Como a realidade virtual levará você para uma cela de confinamento solitário

Por Redação | 07 de Maio de 2016 às 13h30

Por mais paradoxal que isso pareça, a Internet e a TV nos ajudaram durante anos de documentários e shows interativos a entender melhor como funciona o confinamento numa cela solitária. Acontece que embora você se sinta craque em passar alguns dias em isolamento total, nada será tão esclarecedor quanto viver essa experiência com todos os seus sentidos sensoriais.

Numa forma de contornar todas essas limitações, o grupo de projetos especiais do jornal The Guardian criou o '6x9 - a virtual experience of solitary confinement' — uma espécie de jogo em realidade virtual que promete te transportar para uma cela com apenas o sol te fazendo companhia durante 24 horas por dia. Veja só o trailer:

Em 6x9, dirigido pelas editoras Francesca Panetta e Lindsay Poulton, o visualizador e jogador é colocado em uma cela interativa gerada por computação gráfica. As responsáveis pelo projeto explicam que o seu objetivo é observar de forma mais clara (e menos agressiva, é claro) a deterioração psicológica e física de quem está confinado, elas ainda incentivam ao máximo quem está passando pelos testes a interagir com os objetos a sua volta, para assim entender melhor o que pode e o que não pode ser feito nesse tipo de ambiente.

Para complementar a imersão e tornar tudo ainda mais bizarro: a trilha sonora do vídeo interativo é composta por depoimentos de ex-detentos. Todos aqueles que você escuta — exceto dois doutores em psicologia que estudam os efeitos do isolamento completo — já estiveram numa solitária de verdade mais de uma vez e cumpriram penas de 1 a 8 anos em prisões de segurança máxima dos estados da Califórnia ou Nova Iorque, nos EUA.

Em uma entrevista para dar detalhes sobre o projeto, Panetta explica que o projeto surgiu da ideia de que, com a chegada dos aparelhos de realidade virtual, histórias onde a simulação é necessária para deixar o usuário mais atraído pelo enredo se tornariam muito mais impactantes e reais. Segundo ela, foi necessária a ajuda de vários livros e doutores da área de psicologia e psiquiatria para compor o cenário de 6x9; antes de lançar publicamente a ideia, a diretora também consultou ex-detentos que sugeriram celas menores e com comida mais escassa do que as planejadas anteriormente, com base em informações oficiais da justiça americana.

Na hora de botar a mão na massa e construir o ambiente virtual, o estúdio britânico The Mill utilizou de texturas extremamente realistas, com elas foi possível dar um ar mais sujo e menos amigável à solitária. O produtor da companhia, Jarred Vladich, explica que alguns trabalhos mais minuciosos também foram feitos: é possível ver textos na parede que teriam sido feitos por outros detentos com suas próprias unhas arranhando o concreto. Todos os elementos do vídeo deviam atuar muito bem com os elementos do áudio, "queríamos muito que a integração entre a visão e a audição levasse o usuário a uma espécie de transe, onde a voz narrada seria sua consciência", diz Vladich.

Todo o conteúdo é controlado pela sua visão: ao olhar para um determinado objeto, uma pequena história sobre esse objeto é contada, quase como se você estivesse refletindo sobre ele. Com tanto realismo colocado em cena, Panetta e Poulton afirmam que quem passa pelos testes apresenta sinais reais de alucinação e depressão, mas que eles não são permanentes como os de quem vive isso por anos ou meses. Segundo elas, muitos saem de seus dispositivos VR com a sensação de que estão no espaço, ou muitas das vezes vêem vultos nos cantos da cela virtual e quando olham de volta percebem que não havia nada lá.

Os criadores da experiência parecem extremamente animados com a sua criação. Para os idealizadores do 6x9, ele consegue fazer com que se compreenda de uma forma muito clara e em poucos minutos o que é estar numa cela pequena, suja e isolada por muito tempo. Para baixar e testar o vídeo interativo, basta acessar a página oficial do The Guardian destinada ao projeto e seguir para os aplicativos disponíveis para Android ou iOS. O jornal também recomenda o uso de um óculos de realidade virtual, como o Google Cardboard, para que a imersão seja ainda maior.

Via: Fast Co.Create

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