Bombardeiros B-52 recebem primeira atualização tecnológica desde 1961

Por Muni Perez | 30.05.2014 às 10:09 - atualizado em 30.05.2014 às 10:41

Você provavelmente já viu em algum filme ou jornais o B-52 Stratofortress (algo como fortaleza da estratosfera), avião icônico da Força Aérea Americana (USAF) e que esteve presente em todos os conflitos em que o país se meteu desde sua introdução em 1952.

A tecnologia militar (e aviação em geral) normalmente anda algumas gerações à frente do que temos no mundo civil (e aqui em terra), mas algumas coisas continuam antiquadas, praticamente da mesma maneira em que foram criadas há décadas, com apenas algumas atualizações aqui e ali para melhorar a operacionalidade.

Esse é o caso do B-52, que desde 1961 utiliza as mesmas tecnologias para levar suas 32 toneladas de bombas até o inimigo e destruir tudo o que estiver abaixo dele. Outro avião notável por estar em operação há décadas e ainda pretende ficar mais é o bombardeiro russo Tupolev Tu-95. Similar ao B-52, a aeronave russa está voando desde 1956 e deverá ficar até pelo menos 2040 no ar.

TU-95

Bombardeiro russo Tupolev Tu-95 Bear

B-52 carpet bombing

Carpet bombing do B-52

Mas porquê ele está tecnologicamente atrasado, com tanta coisa moderna por aí? Redes Wi-Fi, GPS, processadores minúsculos que são milhões de vezes mais potentes do que o computador que levou o homem à lua, sensores e tudo mais? A resposta mais plausível é que ele é um avião barato de se operar, tudo funciona bem e é resistente às situações adversas do combate. Para que mexer em time que está vencendo? Na realidade essa é a filosofia dos russos, mas no caso do B-52, também vigorou até agora.

B-52 rusticidade

A aeronave norte-americana foi projetada no final da década de 1940 para servir de arma de intimidação nuclear, mas só jogou bombas convencionais. Foi muito usada na guerra do Vietnã, que graças a sua monstruosa capacidade de carga fazia o famoso “carpet bombing”, ou tapete de bombas, em que destruía uma imensa área.

Com seus 8 motores e tamanho bem avantajado, voá-lo não é uma tarefa fácil para os pilotos.

B-52 cockpit

A versão atual da aeronave é uma volta no tempo, com telas de CRT (tubos de raios catódicos, as TVs antes do LCD), indicadores analógicos e milhares e milhares de botões para todos os lados. Ele permaneceu assim desde 1961, quando a variante B-52H entrou em serviço – uma versão melhorada (e tecnologicamente mais avançada) em relação ao modelo original, o B-52B.

A doutrina de guerra norte-americana se baseia em compartilhamento de informações entre diversas plataformas, através do datalink, dados de satélites, aviões de reconhecimento, drones, navios e tropas em terra. A maioria dos veículos e plataformas colhem esses dados por computadores e apresentam todas as informações em telas de LCD. No B-52, no entanto, tudo é na base do rádio e do boca a boca mesmo. Os aviões modernos usam avançados sistemas para designação de alvos, mas nesse clássico da aviação os dados são passados por papel e colocados no aparelho analógico.

B-52 operador de radar

Estação de trabalho, com tudo analógico.

Essa história está prestes a mudar, já que agora a aeronave está recebendo a atualização CONECT - Combat Network Communications Technology, rede de comunicações de combate. As telas de CRT foram trocadas por LCDs multifuncionais (e coloridas), além de uma rede Wi-Fi para comunicação dentro da aeronave, tanto entre os tripulantes como de dados entre os diversos sistemas, além de rádios digitais e sistemas avançados para designação de alvos. Agora, as tropas no solo podem enviar as coordenadas do ataque diretamente para o sistema de combate da aeronave, o que agiliza bastante as coisas no fervor do combate.

Além de bombas convencionais, ele pode carregar mísseis nucleares e até drones (como você vê na foto abaixo). Algumas unidades do B-52 ainda receberão outra atualização além da CONECT, a 1760 Internal Weapons Bay Upgrade (IWBU – atualização do compartimento de armas interno), que aumentará a capacidade de carga em 66%.

B-52 carregando drone

Além das óbvias vantagens de redução da carga de trabalho da tripulação, substituir sistemas analógicos por digitais reduz o peso e torna a manutenção ainda mais barata e eficiente, porque diminui o número de peças mecânicas para dar defeito.

Com a CONECT, o avião poderá continuar operando até 2040 – quase 90 anos de operação contínua, o que é um recorde, juntamente com seu “concorrente” russo, o Tu-95.

Uma característica interessante do BUFF, apelido dado ao B-52, é que ele tem um sistema de alinhamento do trem de pouso com a pista, o que o permite pousar em situações adversas - vindo de lado, que as rodas estarão certinhas com a pista. O nome BUFF significa Big Ugly Fat Fucker - grande gordo feio que arrebenta, algo do tipo, pois o nome Stratofortress não pegou muito com as tripulações.

Essa atualização coloca o B-52 diretamente no século 21, com computadores de última geração e integração entre vetores, como os altamente tecnológicos F-22 e F-35, os infames drones e as diversas plataformas de combate terrestres e navais. A Força Aérea Americana recebeu a primeira unidade modernizada em abril e o plano da USAF é ter 30 aeronaves operacionais com a nova atualização até 2040.

Veja o painel de uma aeronave moderna, como o Boeing 787.

Boeing 787