Na China, pipas percorrem os céus para monitorar poluição

Por Redação | 17 de Outubro de 2012 às 14h25

Soltar pipa é uma tradição antiga não só na China, como também em vários países do mundo, inclusive aqui no Brasil. Mas a tradição que antes era brincadeira de criança agora virou uma ferramenta civil para monitoramento da qualidade do ar da cidade de Pequim. O projeto, que une esforços entre um universitário chinês e um norte-americano já graduado, foi previamente inspirado por uma controvérsia relacionada às estatísticas de poluição do ar na China. Saiu na NBC News, com informações do TechNewsDaily.

Apelidado de "Float Beijing" (Pequim fluante, em tradução livre), o projeto lança pipas adaptadas com sensores de poluição e LEDs coloridos que indicam o nível da qualidade do ar da cidade. Se as luzes verdes de acenderem, significa que o ar está bom. Se acenderem as amarelas ou vermelhas, significa que o ar está moderado ou impróprio, respectivamente. Mas, se as luzes cor-de-rosa se acenderem, significa alerta geral, pois o ar encontra-se severamente poluído.

Desde que conseguiram levantar fundos no Kickstarter para o projeto, com um capital inicial de US$ 5.000 (cerca de R$ 10.200), o projeto foi mostrado em workshops em agosto e apareceu no Maker Faire, de Nova York, em setembro.

Pipa Pequim

Chineses se preparam para empinar uma pipa equipada com sensores (Foto: Joshua Frank)

"Os sensores foram muito fáceis de montar nas pipas", disse Deren Guler, um candidato ao mestrado em design de interação tangível na Universidade Carnegie Mellon. "Os empinadores de pipa nos auxiliaram a manuseá-las e agora somos capazes de encontrar os melhores locais para fazermos nossos testes".

Os chineses sofrem muito com a qualidade do ar de seu país, justamente devido à alta e rápida industrialização. O ar se tornou denso e poluído em pouco tempo, mas o problema tornou-se politicamente sério este ano, quando cidadãos chineses perceberam a grande diferença entre as leituras de poluição do ar na embaixada americana (publicados no Twitter) e os relatórios mais leves publicados pelo governo chinês, que pareceu omitir a gravidade do problema para não alarmar a população.

Guler trabalhou no projeto com Xiaowei Wang, candidato ao mestrado em arquitetura pela Universidade de Harvard, para desenvolver o projeto das pipas na tentativa de mostrar aos cidadãos chineses que o ar que respiram pode não ser puro como imaginam, ou extremamente tóxico e impróprio em determinadas regiões. Uma vez conscientizada, a população terá argumentos para pedir medidas do governo e publicações mais detalhadas sobre a real situação do ar atmosférico em Pequim.

Wang conversou com alguns empinadores de pipas no parque local de Pequim. Eles recomendaram um mestre em confecção de pipas para auxiliar no projeto. O mestre e sua esposa ficaram bastante entusiasmados com a ideia e ajudaram no projeto, refinando o design das pipas.

"Eles nos deram boa parte das decorações luminosas das pipas para auxiliar no experimento e se ofereceram a vender nossos módulos" disse Guler ao TechNewsDaily.

Os primeiros workshops de Pequim ensinaram aos cidadãos como colar os sensores de poluição e os LEDs coloridos nas pipas. Tais pipas puderam não apenas detectar e exibir os níveis gerais de monóxido de carbono e componentes orgânicos voláteis espalhados pelo ar, como também coletar dados e armazená-los para posterior análise.

O projeto Float Beijing tem um grande objetivo: criar uma exibição interativa e online para conscientizar os chineses sobre a poluição do ar, de acordo com os resultados coletados pelas pipas. Os idealizadores ainda pretendem lançar um livro sobre o projeto.

Os estudiosos também deixaram suas pipas e o código aberto dos sensores em Pequim, para que cidadãos chineses possam participar do projeto e ajudar de alguma forma, compartilhando o design no Weibo - versão chinesa do microblog Twitter.

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