Número de compradores no e-commerce brasileiro está estagnado, afirma pesquisa

Por Redação | 14 de Outubro de 2014 às 11h15

O e-commerce brasileiro tem mostrado resultados positivos nos últimos anos, com faturamento batendo recordes a cada ano e o número de vendas móveis crescendo. Entretanto, uma nova pesquisa tem preocupado especialistas do setor: o número de usuários fazendo essas compras é praticamente o mesmo há três anos.

Francisco Saboya, diretor-presidente do Porto Digital, afirmou que “o fato é que o percentual de brasileiros que fazem compras online está estável há três anos”. A afirmação foi feita com base nos dados apresentados pela pesquisa TIC Domicílios e Empresas, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), setor estatístico do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Entre 2008 e 2010, a proporção de brasileiros que realizaram compras online era de 15% e 19%, com um salto para 30% em 2011. Mas, desde então, os resultados são semelhantes: em 2012 eram 31% e em 2013, último ano avaliado, eram 33%. Enquanto isso, desde 2011, a população com acesso à internet no país passou de 54% para 58%.

Entre as explicações para este baixo crescimento está a falta de participação da classe C nas compras online. Mesmo que essa população esteja inserida no contexto digital, seu interesse se volta para informação, entretenimento e comunicação na rede. Segundo o relatório "Brazil’s Digital Middle Class: A Huge Market Embraces the Internet (but Not Without Caution)" do eMarketer, a classe C ainda não está confortável com o comércio eletrônico.

No Brasil, a classe média representa 108 milhões de consumidores, ou seja, 54% do total do país, e essa fatia do mercado ainda não é corretamente considerada pelos varejistas online.

Segundo a pesquisa da TIC Domicílios, em 2013 a classe C representava 22% dos compradores do comércio eletrônico, com uma grande inclusão em 2011, juntamente com compradores das classes D e E. No entanto, desde 2011 a participação da classe C continua entre 20% e 22% e as classes D e D entre 9% e 10%. Para o eMarketer, apenas 20,8% dos internautas brasileiros vão realizar pelo menos uma compra no e-commerce este ano.

Entre as soluções para este cenário, além de promoções como a Black Friday, está a adequação dos sites para a plataforma mobile. “As micro, pequenas e até médias empresas não têm sites móveis amigáveis para as compras pelo smartphone. Sabemos que essa adequação tem um custo, mas se não forem feitas, as grandes do mercado varejista vão ficar muito à frente”, acredita Pedro Guasti, diretor-executivo da e-Bit.

Os dispositivos móveis tiveram um crescimento de 84% na participação das compras online entre junho de 2013 e junho de 2014. A informação revelada pela pesquisa WebShoppers da e-Bit aponta que este consumo está concentrado nas classes A e B, que representam 64%. No primeiro semestre de 2014, os dispositivos móveis foram usados para realizar 2,89 milhões de pedidos, o que representa um faturamento de R$ 1,13 bilhão para o setor.

O MercadoPago, plataforma do Mercado Livre para pagamento online, teve um crescimento de 70% entre janeiro e junho deste ano e os dispositivos móveis foram responsáveis por 7,5% do total do que foi pago pela plataforma, mostrando o alto potencial em reunir e-commerce e plataformas móveis.

Segundo o Google, 54% dos internautas já acessam a rede por meio de dispositivos móveis e este número deve ser 94% em 2016.

Fonte: http://idgnow.com.br/blog/circuito/2014/10/11/e-commerce-brasileiro-em-estado-de-alerta/

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