Alibaba registra os primeiros documentos para maior IPO dos EUA

Por Redação | 14 de Julho de 2014 às 16h22

A Alibaba registrou, na última terça-feira (8), os primeiros documentos relacionados à sua abertura de capital, que promete ser o maior movimento do tipo já realizado por uma empresa de tecnologia. A expectativa é que mais de US$ 15 bilhões sejam levantados na negociação, podendo inclusive deixar para trás o Facebook e seu IPO recordista, com US$ 16 bilhões.

Os recordes não param por aí. Apesar de ser desconhecida do público americano, a Alibaba será a maior empresa chinesa a ter seu capital listado na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. E, justamente por isso, tem chamado a atenção de investidores e acionistas do país, que querem uma parcela dos ganhos desta fenomenal abertura e garantir sua parte nos dividendos de um crescimento que não para de acontecer.

E quem já está dentro desse barco é o Yahoo, que comprou 40% do Alibaba em 2005, por US4 1 bilhão, e já viu seu investimento se multiplicar algumas vezes. Agora, a empresa deve vender pelo menos um terço de suas ações na companhia como parte do processo de abertura de capital, obtendo ainda mais dinheiro e participando ativamente do processo.

A expectativa é que as ações da empresa chinesa comecem a ser negociadas até o final deste ano. A chegada dos papeis é vista com bons olhos pelo mercado, já que deve acontecer em um momento de queda cada vez maior na cotação de empresas de tecnologia como o Twitter, a Amazon e o Facebook. Para analistas ouvidos pela Reuters, isso se deve a uma percepção de que o valor inicial de tais companhias teria sido superestimado.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Alibaba continua crescendo cada vez mais e, de acordo com as análises mais recentes, a empresa teria um valor de US$ 200 bilhões. Isso, apenas, explica a ansiedade de analistas e investidores pelo processo de abertura de capital, que ainda tem um longo caminho antes de ser anunciado.

Mais do que isso, a chegada ao mercado de ações americano pode representar também a chegada de mais um concorrente a nomes como eBay e Amazon. E se, ao ver o mercado ocidental, a Alibaba resolver expandir suas atuações também para os Estados Unidos e Europa, pisando no terreno de tais empresas? Por enquanto, não existem planos oficiais sobre isso, mas é algo que, com certeza, os diretores da companhia já devem ter pensado.

Mais do que e-commerce

Os números são impressionantes. Em 2013, apenas em território chinês, a Alibaba foi a responsável por mais transações que Amazon e eBay juntos, e também lidou com mais dinheiro do que os dois. Ao todo, foram US$ 248 bilhões em negociações realizadas por meio de três sites, que contam com 231 milhões de usuários ativos.

Alibaba

Mas o campo de atuação da empresa não se restringe apenas ao comércio eletrônico. Em expansões realizadas nos últimos anos, a Alibaba também adquiriu empresas de mensageiros instantâneos e cloud computing, levando sua marca também a empresas, smartphones e tablets.

O resultado de tudo isso foi um aumento de 62% no faturamento entre os meses de outubro e dezembro de 2013, em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram US$ 3,01 bilhões em dividendos obtidos apenas neste trimestre, sendo que 80% desse total vieram dos sites Taobao, Tmall e Juhuasuan, os três marketplaces online operados pela companhia.

E a expectativa é de cada vez mais crescimento. De acordo com analistas, o e-commerce chinês deve chegar a US$ 500 bilhões até 2020, um número que, sozinho, representa a soma dos mercados dos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha e França, juntos. Todo mundo quer uma fatia desse bolo, desde já, principalmente levando em conta que o novo foco de atuação da Alibaba é o mercado de internet mobile.

A briga, porém, será mais acirrada nesse segmento. Ao contrário do comércio eletrônico, onde entrou quando praticamente não existiam empresas atuando nele, a Alibaba enfrenta aqui a concorrência da Tencent Holdings no populoso mercado chinês. Um quinto dos cidadãos do país acessa a rede por meio dos smartphones. Será que existe espaço para mais uma operadora?

A Alibaba acredita que sim e já gastou mais de US$ 3,5 bilhões em aquisições de empresas que trabalham com infraestrutura, sistemas e aplicativos para internet móvel. São empresas que operam serviços de mapas, jogos, televisão e até mesmo uma produtora de cinema, no que parece ser um ensaio para entrada também no mundo do conteúdo por streaming.

Alguns desafios

Mas nem tudo são flores na chegada do Alibaba ao mercado ocidental. Como apontam os analistas, ao contrário de empresas como Facebook e Twitter, apesar de seus números estratosféricos, a empresa ainda não apresentou listas de futuros analistas interessados em suas cotas.

Além disso, sempre existem os organismos regulatórios, que podem gerar algumas dificuldades, principalmente relacionadas ao percentual de ações colocadas à venda e às atividades internacionais da Alibaba. É uma preocupação compartilhada também pelo governo chinês e se relaciona principalmente ao Alipay, o sistema de pagamentos usado para garantir a segurança de todas as transações realizadas pelos sites da companhia.

Foi justamente esse olhar mais apurado de Pequim sobre suas operações que levou a Alibaba a trocar a Bolsa de Valores chinesa pela americana. A decisão pode até ser vista com desconfiança por investidores chineses, mas nos Estados Unidos, existem bons olhos em sua maioria. Mas ainda há um longo a caminho a seguir até que o capital seja efetivamente aberto, e até lá, muito mais especulações e análises surgirão.

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