A era dos drones autônomos está perto de se tornar realidade

Por Redação | 29 de Maio de 2016 às 14h28
photo_camera Reprodução/YouTube

Há dois anos, uma equipe composta por três engenheiros de software decidiu criar a Wavre, uma fabricante de drones com sede em Bruxelas, Bélgica. Mas a empresa queria ir além do que já estava sendo oferecido no mercado. Seu objetivo principal era criar um software capaz de fazer com que o gadget voador funcione de forma totalmente autônoma.

Outra companhia, chamada EagleEye Systems, ficou responsável pela fabricação do computador de bordo e desenvolvimento do software utilizados nos produtos. O restante das peças e sensores foram adquiridos de outras fabricantes de drones.

No fim de março deste ano a Wavre conseguiu alcançar um passo importante: a fabricante recebeu autorização oficial da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos para operar e vender os seus drones e software em solo norte-americano. A decisão cria expectativa para restrições mais leves para o negócio de drones nos EUA.

O que ajudou o projeto dos engenheiros a se tornar realidade foi o uso de Inteligência Artificial. O sistema criado pela EagleEye permite que o drone seja capaz de tomar decisões baseado na análise de dados em diferentes cenários. O avanço na tecnologia robótica alcançado nos últimos anos também foi de grande ajuda para o projeto se tornar viável. Confirma no infográfico como o sistema funciona:

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Até então, drones totalmente autônomos, sem qualquer intervenção nem mesmo no controle de voo, só tinham sido apresentados em demonstrações técnicas. Um drone semi-autônomo que está fazendo sucesso no YouTube e no mercado é o Phantom 4. O modelo fabricado pela chinesa DJI foi lançado em março e trouxe algumas funções de automação, como: evitar obstáculos e seguir objetos usando como base sua câmera onboard.

O software e o hardware criados pela Wavre em conjunto com a EagleEye Systems tem como objetivo trazer a mesma experiência do novo Phantom 4 para outros drones mais antigos. A constante inovação na indústria de transportes mantém as pesquisas do projeto sempre em andamento. A tecnologia e a robótica responsáveis pela possibilidade de automação dos drones fez com que o dispositivo saísse na frente na corrida pelo primeiro veículo autônomo disponível no mercado.

A novidade pode transformar os drones do futuro em verdadeiras máquinas voadoras autônomas, mas por enquanto, a maioria dos softwares atuais foca em recursos de piloto automático. O que pode ser capaz de mudar isso é o fato da maioria dos sistemas operacionais utilizados em drones serem em código aberto, abrindo as portas para a inovação de outros desenvolvedores.

No entanto, a EagleEye é contra essa prática. A empresa aposta que o uso de software proprietário permite mais controle e a implementação de capacidades de nível militar nos drones. A expansão da seda da empresa para Nova Iorque e o sinal verde do governo norte-americano vão permitir que a companhia comece a investir pesado na inovação da tecnologia dos drones nos EUA.

Durante quase quatro anos de desenvolvimento na Europa, a tecnologia criada pela empresa foi utilizada em operações de resgate, monitoração agrícola e outras aplicações. Equipado com sensores inteligentes e algoritmos de reconhecimento de imagens, os drones embarcados com o software criado pela EagleEye Systems podiam decidir como voar entre os obstáculos, além de gravar imagens de reconhecimento antes de retornar ao solo.

Os principais clientes da desenvolvedora ainda estão restritos à indústria. Infelizmente, o custo de implementar o sistema em drones comerciais ainda é alto demais, e não compensa para o consumidor final.

A indústria automotiva caminha lado a lado com a inovação dos drones autônomos, mas os quadricópteros ainda são capazes de oferecer algumas vantagens importantes: a primeira é operar em espaço aéreo, ambiente relativamente mais seguro do que as pistas; segundo, a estrutura dos drones é bem menos complexa do que a dos carros; e a vantagem principal é que os drones não transportam pessoas, o que minimiza bastante o risco de acidentes durante o período de testes da nova tecnologia.

Modelos equipados com piloto automático, desvio de obstáculos, e capacidades de reconhecimento de trilha, já estão disponíveis em drones semi-autônomos como o Phantom 4. Mas esses produtos ainda dependem da intervenção humana para funcionar. Quem sabe a próxima geração de drones consiga trazer para o consumidor final alguns desses recursos desenvolvidos pela EagleEye?

Via: Zdnet