DJI também está na mira do governo dos Estados Unidos

Por Felipe Demartini | 21 de Maio de 2019 às 18h56
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Depois da Huawei e da ZTE, a DJI pode acabar sendo a nova empresa na mira do governo dos Estados Unidos. Uma nota emitida pelo departamento de segurança nacional americano demonstra as preocupações quanto aos drones produzidos na China, capazes de coletar imagens de câmera e dados de GPS que seriam, então, transferidos a servidores de suas fabricantes no país.

O comunicado, obtido pela CNN, não cita empresas específicas nem coloca dúvidas quanto ao envio das informações em si, mas demonstra preocupações quanto à possibilidade de o governo chinês estar acessando tais informações. De acordo com a nota, a China impõe “obrigações para que seus cidadãos apoiem atividades de inteligência”, algo que pode resultar na entrega de dados dos drones às autoridades do país.

O departamento de justiça afirma ter “fortes preocupações” quanto a não apenas os drones, mas qualquer tipo de tecnologia que retire dados de cidadãos ou empresas americanos e os leve para países sob regimes ditatoriais. A nota também não indica que atitudes serão tomadas nem fala em medidas a serem aplicadas pelas empresas, mas do foco de atenção, o texto pode acabar tomando um caráter bem maior.

Como o grande assunto são os drones, a coisa rapidamente se volta para a DJI. A fabricante tem sua sede em Shenzhen, na China, e é uma das mais populares do mundo, com uma linha de dispositivos utilizados desde entusiastas até profissionais, sendo responsável por 80% das vendas de aparelhos dessa categoria nos EUA. Em comunicado oficial, entretanto, ela afirma que a segurança das informações de seus clientes é sua prioridade.

Ela afirma que o governo americano já verificou e aprovou, mais de uma vez, os protocolos usados na tecnologia de seus drones. Empresas privadas e agências independentes também fizeram o mesmo. Apesar de não negar nem confirmar que as informações dos equipamentos são enviadas de volta para a China, a DJI descartou qualquer interferência governamental, afirmando ter total controle sobre a coleta, armazenamento e transmissão dos dados.

Além disso, a fabricante lembrou que, para usos mais sensíveis ou empresas que não desejam ver suas informações compartilhadas, também fornece drones que têm essa capacidade bloqueada. Qualquer cliente, também, pode optar por isso a partir das configurações de seus aparelhos, desligando a conexão com a internet permanentemente durante o voo. A opção foi incluída a pedido do Exército dos EUA, já demonstrando preocupações com a cibersegurança, e para a DJI, é uma amostra de que a fabricante está ao lado do governo nessa questão.

O temor das empresas chinesas que lidam com tecnologia nos EUA é que outras sigam o mesmo destino da Huawei, que recebeu na última semana uma série de sanções que, basicamente, a impedem de atuar no país. O banimento também atinge a ZTE pelo mesmo motivo: as suspeitas de conluio com o governo chinês em atividades de espionagem e intrusão em redes e infraestruturas de comunicação do país.

A nota do departamento de segurança nacional não deveria ter sido divulgada para o público e era voltada para setores internos do próprio governo. Os Estados Unidos não se pronunciaram oficialmente sobre o assunto.

Fonte: CNN

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