50 anos de datacenter: quanto mais evolui, mais permanece igual

Por Colaborador externo | 10.12.2015 às 07:56

Por Leonardo Araujo*

2015 celebra os 50 anos da publicação da “Proposta Nacional do Datacenter” lançado em 1965 nos Estados Unidos. Essa proposta descrevia um plano em que o governo dos EUA criaria e armazenaria arquivos detalhados com dados de seus cidadãos, registrando tudo: das impressões digitais e registros fiscais ao seu histórico escolar e informações de antecedentes criminais — em um datacenter federal único.

A proposta sugeria que esses registros fossem armazenados em fitas magnéticas de computador para que pudessem ser recuperados facilmente para visualização e pesquisa por parte das autoridades. Essa foi uma visão extremamente ambiciosa que criava o que agora reconheceríamos como um banco de dados eletrônico.

Se analisarmos a proposta hoje, veremos que há muitos detalhes nessa história que reconhecemos de imediato — mesmo que as tecnologias subjacentes tenham mudado por completo. A premissa básica do armazenamento eletrônico é a mesma, mas o advento das tecnologias digitais, como o flash, possibilita que tanto os governos quanto as empresas armazenem muito mais dados e de modo muito mais econômico, comparando com o caso de 1965. Atualmente, são analisados e obtidos mais dados do que nunca antes — por meio de big data analytics — muitas vezes fornecendo percepções em tempo real que têm o poder de beneficiar todas as pessoas.

Entretanto, é interessante observar como a ética em relação à obtenção de dados mudou ao longo da última metade do século. A Proposta Nacional do Datacenter foi abandonada finalmente em 1968 devido a preocupações relacionadas à privacidade. Foi considerada uma invasão de privacidade que o governo dos EUA mantivesse tantos dados pessoais sobre seus cidadãos.

Porém, hoje, estamos mais dispostos do que nunca a compartilhar dados e utilizar uma série de plataformas que facilitam esse compartilhamento. Nós fazemos todos os dias: publicando detalhes pessoais em mídias sociais; fornecendo dados bancários para acesso on-line; compartilhando informações sobre nossa forma física com amigos, seguradoras e empresas de produtos de consumo etc.

Fazemos isso porque vemos um lado positivo — seja porque estamos nos comunicando com mais liberdade, fazendo compras de modo mais conveniente ou sacando os prêmios de nossos seguros. Permitir que outras pessoas armazenem nossos dados pode fazer uma diferença significativa em nossas vidas e, por isso, quando percebemos, adotamos esse comportamento. De fato, um estudo recente da VansonBourne descobriu como os consumidores conectados de hoje, a "Information Generation", priorizam acesso mais rápido a serviços e experiências mais personalizadas das empresas com que eles interagem.

Muitas coisas mudaram ao longo dos 50 anos desde que a noção moderna de um datacenter foi apresentada pela primeira vez, mas muitas coisas também permaneceram iguais. A proposta original inspirou muitos debates sobre "Big Brother" e acelerou nossa consciência coletiva com relação a assuntos de privacidade e controle. Essas preocupações continuam prioridades em 2015 — mas está claro que os consumidores de hoje descobriram e utilizaram as vantagens e desvantagens da coleta de dados e, cada vez mais, esperam que as empresas com as quais eles interagem usem os dados para entendê-los melhor e proporcionem experiências de usuário mais eficientes e precisas.

*Leonardo Araujo é Diretor de Serviços da EMC Brasil.