Infraestrutura de data center: certificações, seus mitos e verdades

Por Colaborador externo | 28 de Maio de 2014 às 16h20

Por Eduardo Carvalho*

O mercado de data centers no Brasil ainda não atingiu toda sua capacidade. Aliás, muito pelo contrário, é um setor com potencial altíssimo de expansão. Cada vez mais as empresas adotam a terceirização de sua infraestrutura de TI (Tecnologia da Informação) como parte da estratégia de negócios. A Gartner, inclusive, aponta que os investimentos em centros de dados, software corporativo, serviços de TI/Telecom e dispositivos em geral somarão US$ 3,8 trilhões este ano – o que corresponde ao crescimento de 3,1% com relação a 2013.

Com a demanda crescente deste mercado, também aumentam as exigências. Além de tornarem-se um diferencial exigido pelas companhias, as certificações ampliam a competitividade saudável entre os data centers comerciais. Elas garantem que a infraestrutura segue uma série de normas que muitas vezes são de padrão internacional. Questões como a segurança, disponibilidade de serviços e redundância de recursos de processamento são tão imprescindíveis quanto a capacitação constante dos profissionais envolvidos.

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Neste cenário, as certificações do Uptime Institute, uma divisão da The 451 Research, são amplamente reconhecidas pelo setor. A organização criou o conceito de Tier e administra o padrão focado em projetos, construção e sustentabilidade operacional dos centros de dados desde então.

Existem alguns mitos relacionados às certificações Tier do Uptime, assim como tantos outros com os quais nos deparamos diariamente. A exigência de piso elevado em todo data center, por exemplo, ao contrário do que muitos pensam, não é uma obrigatoriedade. O instituto entende que a estrutura aumenta a flexibilidade operacional a longo prazo, mas a decisão é da empresa. Vale destacar, porém, que a falta de piso elevado pode afetar diretamente na eficiência do ambiente e é, claro, uma recomendação do Uptime.

Outra confusão recorrente é acreditar que o EPO (Emergency Power Off) é uma conformidade para que o site seja classificado em algum dos níveis Tier. Análises do instituto indicam que a ativação acidental do recurso é causa recorrente de indisponibilidade de serviços, o que impacta direta e – muitas vezes – negativamente nos negócios. O Uptime exige demonstrações de que as operações não serão afetadas com o sistema EPO e não recomenda a instalação. Apesar disso, a existência do sistema não impede que um centro de dados receba a certificação Tier.

Os mecanismos de geradores de energia dos data centers também são pontos de dúvida e confusão. Muitos acreditam que para ser Tier III ou IV o site deve ter estes recursos em operação o tempo todo, no esquema 24x7. Os centros de dados utilizam energia pública a maior parte do tempo e os geradores são acionados somente no caso de uma eventual emergência. Neste caso, é necessário que eles tenham capacidade para suportar a carga total crítica sem qualquer limitação de tempo. A Uptime, portanto, acredita que esta questão merece atenção especial, mas, em momento algum, determina operação contínua dos geradores como exigência para a obtenção das certificações.

São muitos os mitos, verdades e paradigmas no mercado de data centers. Como a terceirização da infraestrutura de TI ainda é tabu para muitas companhias aqui no Brasil, o segmento gera diversas dúvidas e discussões. No entanto, isto é certo: os data centers comerciais vieram para ficar e, por isso, é necessário aprofundar-se sempre em questões como as certificações. Além de garantir a qualidade e segurança dos serviços e operações das companhias, elas podem colaborar para o aperfeiçoamento contínuo dos centros de dados brasileiros.

* Eduardo Carvalho é presidente da Alog Data Centers do Brasil

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