Câmaras gigantes e testes de destruição: conheça a fábrica de computadores da HP

Por Caroline Hecke | 07.07.2014 às 13:15 - atualizado em 08.07.2014 às 12:36
photo_camera Caroline Hecke

*De Houston, Texas - EUA

Os processos de qualidade dentro de uma fábrica de computadores podem ser misteriosos para grande parte dos consumidores: ao abrir a caixa e usar o aparelho, poucos imaginam o tipo de testes que envolvem o desenvolvimento do equipamento até que a empresa chegue ao produto final.

Para conhecer mais profundamente todo o processo de fabricação dos computadores e notebooks da HP, fomos até Houston, no Texas, onde está uma das fábricas da marca nos Estados Unidos.

Assim que chegamos na fábrica, fomos recepcionados pelo engenheiro da HP Hunt Hodge, que mostrou na prática a segurança que sente nos produtos fabricados pela HP. Ficando de pé em cima de um tablet da marca, ele garantiu: “Para subir com os dois pés em cima de um produto na frente de um grupo de jornalistas eu preciso ter total confiança no que fabricamos aqui. Isso ou sou completamente sem noção”, brincou. A experiência foi repetida novamente mais tarde, com um notebook da HP.

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Engenheiro demonstra confiança ao pisar sobre notebook da marca (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

Em seguida, Mike Hockey, diretor de relações públicas da HP, passou a explicar sobre as instalações que iríamos visitar ao longo do dia. Somente a fábrica de Houston conta com mais de 10 mil funcionários, espalhados por nove prédios interligados. No local são produzidos apenas os computadores e notebooks da marca.

A busca por velocidade e segurança contra ataques

A primeira etapa que conhecemos no desenvolvimento de novos produtos foi o laboratório de testes de software. Por lá, vimos de perto o funcionamento do Sure Start, tecnologia desenvolvida pela HP para garantir que as máquinas não estejam suscetíveis a ataques mal intencionados que afetem a BIOS do equipamento.

A tecnologia é apresentada pela HP como o primeiro sistema de BIOS com “auto-cura” da indústria. A minimização de danos é feita nos aparelhos das linhas EliteBook e ZBook por meio da recuperação de dados corrompidos automaticamente, mesmo quando os danos são aparentemente permanentes.

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Fábrica da HP em Houston, Texas (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

Em seguida, fomos apresentados ao laboratório multimídia, local em que os aparelhos são estressados ao máximo, para que se garanta o desempenho considerado ideal. Ali, vimos a demonstração de transmissão de dados em alta velocidade por meio de cabos thunderbolt: em um notebook da marca, eram reproduzidos dois vídeos diferentes simultaneamente em monitores separados.

Ao mesmo tempo, um arquivo de mais de 15GB foi transferido de um drive para outro, usando a mesma máquina, sem que qualquer travamento fosse observado. Outro teste demonstrado pela equipe de engenharia foi a reprodução simultânea de vídeos e imagens em cinco diferentes monitores, todos conectados ao mesmo computador, novamente, sem apresentar qualquer tipo de atraso na reprodução das imagens.

Testes de destruição

Os próximos laboratórios foram os de materiais, confiabilidade e ambiente. O espaço foi apresentado como “o lugar do qual nenhum produto sai inteiro”. Provavelmente, o espaço é o sonho de qualquer aficionado por tecnologia: com dezenas de câmaras para testes, robôs e máquinas feitas para destruir qualquer produto, é lá que são feitos os mais variados tipos de testes para comprovar a durabilidade dos produtos.

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Plataformas avaliam a resistência dos aparelhos em testes de pressão e queda controlada (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

A primeira parada foi nas plataformas feitas exclusivamente para testar a resistência dos aparelhos, identificando danos que possam ser causados durante o transporte do produto até as lojas de varejo. Basicamente, as plataformas gigantes são responsáveis por chacoalhar os produtos com intensidade semelhante ao que será encontrado em viagens de avião, dentro de caminhões, entre outros.

Outro método utilizado para garantir a qualidade dos produtos e, até mesmo, de suas embalagens, são os testes de queda. Com o uso de plataformas especificas, caixas com os gadgets são lançadas nas mais diversas posições para que qualquer fragilidade seja encontrada. Alguns testes de queda controlada também são repetidos com aparelhos e seus componentes. Em um dos laboratórios pudemos observar um teste de queda controlada de discos rígidos. O engenheiro prende o disco em uma placa que é lançada com força contra outra superfície, simulando a queda de um notebook, por exemplo.

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Embalagens também têm sua resistência testada. Na imagem, a caixa grande é esmagada por equipamento específico. (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

As embalagens de transporte também são testadas em equipamentos capazes de esmagar objetos. Ao serem posicionadas na máquina, o engenheiro determina o peso que será simulado no esmagamento, o que ajuda a ver, na prática, a resistência dos materiais utilizados no processo de fabricação - garantindo a proteção do produto até que ele chegue à casa do consumidor.

Câmaras de simulação de ambiente

Nos laboratórios da HP em Houston é possível encontrar dezenas de câmaras de simulação dos mais diversos ambientes. A equipe de engenharia utiliza os espaços para testar a resistência dos aparelhos em condições extremas de temperatura, umidade e pressão.

