China aprova entrega de encomendas por drones

Por Felipe Demartini | 28 de Março de 2018 às 12h33
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O governo da China emitiu nesta semana a primeira autorização oficial para operação de um serviço de entregas de mercadorias por drones. O registro foi obtido pela SF Express, uma das maiores empresas de logística do país, e deve ser usado por uma de suas subsidiárias, a Fengyu Shuntu Technology, inicialmente apenas para entregas em regiões rurais, distantes ou pouco povoadas do país.

A aprovação vem após uma longa etapa de testes, que vêm acontecendo desde junho, e envolve não apenas a remessa direta às mãos dos consumidores, mas também o uso das máquinas em outras etapas do processo. As mercadorias serão transportadas por avião para centros de distribuição e, de lá, levadas por drones maiores para armazéns regionais. Por fim, aeronaves menores farão as entregas finais.

Nas duas últimas fases, todos os serviços serão feitos de forma automatizada, sem a necessidade de controle manual para operação das máquinas. É uma realidade na qual a SF Express afirma estar trabalhando desde 2013, quando iniciou testes localizados com os drones e foi evoluindo a tecnologia até o estágio em que ela se encontra agora, considerado seguro para fins de frete.

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Entretanto, a licença obtida pela empresa de logística é limitada. Seus termos específicos não foram revelados publicamente – sabe-se que a autorização é referente apenas à região leste da China, mas sem uma lista de cidades ou equipamentos certificados para realização desse trabalho. Outros detalhes, como quantidade de máquinas no ar ou como o espaço aéreo será controlado, também não foram divulgados.

A certificação dada pelo governo, entretanto, soa também como uma tentativa de fomentar o investimento em regiões mais remotas do país, que tem dimensão continental. De acordo com dados oficiais, mais de 80% dos pedidos entregues na China estão concentrados nos grandes centros, enquanto as cidades de interior permanecem com poucas opções em termos de frete. Ao mesmo tempo, o caráter isolado dessas localidades facilita o controle e aplicação dos drones nesse trabalho, o que tornou a emissão da autorização mais rápida e segura.

Por outro lado, tanto empresas quanto entusiastas têm dúvidas quanto a aplicação desse mesmo tipo de logística em grandes centros. É por isso que algumas empresas investem em utilizações de aeronaves não-tripuladas em outros pontos da cadeia, mantendo o estilo tradicional de remessa e incluindo as máquinas apenas em projetos de inovação.

Em seus testes com aparelhos desse tipo, por exemplo, a gigante do e-commerce Alibaba utilizou drones para levar ervas e folhas das montanhas de onde acontece a colheita diretamente para centros de distribuição, reduzindo os custos e agilizando o processo. Enquanto isso, a JD.com, a segunda maior varejista virtual do país, está experimentando o uso das aeronaves para reduzir o tempo de transferência de produtos entre armazéns.

A própria SF Express também aplicou ideias próprias para as entregas com drones. No final do ano passado, outra de suas subsidiárias, a Sichuan Tengdun Technology, utilizou um drone com 20 metros de envergadura para entregar 1,2 tonelada de suprimentos de emergência, voando a 250 quilômetros por hora, em testes de resposta rápida a incidentes.

Fonte: Quartz

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