Ações distribuídas entre funcionários da Alibaba devem gerar altos lucros

Por Redação | 18.09.2014 às 18:02

A Alibaba abre nesta sexta-feira (19) suas ações na Bolsa de Nova York, realizando o que será a maior abertura de capital já feita por uma empresa de tecnologia na história. E o movimento deve deixar muita gente rica na China e em outros países asiáticos, entre funcionários e ex-empregados da companhia, que receberão ações e cotas durante os 15 anos de existência da gigante do e-commerce.

Isso se deve a uma política antiga da companhia, que era bastante generosa com seus trabalhadores no que tocava a participação nos lucros da empresa. Principalmente até 2007, quando a Alibaba se tornou pública em Hong Kong, ela distribuía livremente ações como incentivo às melhores práticas de trabalho, e isso envolve não apenas executivos de altas posições como também gente contratada para trabalhar em cargos mais operacionais. As informações são da Fortune.

Agora, essas cotas serão diluídas no processo de abertura de capital e pelo menos cinco mil pessoas – quatro mil empregados e mais mil ex-funcionários – levantarão, juntas, mais de US$ 1 bilhão. Se as expectativas de valorização estimadas se cumprirem, os ganhos da maioria delas deve ultrapassar a marca dos US$ 250 mil apenas no primeiro dia de pregão.

Isso é mais, por exemplo, do que o valor que será obtido pelo próprio CEO da empresa, Jack Ma. Ele, sozinho, irá vender 0,5% de sua participação acionária na Alibaba, enquanto o grupo de funcionários, junto, tem 0,6%. É claro, o valor é diluído entre todos eles, mas levando em conta que alguns recebem pouco mais de US$ 10 mil ao ano, a expectativa de receber mais do que isso em um único dia deve ser de encher os olhos.

E a ideia é que estes acionistas permaneçam com a empresa até que suas ações cheguem ao final de seu prazo de validade, que é quando elas podem ser vendidas livremente no mercado. Essa é uma medida de regulamentação exigida pelo governo norte-americano, que obriga funcionários, executivos e todo o pessoal envolvido em uma empresa de capital recém-aberto a manter suas ações durante um determinado período de tempo, como prova de confiança no potencial da companhia e também como uma forma de evitar fuga no caso da obtenção de informações privilegiadas sobre possíveis problemas.

As ações da Alibaba devem começar a ser negociadas nesta sexta por US$ 66 cada. A expectativa pela abertura de capital de uma empresa tão lucrativa, porém, faz com que analistas de mercado esperem uma valorização para até US$ 82,50 apenas no primeiro dia, motivando uma alta na Bolsa de Valores de Nova York como um todo.

Impacto nacional

De acordo com as informações do Wall Street Journal, o início das vendas de ações da Alibaba também deve movimentar o mercado chinês, apesar do IPO estar acontecendo nos Estados Unidos. Na Ásia, quem está de olho nessa onda são as empresas de gerenciamento de capital e também as investidoras, que aguardam com ansiedade a chegada de novos players nesse mercado.

A ideia chega a ser simplória. Para muitas firmas do tipo, a ideia de uma pessoa comum recebendo altas somas em dinheiro no mercado de ações, de repente, pode trazer muito mais gente para esse segmento. Elas precisarão de ajuda e assessoria especializada, e é aí que entram essas companhias, que prestarão o suporte que estes indivíduos precisarão para continuar multiplicando seus investimentos.

Não é a primeira vez que isso acontece, e tal efeito é comum com pequenas empresas que acabam tendo um crescimento meteórico. São raras, porém, as ocasiões como a atual, com a Alibaba, na qual gente de todo tipo de porte e posses está se tornando mais rica de repente e pode tomar gosto pelo mercado de ações.