Em uma das câmaras, por exemplo, os equipamentos são submetidos a oscilações de temperaturas, para verificar o funcionamento dos gadgets mesmo com a mudança brusca do clima. Isso garante que um tablet, por exemplo, não tenha nenhum problema de funcionamento quando, em pleno inverno, seu dono saia de uma sala quente para um ambiente externo. Alguns aparelhos passam mais de 4 meses dentro de uma mesma câmara, com a variação constante de 0 a 100 graus celsius.

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Camara de temperatura foi aberta para demonstração de funcionamento. Alguns equipamentos podem passar cerca de quatro meses em testes constantes (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

Uma câmara de neblina também é utilizada para testar a reação dos aparelhos em lugares úmidos e identificar possíveis problemas de corrosão excessiva. Além disso, câmaras de poeira são responsáveis por entupir os equipamentos de sujeira para que a equipe de engenharia encontre pontos que precisam de melhorias, como uma vedação mais adequada.

Já as câmaras de altitude são utilizadas tanto para a simulação de uso dos aparelhos no dia a dia, em regiões de altitudes elevadas, quanto para a avaliação de possíveis danos no transporte. O processo é visto com cuidado pela equipe de engenharia, já que a altitude pode afetar consideravelmente o funcionamento dos discos. As embalagens testadas nessa etapa são os pequenos sacos de ar utilizados dentro de embalagens para proteger os aparelhos. Isso garante que sacos de ar não sejam esvaziados com as alterações na altitude.

Simulações de uso constante e interferências

Um dos últimos testes feitos para conferir a durabilidade dos produtos é o de desgaste natural. Em uma sala cheia de robôs, os aparelhos são testados em seus pontos cruciais: a abertura e fechamento de tampas de notebooks é repetida incessantemente, enquanto outro robô gera atrito no trackpad, simulando o uso do gadget.

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Notebooks têm suas tampas abertas e fechadas em testes de durabilidade (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

Observamos um robô que realizava o desgaste do trackpad em dois computadores simultaneamente: o procedimento é feito com dois trackpads produzidos com materiais diferentes. Fazendo exatamente os mesmos movimentos, com a mesma pressão e o mesmo material de contato é possível saber qual dos dois tipos de acabamento é mais adequado, na prática, para a aplicação no produto.

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Trackpads produzidos com materiais diferentes são testados para a avaliação de resistência (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

No laboratório eletromagnético os equipamentos são estressados de outra forma: com uma pistola de choque, 10.000 volts são disparados em vários pontos dos aparelhos. Essa é a simulação que garante que uma descarga elétrica externa não cause pane no equipamento. Durante a demonstração, as descargas foram feitas em diversos pontos de um notebook, porém, ele só sofreu interferências quando a descarga foi feita diretamente no trackpad.

Em um ponto distante do prédio central ficam câmaras para a simulação de interferência de sinal: completamente isoladas do mundo externo, essas câmaras permitem que a equipe de engenharia da HP identifique qualquer tipo de interferência que possa ser causada nos equipamentos por meio de antenas de transmissão, por exemplo.

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Câmaras gigantes permitem monitorar a interferência de sinais de antenas comuns nos computadores (Imagem: Canaltech/Caroline Hecke)

As câmaras simulam o funcionamento dos aparelhos em campo aberto, por isso, são espaços gigantecos e totalmente livre de objetos. O isolamento ali é algo levado a sério: assim que a porta é fechada, qualquer sinal de telefonia ou rede sem fio é totalmente cortado. Os testes feitos dentro do espaço recebem certificação para que os aparelhos sejam vendidos em qualquer lugar do mundo, com exceção da China, que possui exigências próprias para a certificação.

Avaliação microscópica

Equipamentos de Raio-X e câmaras microscópicas são utilizadas tanto durante o processo de fabricação, avaliando todos os danos causados durante os testes de destruição, quanto para avaliações de produtos que apresentem falhas e sejam devolvidos à HP.

A equipe de engenharia contou o recente caso de um notebook que havia apresentado curto circuito ao ser ligado. Em uma investigação profunda nas câmaras microscópicas, os técnicos encontraram uma substância ressecada abaixo do teclado, o que descobriram posteriormente ser urina de gato. Ao entrar em contato com o cliente, o mistério havia sido resolvido: um animal de estimação da casa tinha provocado o acidente.

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Raio-X em tempo real é capaz de ampliar até mesmo os menores contatos, permitindo a identificação de problemas sem a necessidade de abertura dos equipamentos.

Um dos equipamentos que mais chamou a atenção nessa etapa foi a máquina de raio-x em tempo real. Diferentemente daquilo que temos quando vamos ao médico, esse equipamento não exige qualquer processo químico para a revelação de imagens.

O raio-x digital também garante a visualização de um nível impressionante de detalhes. Desta forma, a equipe não precisa desmontar completamente um gadget para identificar problemas. Qualquer contato interrompido dentro do aparelho será apontado nas imagens, economizando um enorme tempo e garantindo muito mais precisão nos resultados.

Após o tour dentro da fábrica de computadores da HP, voamos diretamente para Portland, no Oregon e Vancouver, no estado norte-americano de Washington para conhecermos também os processos das fábricas de impressoras da marca. Fique ligado aqui no Canaltech para acompanhar cada detalhe dessa viagem!

*A jornalista viajou a convite da HP