Realidade virtual usada pela indústria pornô? Isso está prestes a acontecer

Por Redação | 19 de Fevereiro de 2015 às 17h20
photo_camera Reprodução

É um fato conhecido que muitos dos avanços em questão de gerenciamento e distribuição de mídia, desde as fitas VHS até o moderno streaming de vídeo (e também a base de todo o sistema de pagamentos via internet da atualidade), foram pesadamente impulsionados pelo interesse das pessoas em pornografia.

Se de um lado havia alguém disposto a ver gente nua e/ou pessoas fazendo sexo, alguns pioneiros sempre estiveram dispostos a fazer que tal conteúdo chegasse a seus consumidores. Assim sendo, era só questão de tempo para que a realidade virtual (RV) também ganhasse novas — e até mesmo óbvias — aplicações pela indústria pornográfica.

Pensando em explorar esse nicho ainda intocado é que foi criado o VRtube, um estúdio online para criação e distribuição de conteúdo pornográfico com base em realidade virtual. E a diretora de criação dessa nova central de entretenimento adulto na web é ninguém menos do que a estrela pornô Ela Darling.

Entusiasta de ficção científica e de RV desde a infância, Darling conta que a possibilidade de uso para fins eróticos veio à sua mente assim que soube da existência do Oculus Rift, dispositivo pioneiro no ramo. “A primeira coisa que eu pensei quando ouvi sobre a nova tecnologia foi 'como eu posso transar com isso?' ou 'como eu posso permitir que as pessoas me vejam transando nisso?”, revela a atriz a Wired.

Você dentro da cena

Se sistemas de transmissão ao vivo por meio de uma webcam — ou mesmo câmeras com definições generosas em dispositivos portáteis — já permitiram um avanço considerável no ramo da pornografia (amadora ou não), a aplicação da realidade virtual a esse mundo dá um grande salto adiante.

Isso porque ela será capaz de eliminar inúmeras barreiras e mediações, colocando os participantes como atores dentro de uma cena, deixando apenas de assistir para viver aquilo em certa medida — podemos incluir aqui, obviamente, uma série de questionamentos filosóficos sobre o quanto o uso da realidade virtual pode significar “viver” algo de fato, mas deixemos isso para outra hora.

Até porque a ideia não é transformar você em uma espécie de jogador à distância da vida real. Sem dúvida, um apelo generalizado da realidade virtual está diretamente associado a quanto isso pode ser prático e simples, como apenas colocar um óculos em sua cara. Não espere uma espécie de robô controlado à distância como no filme “Substitutos”, com Bruce Willis.

Realidade Virtual

É possível que, assim como a fabricante de artigos sexuais japonesa Tenga criou um protótipo que devia ser “acoplado” ao usuário, se é que você entende, mas tal processo é muito caro e trabalhoso. Então, o caminho mais provável é o de criação de mundos tridimensionais, esbarrando aí nas limitações que qualquer jogo tem para criar uma experiência de realidade virtual para os gamers.

Enganando o cérebro

Em vez de apenas se contentar a assistir a uma cena de sexo, com a realidade virtual você pode ser transportado para uma posição de voyeur de luxo, tendo seu cérebro ambientado dentro daquele cenário — alguns truques ópticos somados a som e imagem de qualidade podem ser o suficiente para isso. De fato, trapacear seu cérebro é o ponto principal de todo e qualquer dispositivo de RV, pois a intenção é justamente fazê-lo acreditar que você está vivendo aquilo que passa diante dos seus olhos.

Assim, será possível experimentar sensações como ter uma vertigem quando você se vê no topo de um arranha-céu ou sentir pânico ao se ver em uma floresta escura com alguma entidade sobrenatural a solta, por exemplo: seu cérebro interpreta aquilo como verdade e seu corpo tem as reações-padrão para esse tipo de evento. Agora, imagine tudo isso focado a mexer com a sua libido.

Diferente de tudo

Por meio do Reddit, Ela Darling encontrou um grupo de estudantes que tinha a ideia de uma startup para levar a realidade virtual para o mundo da pornografia. Ao se encontrarem pessoalmente, eles fizeram um teste com materiais improvisados, com duas GoPro em vez das câmeras Red, normalmente usadas para a criação de conteúdo em RV.

Assim, eles capturaram imagens para criar vídeos estereoscópicos 3D e, ao finalizar o processamento dos dados, tiveram uma grande surpresa. “Isto é diferente de qualquer pornô que eu já vi”, escreveu para ela um dos estudantes ao contar dos resultados. “É como se eu estivesse assistindo a uma pessoa de verdade” — e então ela foi convidada a ser a a diretora de criação da nova empreitada.

A partir de uma afirmação assim, as possibilidades são enormes. Métodos de filmagens em que a câmera simula uma espécie de primeira pessoa, com o espectador “assumindo” o papel do ator, podem ganhar um reforço tremendo, assim como a imersão de quem assiste a um vídeo pornô também ganha um upgrade considerável.

Se depender de Ela Darling, ideias é o que não faltam. “Tenho notebooks cheios de ideias pornôs que eu guardei por anos”, revela. Então, tudo vai depender das capacidades tecnológicas de dar vida às ideias dela e de tantos outros gurus da pornografia. Público para isso existe, não tenhamos a menor dúvida.

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