Infraestrutura para satélite brasileiro recebe certificação internacional

Por Redação | 22.08.2016 às 20:24
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A Telebras recebeu nesta segunda-feira (22) uma certificação inédita de um órgão internacional. Trata-se do "Design Certification Award from the Tier IV Certification of Design Documents", do Uptime Institute, que premia o projeto de infraestrutura crítica do Centro de Operações Espaciais Principal Brasília (COPE-P) que, junto do COPE-S, localizado no Rio de Janeiro, abrigará os data centers para a operação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

O Uptime Institute, em Seattle, nos Estados Unidos, é uma organização internacional de consultoria focada em melhorar o desempenho, a eficiência e a confiabilidade da infraestrutura crítica por meio da inovação, novas tecnologias e resiliência em data centers. O Instituto classifica os servidores em níveis (Tiers) por meio da norma "Data Center Site Infrastructure Tier Standard: Topology", que define a topologia, disponibilidade e a operacionalidade do data center. Atualmente, as classificações de nível Tier são destinadas aos data centers mais conceituados do mundo.

A classificação Tier IV é o mais alto nível de disponibilidade e confiabilidade para a infraestrutura de uma instalação de missão crítica. Também conhecida como "Fault Tolerant" ("tolerante a falhas", na tradução livre), ela deixa o site imune a qualquer paralisação de infraestrutura, ou seja, qualquer componente ou sistemas podem ser retirados de serviço seja por defeito, manutenção, reparo ou substituição sem que haja impacto para os processos de TI dos ambientes críticos do data center. Esta arquitetura permite ultrapassar os piores cenários de incidentes técnicos sem nunca interromper a disponibilidade dos servidores.

No Brasil, apenas um data center do setor privado possui certificação Tier IV, e o projeto da Telebras é o primeiro a ser certificado neste nível em órgãos e empresas públicas. O processo de certificação Tier IV é complexo, sendo analisado por profissionais seniôres, com vasta experiência em certificações internacionais. O processo demandou reuniões internacionais e vários meses para o ajuste final do projeto com maior ênfase nos sistemas de automação e resposta autônoma às falhas, nos quais os diversos cenários de defeitos são colocados à prova para que se chegue à configuração de infraestrutura que permita a operação do site com total tolerância a falhas.

Em função da alta complexidade e necessidade de operação contínua do sistema, que envolve a segurança nacional, a Telebras, em conjunto com as Forças Armadas, estabeleceu como premissas que o site principal (COPE-P) do SGDC deve possuir classificação Tier IV, enquanto o site secundário (COPE-S) e as estações de acesso, ficam com a classificação Tier III.

Avaliado em R$ 1,7 bilhão, o Satélite Geoestacionário brasileiro começou a ser construído pela empresa franco-italiana Thales Alenia Space (TAS), em janeiro de 2014, em Cannes, na França, e está sendo supervisionado pela Visiona, parceria entre a Embraer e a Telebras. O equipamento terá peso equivalente a 5,8 toneladas e terá capacidade de transmitir 54 gigabits por segundos. Os testes finais com o satélite começaram no início deste mês, e suas operações devem ser oficialmente iniciadas em 2017.

Fonte: Telebras