NASA cria sequenciador de DNA que pode buscar vida extraterrestre

Por Redação | 20 de Julho de 2016 às 16h20

Investigar a existência de vida extraterrestre é uma tarefa que tem tomado a mente de muitos pesquisadores, estudiosos e curiosos sobre o tema. Esta semana a Estação Espacial Internacional (International Spacial Station, ISS em inglês) ganhou um dispositivo que pode ser muito útil para este tipo de pesquisa. Um sequenciador de DNA, batizado de MiniON, foi construído pela NASA e será enviado à Estação nesta segunda.

Os cientistas esperam entender melhor, com a ajuda do aparelho, por que estão nascendo fungos nas paredes da estação, além de, futuramente, ser útil na exploração de vida no espaço. O primeiro sequenciamento de DNA espacial será realizado por Kate Rubins, astronauta que está na ISS.

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Com o sequenciador, os astronautas esperam investigar o que realmente flutua na estação. Devido a presença de muitos astronautas indo e vindo da estação, muitos microrganismos acabam sendo também levados para lá, e atualmente o jeito de descobrir de que tipo eles são é da maneira tradicional, usando uma placa de Petri. O MiniON é capaz de fazer análises do ar e da água quase de maneira instantânea.

Sequenciador de DNA ISS

(MiniON, sequenciador de DNA da ISS)

Em entrevista ao site Gizmodo, Sarah Wallace, cientista da NASA, microbiologista e gerente do projeto, disse que toda a água da estação é reciclada da urina e do suor, por exemplo. "Queremos saber em tempo real se o processador de água está funcionando", disse Wallace.

O sequenciador pode além de monitorar a água e o ar, também tornar possível a investigação sobre os fungos que cresceram na estação. Questionada se os fungos eram de origem benigna ou não, e se deveria ser algo com que se preocupar, Sarah Wallace afirmou que assim que houvesse certeza do que se trata, os microbiologistas poderiam recomendar o que deveria ser feito a respeito deles.

Um outro ponto útil do aparelho é que ele pode ser usado para detectar doenças nos astronautas - que passam muito tempo nas missões - e também medir o impacto de se viver no espaço.

No entanto, um dos maiores chamarizes do MiniON é a chance de que ele deixe, no futuro, a estação espacial para explorar o espaço, podendo identificar vida em outros planetas, até mesmo em Marte, praticamente em tempo real. "Por várias razões o sequenciador é bom para a microbiologia - ele é pequeno, leve e bem robusto - é um bom equipamento para mandarmos para outros locais em nosso sistema solar", disse o astrobiólogo e líder do projeto Aaron Burton ao Gizmodo. "Então se você quisesse ir para Marte e ver se há vida, você teria um pequeno dispositivo que poderia levar consigo e então começar a procurar".

Fungos ISS

(Fungos encontrados na Estação Espacial Internacional)

Além de identificar os tipos de vida que estão sendo levados pelos astronautas para o espaço, o sequenciador também seria capaz de encontrar tipo de vida nativos de outros planetas, e os pesquisadores estão procurando meios de usar o sequenciador até mesmo em casos onde não há DNA. De acordo com Burton, o MiniON poderia se relacionar com moléculas, ao invés de DNA. "RNA é o que a gente tem na Terra, mas você também pode pensar em ter diferentes açúcares com diferentes bases nucleotídicas. Você poderia procurar por uma gama de informações diferentes a partir das moléculas e algumas pessoas já estão pesquisando sobre o sequenciamento de proteínas a partir do dispositivo também", contou.

Ainda que estas pesquisas não estejam em um futuro muito próximo, elas possuem um impacto aqui na Terra. A Estação Espacial Internacional é também um modelo de como conduzir operações em áreas remotas da Terra. "Entender, por exemplo, como ocorre a expressão genética na salmonela , poderia levar ao desenvolvimento de uma vacina. Existem aplicações no espaço, mas benefícios nas nossas vidas também", conta Camille Aylleybe, cientista associada da ISS, em relação ao uso da tecnologia do sequenciador aqui na Terra.

Fonte: Gizmodo

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