Empresas estão contratando roteiristas para dar vida à assistentes virtuais

Por Redação | 08 de Abril de 2016 às 19h55
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Para aquelas pessoas que optam por se especializar em poesia, artes cênicas, literatura clássica e outras ciências humanas, talvez agora seja o momento para tentar uma carreira nas grandes empresas de tecnologia. Robyn Ewing, por exemplo, é uma roteirista de Hollywood que trocou os bastidores dos estúdios de cinema por um escritório em uma startup de tecnologia. Tudo isso porque ela agora é responsável por criar a personalidade de uma assistente virtual que será animada por inteligência artificial.

O trabalho de Ewing é feito ao lado de engenheiros de software que trabalham na assistente Sophie, que pode ser baixada em smartphones e tablets. A enfermeira virtual é responsável por lembrar os pacientes de checar a medicação, perguntar como estão se sentindo ou se estão com dor e enviar todas essas informações para um médico de verdade.

Com a popularidade cada vez mais em alta das assistentes virtuais, montar a personalidade e estilo próprio delas tem se tornado uma opção de carreira para escritores e roteiristas. Por trás da Siri da Apple, Cortana da Microsoft e Alexa da Amazon existe um time de engenheiros, técnicos, comediantes, poetas, escritores e muitos outros artistas que se unem para dar um aspecto humano às máquinas. Só para escrever as interações da Cortana, a equipe que dá vida à assistente conta com seis pessoas, incluindo um dramaturgo, um novelista, dois poetas, entre outros, que se encontram todos os dias para trabalhar no software da Microsoft.

Esse nicho de mercado em fase inicial tem como foco um novo tipo de assistentes, que farão mais do que apenas ler o e-mail ou localizar o restaurante mais próximo. Os robôs do futuro devem interagir da maneira mais humana possível, ao ponto do usuário esquecer que está conversando com um software de inteligência artificial. De acordo com uma pesquisa conjunta do Washington Post com a empresa CBInsights, as assistentes virtuais arrecadaram pelo menos US$ 35 milhões (cerca de R$ 125 mi) em investimentos apenas em 2015.

Os designers da Alexa, da Amazon, colocaram "hummms" e "uhm" nas respostas dela, em um esforço para humanizá-la, enquanto a Siri, da Apple, é conhecida pelo seu senso de humor único e pela habilidade de fazer um beatbox ao pedido de uma pessoa.

Cortana

No processo de criar uma assistente virtual, os escritores criam toda uma história para a "personagem", mesmo que ela nunca seja usada. O assistente será relaxado ou louco por trabalho? Ele tem um ótimo senso de humor ou tendência a ser melancólico? Faz piadas sempre que possível ou é sucinto nas respostas? Essas são algumas perguntas que os desenvolvedores precisam criar respostas para definir como a assistente irá se portar diante de pedidos extravagantes ou mesmo corriqueiros.

Outro aspecto que deu força às assistentes virtuais são os avanços nos campos de aprendizado de máquina e processamento natural de linguagem, em outras palavras, a habilidade de computadores para entender a fala do usuário.

Alguns assistentes mais humanos já estão no mercado. Howdy, robô do software de produtividade Slack, pode perguntar para os funcionários como anda o progresso dos trabalhos, reunindo todas as informações em um relatório único. Amy e Andrews, da startup x.ai, podem enviar e receber e-mail e oferecer suporte em interações com administradores de verdade. Sophie e Molly, das startups IDAvatars e Sense.ly, respectivamente, ajudam no gerenciamento de remédios e cuidados à doentes.

Questões como gênero, preferências políticas e hiper humanização das assistentes são tópicos que sempre são debatidas na internet. Por isso, os times de escritores se encontram frequentemente para absorver essas questões e respondê-las através do software de inteligência artificial. Ao ser perguntada se é humana, Cortana responde que não, "mas que tem o maior respeito por humanos. Vocês criaram o cálculo – e milkshakes".

Com a velocidade do desenvolvimento tecnológico, é esperar para ver até que ponto as assistentes virtuais chegarão.

Fonte: The Washington Post