Ray Kurzweil diz que trama do filme 'Ela' pode ser realidade até 2029

Por Redação | 18 de Fevereiro de 2014 às 15h28

O enredo do filme “Ela”, com Joaquim Phoenix, que trata da história de um escritor que se apaixona por um programa de inteligência artificial que simula a personalidade de uma mulher – Samantha –, pode vir a se tornar realidade em 15 anos. Pelo menos segundo a previsão de um dos maiores especialistas em aprendizagem de máquina e inteligência artificial da atualidade, Ray Kurzweil, que desde 2012 é parte da equipe do Google, onde atua justamente no setor de aprendizado de máquina e processamento de voz.

Em um post publicado em seu site, Kurzweil, que também é um respeitado futurista, faz uma resenha do filme e afirma que tal interação entre homens e máquinas seria possível – principalmente levando-se em conta os avanços em IA. Para ele, seria crível um sistema como Samantha em 2029. Ao mesmo tempo, contudo, ele aponta “falhas técnicas” do roteiro, do ponto de vista tecnológico. Segundo ele, nada impediria que Samantha pudesse ter um corpo – ao menos simulado.

“Mas esta é uma noção irrealista. Seria tecnicamente trivial no futuro proporcionar-lhe uma presença visual virtual para coincidir com a sua presença auditiva virtual, usando displays montados em lentes cujas imagens poderiam, por exemplo, ser exibidas nas retinas de Theodore [Phoenix]. Existem também métodos para proporcionar a sensação tátil para acompanhar um corpo virtual. Estes irão ser viáveis em breve, e certamente serão completamente convincentes em um tempo em que uma IA do nível de Samantha também seja viável”.

Ele cita tecnologias já existentes nesse sentido, incluindo “dispositivos que fornecem a percepção tátil e sensação. Já existem versões rudimentares destes que permitem a você apertar as mãos, beijar ou até mesmo tocar outra pessoa remotamente”. Até mesmo nanobots de comunicação sem fios podem ser enviados diretamente para o cérebro, criando a ilusão de vários sentidos, incluindo o tátil.

Um ponto em comum no filme, do ponto de vista tecnológico, com as afirmações de Kurzweil sobre inteligência artificial, é que Samantha evolui muito mais rápido que os humanos à medida que interage com eles (no filme, o sistema não interage apenas com o personagem de Phoenix) – algo que ele chama de lei do rendimento acelerado, em que as IAs “praticamente dobram de capacidade a cada ano”. Mas ele não acredita que, como no filme, haveria motivo para que Samantha se afastasse de Theodore, por conta de sua própria evolução.

Por fim, Kurzweil decreta que não acredita que as máquinas poderiam ultrapassar as capacidades humanas – algo retratado em vários filmes de ficção científica, como Matrix. Isso porque, de acordo com ele, o aprendizado das máquinas a partir da interação com os homens levaria à própria evolução humana. “Não seremos nós contra as máquinas (quer como inimigas ou amantes), mas sim, vamos melhorar a nossa própria capacidade de nos fundir com as nossas criações inteligentes”.

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