Quando você paga com cartão de crédito, para onde vai a informação?

Por Colaborador externo | 18 de Novembro de 2014 às 08h30
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Por Tom Canabarro*

Todo mundo conhece a mecânica de pagar com cartão. Você o insere na maquininha, digita a sua senha e, em alguns segundos, tem uma resposta. Mas você já parou para pensar o que acontece com o seu número de cartão durante esses segundos?

A transação faz uma verdadeira volta ao mundo e passa por várias instituições da cadeia de pagamentos, antes de voltar para o estabelecimento comercial.

A maquininha pertence a uma adquirente, uma empresa especializada em processar as vendas que chegam do estabelecimento comercial, que é quem paga o lojista. Aqui no Brasil temos hoje a Cielo, a Rede, a GetNet/Santander e agora a Elavon, uma entrante norte-americana. Equipada com um chip 3G ou ligada à linha telefônica, a máquina remete o pedido para um servidor central para processamento.

Então, a adquirente pega o número de cartão e manda para a bandeira, que é a marca do seu cartão. As três maiores são Visa, Mastercard e American Express, todas americanas. O trabalho da bandeira é saber a qual banco seu cartão pertence e encaminhar para ele a transação. Todo banco que emite cartões precisa se conectar com uma bandeira, é assim que a compra é aprovada mesmo quando você está fora do país, onde ninguém ouviu falar do seu banco.

Por fim, o último passo é do banco emissor. Ele é o dono do cartão, que emite o plástico e mantém a relação com o consumidor. O banco recebe a transação da bandeira, vê se aquele cartão ainda é válido e se tem limite de crédito suficiente para aquela compra.

Depois de tudo isso, a transação faz o caminho de volta: banco, bandeira, adquirente, maquininha.

Ninguém faz isto de graça, claro! Cada ponto da cadeia pega um pedaço da taxa que é cobrada do estabelecimento comercial. Aqui no Brasil ninguém sabe ao certo como esse bolo é dividido, mas nos EUA as taxas são abertas para todo mundo ver.

Quando você pensa que o número de cartão faz essa volta toda em poucos segundos, pode ver que a cadeia de pagamentos é um sistema global e muito robusto. Da próxima vez que comprar com cartão, conte o tempo que a autorização leva. Se demorar muito, é provável que seja o 3G da máquina, e não o sistema!

*Tom Canabarro é cofundador da Konduto, startup brasileira especializada em análise de fraude e comportamento de compra na internet.

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