Uso de bitcoins para pagamentos caiu mais de 75% em 2018

Uso de bitcoins para pagamentos caiu mais de 75% em 2018

Por Felipe Demartini | 22 de Novembro de 2018 às 11h03
INpoup

Na última semana, as bitcoins sofreram mais uma de suas grandes desvalorizações, que vêm acontecendo desde o começo do ano. Junto com essa perda, entretanto, veio também uma drástica redução na utilização das moedas virtuais na compra de produtos e serviços, com o volume de transações caindo mais de 75% em setembro de 2018 na comparação com o mês de dezembro do ano passado.

Os dados são da Chainanalysis, consultoria voltada para o mercado de criptomoedas, que analisou os pagamentos processados pelas 17 maiores operadoras de bitcoins do mundo, que também costumam ser usadas por lojistas e serviços para aceitar pagamentos e converter os valores. De acordo com a empresa, em setembro, foram US$ 96 milhões em pagamentos com bitcoins processados pelas companhias, contra a impressionante marca de US$ 427 milhões registrada no último mês de 2017.

A consultoria aponta que inferir com previsão essa movimentação é difícil, uma vez que a maioria dos câmbios online disponibiliza seus dados em conjunto, trazendo os números de todas as criptomoedas do mercado. Na BitPay, a única que revela suas informações de maneira individual, a baixa no uso das bitcoins foi de 50% neste ano.

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Para os especialistas, o principal problema é a falta de escala, com a blockchain, rede que processa todas as negociações realizadas com as moedas, sendo capaz de processar apenas uma pequena fração do volume diário de transações do sistema bancário. Quando se une a isso as compras e vendas de produtos, o resultado é simplesmente desleal e, na visão da Chainanalysis, exibe um dos principais problemas que impedem as moedas virtuais de decolarem no mainstream.

É claro, não ajudou também o fato de as moedas virtuais terem perdido mais de dois terços de seu valor, saindo de uma cotação recorde de mais de US$ 20 mil em dezembro para US$ 4,4 mil no momento em que esta reportagem é escrita. É claro, os números também comparam a utilização no olho de um furacão de desvalorização com a de um momento cotidiano, mas, ainda assim, para os especialistas, a perda de interesse fica cristalina.

Tanto que, junto com a desvalorização das bitcoins em si, também caiu o valor de serviços ligados a elas de alguma maneira. A fabricante de placas de vídeo Nvidia, por exemplo, viu suas ações caírem quase 5% depois de revelar, em um relatório financeiro, que as vendas decepcionantes do último trimestre tinham a ver com o fim do “boom” das criptomoedas, com a mineração não configurando mais um negócio lucrativo.

Mais um motivo, na visão da Chainanalysis, pelo qual a falta de escala está prejudicando o mercado. O processamento e criação das moedas se torna cada vez mais difícil e custoso, o que faz com que as criptomoedas se tornem uma alternativa pouco adequada para o mundo atual. A empresa, por outro lado, vê com bons olhos o surgimento de iniciativas que podem mudar isso, como a rede lightning.

O código que pode ser adicionado à blockchain tradicional vem tendo um crescimento no uso e capacidade, sendo capaz de tornar os pagamentos mais rápidos e, principalmente, baratos. O sistema também facilita a transferência de dinheiro entre usuários, mesmo que, nesse caso, a privacidade seja deixada um pouco de lado em prol da agilidade. Ainda assim, a alternativa é vista como positiva por operadores e especialistas desse mercado.

A rede lightning chegou nesta semana a mais de quatro mil nós de processamento. Na visão da Chainanalysis, ela ainda está em uma fase muito incipiente, mas representa o caminho mais rápido para uma utilização em grande escala das bitcoins e, principalmente, para a tranquilidade de investidores que veem seus montantes não apenas perdendo valor, mas também relevância.

Fonte: Reuters

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