Como os carros autônomos vão revolucionar as cidades

Por Redação | 28.05.2016 às 11:16

Os carros autônomos estão aí. Longe de serem uma alternativa viável e popular na grande maioria das cidades do mundo, estes veículos que dispensam motoristas estão cada vez mais desenvolvidos e, em um futuro não tão distante, podem virar a realidade em várias partes do planeta, o que provavelmente levanta uma série de questões sobre aproveitamento e uso do espaço urbano.

O designer urbano Kinder Baumgardner, presidente da SWA Group, uma das principais empresas de arquitetura e planejamento urbano do mundo, acredita que este tipo de carro vai permitir uma recriação dos ambientes em que vivemos dentro de uma cidade, especialmente no que toca às ruas e estradas.

O especialista começou a pensar sobre o assunto quando a sua empresa foi contratada pelo estado do Texas, nos Estados Unidos, para modelar estradas que continuem relevantes em 2035. Diante deste desafio, ele questionou o Departamento de Transportes do Texas a fim de saber se ele deveria levar em conta as predileções de que, em um futuro próximo, carros convencionais dividirão espaço com milhares de veículos autônomos. O órgão estadual respondeu positivamente e Baumgadner percebeu que havia uma série de questões sem respostas sobre o tema.

Aproveitando melhor os espaços

Em um primeiro momento, a percepção é de que, com a popularização dos carros autônomos, será preciso cada vez menos espaços dedicados exclusivamente aos veículos, como estacionamentos e estradas, permitindo o uso destes ambientes de maneira mais eficiente. Assim, o executivo da SWA acredita que as rodovias irão ficar mais estreitas.

“Tudo vai começar nas rodovias. A maioria das fabricantes possui um carro que pode trafegar em uma rodovia de forma semiautomática. Neste momento, há pessoas em uma estrada que não precisam sequer tocar no volante. Haverá mais e mais disso acontecendo rapidamente”, defende o especialista.

“Você pode imaginar que, se estiver transitando por aí dentro de um robô, com muito mais segurança, não vai querer trafegar pela mesma pista com outras pessoas dirigindo carros analógicos. Você vai começar a pedir pela sua própria estrada, por pistas mais seguras”, prossegue Baumgardner, comentando ainda a respeito da possibilidade dos carros autônomos trafegarem mais rapidamente e guiados por computador, possibilitando o trânsito em estradas mais compactas.

Menos estacionamentos

Outro setor que deve sofrer impacto e permitir um melhor aproveitamento do espaço urbano é o de estacionamentos. Com os carros autônomos se estacionando sozinhos — e com a popularização dos serviços de compartilhamento de veículos —, não será mais preciso enormes construções para abrigar dezenas de carros a cada esquina.

“Tecnologias que permitem o compartilhamento de carros ou que permitam aos veículos se estacionarem por conta própria significam que você não vai precisar de tanto espaço para estacionar”, comenta Baumgardner. “Isso significa que estacionamentos precisarão ser a metade do que são hoje, significa que nós temos espaço livre próximo das rodovias e junto dos estacionamentos.”

Curtindo a vida — mais e mais longe

Em um devaneio quase que utópico, o arquiteto e urbanista acredita que o avanço das tecnologias de transporte vai permitir que as pessoas vivam de forma mais confortável em lugares mais distantes de seus trabalhos, por exemplo. “Esta tecnologia vai nos permitir ter mais tempo livre e realizar deslocamentos cada vez mais longos”, aposta. “Agora, eu posso viver no interior e trabalhar na cidade, e o sistema de transporte é muito mais eficiente. Eu posso ter experiências na cidade e fazer isso vivendo cada vez mais e mais longe.”

Vale lembrar que Baumgarder se refere a um contexto do estado do Texas e, mais especificamente, da capital Houston. É óbvio que outras regiões do mundo, inclusive outras cidades dos próprios Estados Unidos devem encontrar possibilidades bem distintas para os carros autônomos.

Fonte: Curbed