Pais processam escola alegando que os sinais Wi-Fi deixaram filho doente

Por Redação | 27 de Agosto de 2015 às 11h54

Os sinais de Wi-Fi estão por todos os lados, seja em casa, na faculdade ou até mesmo nas ruas. Mas, até então, poucos se preocuparam tanto com isso quanto um casal do Massachusetts, nos Estados Unidos.

Os pais de um garoto de 12 anos de idade estão processando a Fay School, em Southborough, onde o garoto estuda. Segundo os pais, a força do sinal Wi-Fi está deixando o garoto doente. A criança foi diagnosticada com Síndrome de Hipersensibilidade Eletromagnética (EHS), ou seja, quando a radiação eletromagnética emitida por tecnologias sem fio causa sangramentos nasais, náuseas, dores de cabeça, tonturas, perda de memória, tremores, exaustão e problemas cardíacos e da tireoide.

Enquanto a EHS não é uma doença universalmente reconhecida entre os profissionais da medicina, na Organização Mundial da Saúde isso aconteceu em 2005. Jeanne Hubbuch, médica de saúde ambiental da família, diz que não encontrou nenhuma outra explicação para os sintomas que o garoto está apresentando.

"Sabe-se que a exposição ao Wi-Fi pode ter efeitos celulares. A extensão completa destes efeitos sobre as pessoas ainda são desconhecidos, mas é claro que as crianças e as mulheres grávidas correm o maior risco. Isso se deve ao tecido cerebral sendo mais absorvente, seus crânios são mais finos e o tamanho relativamente pequeno", diz Hubbuch em uma carta enviada à escola.

O diagnóstico do menino, que, assim como os pais, não teve a sua identidade revelada, surgiu depois que a escola instalou um novo sistema sem fio mais poderoso, ainda em 2013. Porém, a escola garante que a saída de radiação está dentro de níveis seguros.

Foi no ano passado que a família começou a se preocupar com o caso e a escola contratou a empresa de medição de sinal de rádio Isotrope, recomendada pelos pais do menino.

"A avaliação da Isotrope foi concluída em janeiro de 2015 e descobriu que os níveis combinados de emissões de pontos de acesso, transmissões de rádio e sinais de televisão e outras emissoras no campus foram substancialmente menores que um décimo de milésimo (1/10000) da segurança aplicável em limites (federais e estaduais). Apesar das descobertas da Isotrope, a família levantou a questão sobre o sistema de Wi-Fi da escola e recentemente abriu um processo contra ela e seu diretor", diz o relatório da Fay School.

O diretor da escola, Rob Gustavson, postou também no site da Fay a cópia de uma carta enviada aos pais da escola. "Como eu disse quando compartilhei as descobertas com todos os pais no final de janeiro, a escola irá agir em conformidade com as diretrizes aplicáveis de agências reguladoras relevantes e irá se adaptar às nossas políticas e protocolos, se necessário, a fim de cumprir quaisquer revisões dessas diretrizes e regulamentos", afirma a carta.

A ação movida pela família pede por uma injunção da Corte Distrital dos Estados Unidos, que exige que a escola mude a sua conexão para cabos Ethernet, além de baixar o sinal de Wi-Fi na sala de aula do menino ou criar um outro alojamento adequado. Caso contrário, ele deixará a escola. Os pais também pedem uma indenização de US$ 250 mil por danos.

O advogado da família, John J.E. Markham, disse à imprensa que a prioridade agora é fazer com que o garoto seja capaz de retornar à Fay School. "Nós estamos tentando trabalhar com a escola. Ainda estamos esperando para chegar a uma resolução que irá permitir que ele esteja seguro nessas salas de aula", comenta.

Apesar de todo o burburinho, o caso não é o primeiro a ser registrado no mundo. Outros fatos similares aconteceram na cidade de Oregon, também nos Estados Unidos, e em Israel. Nenhuma ação movida foi vitoriosa, visto que a radiação está por toda parte.

Segundo Arthur Firstenberg, líder ativista de saúde antieletromagnética, é exatamente por isso que os pais precisam processar a escola. "Imagine se isso fosse um produto químico tóxico e a escola de repente decidiu pulverizar o produto químico em todo o local só porque as outras escolas estavam fazendo isso. As pessoas não têm a responsabilidade por aquilo que fazem, independentemente do que os outros estão fazendo também?", desabafa.

Fonte: Yahoo!

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