Criador de Comic Sans defende o estilo da fonte

Por Redação | 10.02.2014 às 17:00

Você pode não ser designer e nem mesmo entender tudo sobre tipografia, mas você com certeza já ouviu falar – e, quem sabe até já usou – a Comic Sans. A fonte foi uma febre nos anos 90: no meio de uma série de letras sisudas e com serifa, ela era a alternativa mais “descolada” nos computadores com Windows, o que acabava atraindo muita gente em uma época em que não era tão simples fazer o download de novas fontes.

Hoje ela ainda é muito utilizada, mas passou a ser vista com certo preconceito por quem entende um pouco mais do assunto. Usar a Comic Sans atualmente é motivo de piada, mas isso não impede que leigos ainda usem amplamente o estilo de escrita, que tem uma base no estilo manual, um pouco infantil e, claro, próximo ao visto em HQs.

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Uso da Comic Sans para textos sérios é ironizado na internet

Enquanto muita gente não dá bola para a “polêmica”, existem movimentos que levam a sério o ódio por essa que é conhecida como a fonte mais odiada do mundo. Mas em 2014, a composição tipográfica completa 20 anos de existência e, aproveitando a data, seu criador Vincent Connare está em São Paulo, como convidado de um congresso de tipografia.

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Uso da Comic Sans virou piada na rede

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Connare diz acreditar que, no fundo, as pessoas gostam da fonte, mesmo dizendo odiá-la. “A comic Sans é um pouco irregular, mas isso não quer dizer que seja ruim. Ela nem foi pensada para ser uma fonte”, diz.

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Fonte formal para assistente descontraído no Windows 3.1 foi motivação para a criação da Comic Sans

Connare se refere à forma como a Comic Sans surgiu. O engenheiro tipográfico trabalhava na Microsoft, quando se incomodou com a tipografia usada nas falas de um assistente em forma de cãozinho, na versão 3.1 do Windows. Em 1994, os balões de fala do cão tinham uma fonte muito séria, o que tornava as informações mais “entediantes”.

Ao perceber que a letra, muito formal, não combinava com a proposta do personagem, Vincent desenhou a Comic Sans, inspirada em algumas revistas em quadrinhos que estavam em sua mesa. “Levei apenas algumas horas”, complementa.