Tina Revoltada: a assistente de voz com cara de segunda-feira

Por Rafael Romer | 22.08.2014 às 13:57

"Para minha infelicidade, você já está de volta", diz a assistente de voz Tina Revoltada quando o usuário abre o aplicativo para fazer uma pergunta qualquer.

Convenhamos, apesar de extremamente prestativas, assistentes como a Siri, do iPhone, e a Cortana, do Windows Phone, às vezes podem incomodar mais do que ajudar. Em uma segunda-feira, por exemplo, ninguém está bem humorado. Às vezes, a última coisa que se quer é uma assistente de voz simpática.

Disponível para Android, o app Tina Revoltada foi criado pelos desenvolvedores e amigos de faculdade Fábio Brolo, de 22 anos, e Renato Xavier, de 24, de Jundiaí, São Paulo. Em quase dois meses de Google Play, o app já contabiliza mais de 57 mil downloads e segue bem avaliado na loja de aplicativos.

A ideia para o app surgiu durante o desenvolvimento do primeiro aplicativo da dupla, o Vai de Bus Jundiaí, um serviço para informação de horários de ônibus da cidade. Montado sobre a plataforma APP Inventor, do MIT, o app tinha uma opção de acessibilidade de conversão de voz para texto por meio do sistema de reconhecimento de voz do Google – que deu origem à Tina.

"Aí tivemos a ideia de desenvolver uma assistente mal-humorada. Ficamos rindo por horas com a ideia", contou Fábio Brolo em entrevista ao Canaltech. "A primeira versão ficou pronta em sete horas, mas ainda era muito limitada".

Tina Revoltada

Tina Revoltada

Tina Revoltada

No período de férias do trabalho, Brolo passou quinze dias incrementando a assistente para, só então, lançá-la na loja do Google. Com o sucesso do app, os feedbacks positivos e negativos da assistente começaram a chegar.

A equipe da "startup" (que ainda não está oficializada, é claro) já foi ampliada para cinco pessoas, que agora atualizam o app conforme as demandas dos usuários chegam. "Sempre que o usuário sugere alguma coisa, a gente coloca", explicou. "Para isso que a gente criou a página no Facebook também".

Hoje a Tina já tem um vocabulário de mais de 7,5 mil respostas atravessadas diferentes, e é capaz de dar informações sobre localização de lugares, abrir aplicativos, pesquisar termos no Google e até realizar algumas interações especiais. "Não acha que é carência ficar falando de futebol com um aplicativo?", respondeu a assistente quando a questionamos sobre o que ela tinha achado da Copa do Mundo.

A Tina ainda erra um pouco, é verdade – muitas vezes, erra rude. Pedindo para abrir o aplicativo Twitter, ela diz com empolgação: "Partiu para o mundo dos 240 caracteres!". Quase lá, Tina. Em outra ocasião, a assistente resolveu "mudar de assunto" quando perguntamos sobre a localização de um restaurante. Mas nada que atrapalhe muito a usabilidade.

Mesmo com pouco tempo de existência, o time já tem planos ambiciosos para o projeto. Entre eles está a possibilidade de monetizar o app através de itens para mudar o visual da Tina e de adicionar frases customizadas para a personagem responder. Atualmente, é possível colocar uma única frase customizada no app. O app também deverá ser portado para o Windows Phone – mas nada de iOS, segundo Fábio, porque ninguém na equipe tem um Mac.

Também há planos para migrar o aplicativo para a plataforma Java, que permitiria dar movimentos para a Tina e colocar uma narração mais natural. Hoje a Tina possui a mesma voz robótica da narração em português do Google – ou, nas palavras dela mesma, "culpa do tio Google que me deu essa voz".