Recuperado de um câncer, homem ganha nova mandíbula feita em impressora 3D

Por Redação | 29 de Junho de 2016 às 19h22
photo_camera Reprodução/Formlabs

Perder uma parte do corpo e ter que recorrer ao uso de uma prótese não é algo exatamente simples, mas muita gente passa por isso. Pensando em situações como esta, pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, criaram uma prótese com uma impressora 3D para Shirley Anderson, um homem que sobreviveu a um câncer, mas teve a sua mandíbula removida após ficar com o rosto desfigurado como efeito da exposição à radiação do tratamento.

O grande destaque aqui é que o método utilizado pelos pesquisadores permitiu trazer uma prótese de mandíbula muito mais funcional, que não causa sensação de claustrofobia, e também é personalizada, outro ganho que pode contribuir para o bem-estar de um paciente recuperado.

Anderson já utilizava uma prótese, que havia sido criada por meio do método convencional. Como se o processo para concepção e desenvolvimento de uma peça assim já não fosse suficientemente desconfortável, afinal o paciente precisa ter um molde retirado do seu rosto, a aplicação também não ajuda, obrigando-o a modificar a sua respiração e a “máscara” era presa a seu rosto com uma espécie de cola.

A nova prótese promete ser mais leve e trabalhar melhor com questões simples, como encaixe e suporte ao forte que calor que normalmente assola a região. Com isso, é possível que o agora ex-paciente em tratamento pelo câncer consiga passar mais tempo em público sem usar máscara de proteção.

Processo virtual

Em vez de um molde adicionado ao seu rosto, a prótese impressa foi criada a partir de várias fotos do rosto de Shirley Anderson. As imagens capturavam diferentes ângulos, mapeando diversos detalhes e permitindo a criação de uma espécie de cultura virtual dele, a partir da qual foi construída a nova prótese.

O processo de estudo de métodos e desenvolvimento levou, ao todo, cinco anos para ser concluído e o software usado para renderizar tudo e criar a prótese é o ZBrush, comumente utilizado para criar monstros para filmes de Hollywood. Provavelmente, esta é a primeira vez em que ele é usado para questões clínicas.

Esta é a parte interessante do processo: você pode experimentar e criar protótipos de vários designs diferentes usando a impressora 3D e modelos de qualquer coisa que você queira tentar”, comenta Travis Bellichi, residente da Escola de Odontologia da Universidade de Indiana. “Isso tem sido a coisa que mais me deixa livre: tentar de tudo em relação ao design e encontrar a melhor solução”, conclui.

A prótese criada pelos pesquisadores vai se prender ao rosto de Anderson por meio de ganchos de acrílico e enlaces magnéticos ao redor do ouvido. Além disso, o queixo de silicone conta com uma fita elástica e velcro para se prender ao pescoço do paciente.

Confortável e acessível

Ainda segundo Bellichi, a parte mais desafiadora de todo o processo não foi criar um objeto confortável, mas sim algo seguro. Isso porque o equipamento vai cobrir e ter contato com boa parte do rosto do seu utilizador, portanto era preciso ter cuidado para não gerar nenhum risco a partir disso (daí a opção por não usar qualquer tipo de adesivo).

O pesquisador da Universidade de Indiana acredita que o uso de próteses criadas com impressoras 3D pode ajudar a tornar este tipo de material muito mais barato e acessível aos pacientes.

“É significativamente mais barato reimprimir um molde [na impressora 3D] do que recriar um molde plástico”, comenta o pesquisador. “Quando se trabalha com métodos tradicionais, você tem que voltar e reesculpir a prótese em cera ou argila a fim de criar novos moldes. Um fluxo de trabalho digital dá a você acesso fácil ao design para recriar o seu trabalho de forma fácil e eficiente”, aponta Bellicchi.

Fonte: The Daily Dot

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