Vloggers ensinam sobre o mercado de criptomoedas e viram alvo de cibercriminosos

Por Ramon de Souza | 17 de Abril de 2018 às 17h33

No último sábado (14), o investidor Ian Balina teve uma experiência no mínimo frustrante. Acostumado a publicar vídeos e fazer transmissões ao vivo sobre o mercado de criptomoedas, ele percebeu, no meio de uma de suas “streams”, que alguém havia invadido a planilha que ele utilizava para gerenciar as movimentações de ICOs (initial coin offerings, uma espécie de “abertura de capital” para novas moedas digitais).

Poucos minutos depois, Balina desligou a transmissão e confirmou, através do Twitter, que foi vítima de um ataque cibernético. De acordo com o The Next Web, os criminosos desviaram pelo menos US$ 2 milhões no formato de diversas moedas que o vlogger mantinha guardadas. Embora o episódio tenha repercutido no Twitter, este não foi a primeira vez — e nem será a última — que um youtuber desse segmento é vítima de crackers.

De acordo com a plataforma de analytics Tubular Labs, vídeos sobre criptomoedas estão em alta no YouTube. Só nos últimos 90 dias, foram postados mais de 122 mil clipes no serviço que, juntos, totalizam 328 milhões de visualizações. Há uma justificativa para isso: a boa e velha estratégia de adquirir uma grande quantia de uma moeda nova no mercado, divulgá-la para fazer com que seu valor cresça e em seguida fazer o saque lucrativo.

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Porém, os “investidores” de plantão parecem ter se esquecido de algumas práticas básicas de segurança cibernética. Balina, por exemplo, jamais escondeu seu nome e email verdadeiros. Além disso, o investidor sempre gostou de ostentar seus ganhos nas redes sociais, exibindo seu portfólio cujo valor era estimado em US$ 3 milhões. Também era comum assistir ao vlogger revelando quais plataformas de exchange ele costumava usar.

Aprendendo do jeito difícil

Outro “astro” das criptomoedas que sofreu com o mesmo problema é Peter Saddington, autor do canal Decentralized TV e que ficou famoso após comprar uma Lamborghini com bitcoins. No ano passado, um criminoso empregou técnicas de engenharia social para capturar seu número de telefone, e, com isso, conseguiu acessar seu email e redes sociais. Essas informações apareciam de vez em quando em seus vídeos do YouTube.

“Os youtubers precisam aprender da maneira difícil. Nós não temos mais um banco para o qual podemos choramingar e dizer: ‘banco, roubaram meu dinheiro, me dê de volta’. Não. Nós não estamos mais nesse tipo de economia. Se você perder seus bitcoins, a culpa é 100% sua”, afirma Saddington, em entrevista ao The Verge. Além de tomar mais cuidado durante as gravações, o influenciador adotou medidas adicionais de segurança e ordenou que sua operadora só aceite requisições caso ele apareça com um documento válido.

Kenn Bosak, apresentador do canal Pure Blockchain Wealth, é outro exemplo de como o vlogging de criptomoedas pode dar muito errado. Em setembro de 2017, criminosos desativaram suas redes sociais e roubaram ao menos US$ 20 mil em criptomoedas. “Eu me fechei durante meses. Não por causa da perda do dinheiro, mas pela sensação de que alguém entrou na sua casa e roubou tudo o que tinha lá sem que você pudesse fazer nada, só que num sentido digital”, explica.

Kenn Bosak, vloggerde criptomoedas (Reprodução: Kenn Bosak/YouTube)

Para Bosak, o simples ato de divulgar sua fortuna em criptomoedas já faz com que você se transforme em um alvo em potencial. “Ele postou a foto de seu portfólio de forma pública no Twitter, dizendo que ele tinha mais de US$ 2 milhões, fazendo de si mesmo um alvo público. É a mesma coisa de dizer ‘Eu tenho US$ 2 milhões debaixo do meu colchão’. Você vira um pote de mel ambulante”, explica, referindo-se aos erros de Balina.

Em nota, Balina afirmou que não está preocupado com o montante desviado, mas está trabalhando com as autoridades para capturar e punir os cibercriminosos responsáveis. A Binance e a Kucoin, casas de câmbios para as quais certa parte de suas moedas foram transferidas, também estão ajudando o youtuber no caso.

Fonte: The Verge

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