Como manter um Data Center Local seguro em caso de catástrofes naturais?

Por Colaborador externo | 25 de Novembro de 2017 às 09h05
photo_camera shock/Depositphotos

*Por Thiago Sampaio

Não há dúvidas de que a informação se tornou o ativo de maior valor para a sociedade contemporânea. A segurança de que dados confidenciais e fundamentais para o andamento dos negócios não serão vazados, extraviados ou destruídos, é crucial para o sucesso das organizações, independentemente do segmento de atuação.

Mesmo com o armazenamento ou backup das informações em nuvem ganhando espaço entre as empresas, muitas ainda optam por um Data Center local. Mas como lidar com a imprevisibilidade de catástrofes naturais – como o recente furacão Irma e o terremoto que atingiu o México – que podem, de uma hora para outra, dizimar populações e aniquilar cidades inteiras? Como garantir que as informações, não só serão preservadas, mas também poderão ser acessadas no curto prazo?

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Planejamento antecipado e estratégia fazem toda a diferença para a continuidade do negócio após sofrer um golpe deste tipo. Empresas que não contavam com um bom plano de contingência para seus Data Center locais certamente sofreram duras perdas. Sendo assim, é essencial que as companhias avaliem a vulnerabilidade da estrutura física de seus Data Center locais quando desenvolverem a estratégia de armazenamento e compartilhamento de informação.

Qual a importância do Data Center?

Projetados para armazenar e processar dados em grande volume, de forma ininterrupta, o Data Center comporta uma série de equipamentos, como: servidores, roteadores, switches, computadores e todos os dispositivos que ajudam a manter os sistemas ativos.

Apesar de muitas empresas já concentrarem seus dados em nuvem, ainda existe uma considerável parcela que prefere manter seus sistemas num Data Center local.

Neste cenário, é importante manter um (ou mais) Data Center secundário em outra localidade, de preferência afastado o bastante para não estarem sujeitos às mesmas possibilidades de desastres naturais.

Entre os pontos que merecem atenção especial na construção do Data Center primário, destacam-se:

1) Resistência – um importante quesito a ser considerado durante o projeto. É preciso garantir uma estrutura resistente, que possa se recuperar rapidamente de boa parte das falhas, sem que se recorra ao Data Center secundário. É crucial prever proteção contra diferentes tipos de riscos, como: incêndios; quedas de energia; aquecimento de componentes; roubos ou furtos; desastres naturais.

2) Estrutura física – algumas ameaças podem ser reduzidas ou até eliminadas, com medidas preventivas específicas, principalmente, em relação à edificação. É preciso estar atento a requisitos técnicos, como os materiais utilizados na construção, qualidade da iluminação, refrigeração e outros. Garantindo assim robustez ao imóvel em que o Data Center local será instalado.

  • alvenaria: uso de material impermeável, não inflamável e resistente;
  • paredes: devem ser de alvenaria ou concreto e com tecnologia que resista a desastres naturais (como tornados e terremotos) e impactos;
  • estrutura: precisa suportar, pelo menos, uma hora de fogo a 1260ºC;
  • piso: não é obrigatório, mas é recomendado por orgãos importantes como o Uptime Institute, pois dá flexibilidade operacional ao ambiente, além de servir de plenum para o insuflamento de ar condicionado;
  • forro: quando necessário, deve ser preparado para permitir a passagem de cabos (energia, dados e comunicação), bem como a instalação de câmeras, luminárias, sensores e sistema de refrigeração. Deve ser usado material não inflamável;
  • iluminação: deve contribuir com a produtividade e segurança, posicionadas para evitar pontos escuros e ter no mínimo 500 lux, conforme indica a norma NBR5413. Há a necessidade de iluminação de emergência, quando a principal não estiver sendo alimentada por UPS;
  • janelas: o local não deve ter qualquer tipo de abertura;
  • portas: é essencial que haja porta corta-fogo;
  • limpeza: evitar o uso de materiais de PVC, carpetes e cortinas para reduzir o pó;
  • edifício: não deve ser identificado, para garantir a segurança contra roubos. É indicado que se utilize andares acima do solo para prevenir a ação de enchentes; O projeto deve ser feito em zonas concêntricas, com a parte mais crítica ao centro;
  • proteção contra Incêndio: além do sistema de prevenção, o combate deve ser feito com extintores de alta eficiência, como os gases FM-200 e NOVEC 1230.

3) Temperatura e Umidade – Equipamentos tecnológicos costumam ser sensíveis à temperatura e umidade, que precisam ser monitoradas constantemente para a manutenção de níveis adequados e seu perfeito funcionamento. Atualmente, a temperatura de um Data Center deve ser mantida entre 18 e 27°C, segundo recomendação da ASHRAE.

4) Energia – É ponto crucial para qualquer Data Center. Quedas e oscilações podem causar danos e perdas irreparáveis. É essencial, portanto, que o dimensionamento do sistema seja adequado para a necessidade (com geradores e demais técnicas de prevenção).

Como acessar as informações em caso de desastres?

Quando a empresa opta por um Data Center local, é essencial pensar num plano de recuperação para emergências, desenhado para que a companhia volte à ativa o mais rápido possível.

A ideia é resguardar o funcionamento de processos críticos para a empresa. O processo de recuperação visa tornar a interrupção das operações o menos danosa possível enquanto garante algum nível de estabilidade organizacional. A restauração, além de ágil, deve assegurar que a perda de dados seja mínima (ou nenhuma).

As tecnologias de virtualização têm sido bastante usadas nesses processos. Afinal, permitem manter uma cópia virtual dos itens mais sensíveis para que, em caso de necessidade, o sistema principal seja substituído de forma a reduzir o tempo de inatividade e os demais danos.

Em outras palavras, o planejamento de recuperação busca assegurar que a organização continue operando normalmente em caso de falha (de qualquer magnitude).

*Thiago Sampaio é Gerente de Operações da Telium, empresa especializada em soluções em TI e telecomunicações corporativa.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.