Venezuela é acusada de usar bitcoins para burlar embargo dos EUA

Por Felipe Demartini | 29 de Julho de 2019 às 08h23
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O governo da Venezuela estaria utilizando bitcoins para burlar o embargo imposto pelo governo dos Estados Unidos e inserir dólares na economia. Impostos de reabastecimento de aeronaves no Aeroporto Internacional de Maiquetia, um dos principais do país, estariam sendo convertidos na criptomoeda e enviados para fora do país, de onde retornam em forma de dividendos.

O esquema foi revelado pelo canal espanhol ABC e envolveria o uso de um aplicativo chamado Jetman Pay, utilizado, justamente, para coletar os tributos oriundos das atividades do aeroporto. A ideia oficial do governo com o uso da solução é garantir uma disponibilização imediata dos valores. A única diferença é que as tarifas estão sendo convertidas em bitcoins.

De acordo com documentos obtidos pela imprensa espanhola, o sistema seria simples e direto. Empresas aéreas que têm Maiquetia como ponto de parada usariam o Jetman Pay para pagamento dos tributos e reabastecimento das aeronaves. Esse serviço seria feito pela PDVSA (Petróleos de Venezuela), a estatal pretolífera do país, que, na sequência, usaria o dinheiro para a aquisição de bitcoins por meio da BCDA Aeronautical Solutions, responsável pelo aplicativo.

As moedas digitais adquiridas pela Venezuela estariam sendo enviadas a câmbios em países como China, Hong Kong, Rússia e Hungria, onde são convertidas em dólares e devolvidas às contas controladas pelo governo. O dinheiro estaria sendo usado para reabastecer as operações da PDVSA, justamente a companhia atingida pelos embargos dos EUA, que proíbe negócios com companhias sediadas no país.

Ainda de acordo com a reportagem, o aeroporto teria direito a uma porcentagem de apenas 2% do total de impostos arrecadados para financiar suas operações, enquanto a BCDA receberia outros 2% de comissão pelo trabalho de conversão do dinheiro. Os negócios estariam acontecendo pelo menos desde novembro de 2017, quando foram assinados os contratos entre a companhia e o governo da Venezuela.

A iniciativa parece estar dando certo, tanto que, após mais de um ano e expectativa de centenas de milhões de dólares já convertidos, o Jetman Pay estaria prestes a ser adotado nos demais aeroportos da Venezuela. Mais do que isso, após a criação do Petro, o sistema estaria sob responsabilidade da Sunacrip, a Superintendência Nacional de Criptoativos, um braço do ministério da economia do país.

De acordo com as informações do ABC, o esquema não seria necessariamente oculto, mas não se trata de uma informação que a Venezuela gostaria de ver sendo ventilada por aí, principalmente devido à possibilidade de uma intensificação dos embargos econômicos dos EUA. O presidente Nicolás Maduro taxa a imposição como um ataque direto à soberania venezuelana e o cita como uma tentativa de minar seu poder para a realização de um golpe de estado.

Caso isso aconteça, as informações apontam para um agravamento do colapso econômico e social da Venezuela, uma vez que a PDVSA é a única empresa que ainda gera dólares para o governo e é capaz de financiar a entrega de suprimentos e os programas sociais que ainda funcionam no país. O governo não se pronunciou sobre a reportagem publicada na imprensa espanhola.

Fonte: ABC

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