Usina nuclear era usada para minerar criptomoedas na Ucrânia

Por Felipe Demartini | 02 de Setembro de 2019 às 10h10

A rede de uma usina nuclear na Ucrânia foi utilizada pelos próprios funcionários para mineração de criptomoedas. Em uma operação que ocorreu em julho, o Serviço Secreto do país encontrou pelo menos dois equipamentos específicos para isso funcionando dentro da instalação, com fundos que eram controlados e divididos entre os funcionários responsáveis pelo esquema.

Ninguém foi preso, mas de acordo com a imprensa local, todos serão indiciados sobre o caso. As mineradoras, algumas com cinco ou seis placas de vídeo Radeon RX 470 funcionando em paralelo, estavam conectadas de maneira insegura à rede da usina, localizada em Yuzhnoukrainsk, na região sul da Ucrânia. O caso vem sendo tratado como uma violação de segurança digital, uma vez que poderia abrir brechas para invasões.

Além de realizarem checagens relacionadas a possíveis intrusões, o Serviço Secreto também investiga uma possível violação de segredos de estado pelo mesmo motivo; um hacker poderia usar as mineradoras como porta de entrada para acessar informações confidenciais da instalação. Os detalhes sobre o assunto são escassos, com o governo ucraniano não revelando, por exemplo, quantas pessoas estariam envolvidas ou o número total de equipamentos geradores de moedas.

Entretanto, o Serviço Secreto disse que, em uma operação realizada em 10 de julho, computadores e dispositivos específicos para mineração foram apreendidos tanto no interior da usina nuclear quanto nos alojamentos usados pelos guardas da instalação. Para o governo, os envolvidos no esquema queriam se aproveitar do recente pico nos valores das moedas, utilizando a rede rápida do local e a energia elétrica fornecida pela própria unidade para obter ganhos próprios.

Também não é a primeira vez que algo assim acontece. Em fevereiro de 2018, um funcionário de uma usina nuclear na Rússia foi preso por utilizar o supercomputador da instalação para minerar criptomoedas. Na Austrália, caso semelhante aconteceu no Bureau de Meteorologia, enquanto, na Romênia, um centro de pesquisas em engenharia e física nuclear se tornou casa de um rig de mineração pessoal instalado por um funcionário e usando o processamento de pesquisas relacionadas a lasers poderosos.

Em todos os casos, assim como na Ucrânia, o principal temor se relaciona à característica insegura destes equipamentos, que podem se transformar em portas de entrada para hackers. Tais dispositivos nem de longe possuem o grau de segurança necessário para serem operados dentro de instalações nucleares, mas podem ser explorados por criminosos que buscam segredos de estado ou realizam operações contra a infraestrutura de países a serviço de outros.

Fonte: ZDNet

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