história da internet.

Faz parte da investigação, ainda, um relatório da consultoria Pacific Square Research. Em outubro do ano passado, a companhia alertou seus clientes sobre uma ausência de certos dados nas declarações financeiras da Alibaba. As informações seriam referentes a seus investimentos em companhias estrangeiras ou externas, mas controladas por ela, o que permitiria, por exemplo, a ausência de perdas ou baixas em seus relatórios financeiros, exibindo uma situação fiscal que não necessariamente seria correta.

Perdas de mais de US$ 60 milhões com a Cainiao, por exemplo, se encaixariam nesse tipo de situação, e esse seria apenas um exemplo. Os especialistas da consultoria afirmaram que a situação de investimentos e o balanço financeiro da companhia chinesa seria um dos nós mais difíceis de desatar que já encontraram em suas carreiras.

Diante de um cenário em que a Alibaba investe cada vez mais em companhias ocidentais e, principalmente americanas – é o caso, por exemplo, do Lyft, o grande rival do Uber no mercado de transportes dos EUA – essa é uma situação que mereceu a atenção das autoridades. No relatório em que revelou a situação aos investidores, a companhia chinesa afirma que a investigação não significa que ela está envolvida em atividades irregulares e que, pelo contrário, tem cooperado com a Comissão para garantir que o inquérito corra bem.

A empresa, entretanto, não falou à imprensa ou aos investidores além do que está descrito no próprio relatório. A Alibaba, por exemplo, não falou sobre expectativas de desfecho da investigação nem comentou diretamente sobre os relatórios da Pacific Square Research, dizendo apenas que não fala sobre especulações de mercado.

Fonte: The New York Times