Programadora "revive" amigo em bot de inteligência artificial

Por Redação | 11 de Outubro de 2016 às 19h32
photo_camera Reprodução

Em um episódio da série Black Mirror chamado "Be Right Back", uma viúva utiliza os registros eletrônicos de seu falecido marido para criar uma inteligência artificial capaz de reproduzir a personalidade do ente querido. Na vida real, uma programadora russa fez o mesmo para criar um bot baseado na personalidade de seu melhor amigo.

Eugenia Kuyda, uma engenheira de dados residente em Moscou, desenvolveu um bot capaz de reproduzir, através do uso de redes neurais, uma conversa com Roman Mazurenko, amigo que morreu no ano passado em um acidente de carro.

Roman Mazurenko (Foto: Reprodução/The Verge)

Em um esforço para preservar a memória do amigo, Kuyda percorreu longos arquivos de conversas por mensagens de telefone e emails e teve a ideia de usar estes registros para formular uma inteligência artificial capaz de conversar por texto da mesma forma que Mazurenko fazia.

Kuyda já atuava em uma pesquisa na área, com um projeto de bot inteligênte chamado Luka, mas o sentimento por Mazurenko foi a peça que faltava para ela levar adiante seu plano de um bot capaz de conversar como um ser humano.

O que era um bot voltado inicialmente para ser um assistente pessoal simples, virou uma espécie de amigo virtual imitando padrões de linguagem mais pessoais - no caso do amigo falecido, isso era mais evidente, já que Mazurenko tinha problemas de dislexia e digitava com erros em diversas ocasiões.

Com o apoio de boa parte dos amigos e familiares de Mazurenko, que compartilharam mais de 8 mil mensagens de texto para formar a personalidade do bot, Kuyda criou a aplicação, que para muitos foi surpreendente e assustador.

- A última vez que vi você foi em Simachev./ - Eu dormi o dia todo depois daquilo/ - Foi divertido. (Foto: Reprodução/The Verge)

O bot usa uma base com milhares de respostas de Mazurenko para as conversas, tentando usar os padrões de discurso e o senso de humor do amigo falecido. Quando o sistema não é capaz de casar as perguntas com respostas adequadas, ele recorre ao software tradicional da Luka, respondendo de forma mais genérica, tal como um bot tradicional.

- Como está por aí?/ - Apenas fazendo nada/ - Estamos sentindo sua falta aqui. (Foto: Reprodução/The Verge)

“O time construindo Luka é realmente bom com processamento de linguagem natural", disse Sergey Fayfer, amigo de longa data de Mazurenko. "A questão não era a possibilidade técnica. Era como isso ia ser emocionalmente", disparou Fayfer em uma reportagem especial do The Verge.

Depois de lançar o software em maio, Kuyda teve uma resposta positiva dos amigos de Mazurenko, entretanto alguns deles não aceitaram a iniciativa, apontando que estavam perturbados por ela e que não queriam interagir com a aplicação.

“Eles continuaram a vida de Roman e salvaram a nossa", afirmou Victoria Mazurenko, mãe do amigo de Kuyda. “Não é uma realidade virtual. É uma nova realidade e nós devemos aprender a viver nela", afirmou.

Fonte: The Verge

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