Telegram cancela oferta inicial de moedas virtuais

Por Felipe Demartini | 03 de Maio de 2018 às 09h57
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A oferta inicial de moedas virtuais do Telegram, que prometia ser a maior da história, não deve mais acontecer. De acordo com informações ainda não confirmadas, desafios regulatórios seriam os responsáveis pela mudança de planos e cancelamento da Gram, unidade que serviria para financiar uma rede de aplicações descentralizadas e também novos recursos e a manutenção do mensageiro.

O principal motivo para o cancelamento do ICO, de acordo com as fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, seria a pressão de agentes como a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) e a Comissão de Negociação em Commodities e Futuros, ambos órgãos regulatórios dos Estados Unidos. O panorama do mercado de moedas virtuais teria mudado desde o anúncio da iniciativa, com um maior escrutínio e exigência de controle servindo para derrubar por terra os esforços do Telegram em termos de moedas virtuais.

O veículo, entretanto, especula que o cancelamento da oferta também pode ter a ver com os gigantescos montantes obtidos pela companhia de Pavel Durov antes mesmo da abertura pública das moedas virtuais. Somente em duas rodadas privadas de investimento, a empresa teria obtido mais de US$ 1,7 bilhão pelas mãos de entusiastas que quiseram colocar as mãos nas unidades antes de todo mundo. A ideia, então, é que o dinheiro já é mais do que suficiente para os planos do Telegram e, sendo assim, eles não teriam que enfrentar os desafios de regulação envolvidos em um ICO.

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A SEC vem se posicionando como uma das maiores resistências contra as aberturas indiscriminadas de moedas virtuais, chegando a taxar como criminosas as empresas que insistirem em realizar esse tipo de negócio sem o devido registro. O governo americano ainda não passou leis ou normas específicas para o mercado das criptomoedas, mas já pede que as companhias realizem registros e sigam certas salvaguardas na hora de trabalhar nessa categoria, da mesma forma que acontece com os IPOs tradicionais.

Em março, notificações teriam sido emitidas pela SEC e até mesmo alguns mandados de busca, que procuravam documentos ou informações que as companhias se recusaram a prestar, teriam sido realizados. Desde então, as coisas parecem ter se acalmado, mas os rumores são de deliberações acontecendo, no futuro próximo, em prol de uma regulação oficial para as moedas virtuais nos Estados Unidos.

Por isso mesmo, dá para pensar, também, que o ICO do Telegram pode apenas ter sido adiado até que o caráter regulatório chegue a um patamar de estabilidade. Diante de um cenário mais sólido, mesmo que menos favorável do que no passado, a empresa poderia contar com a confiabilidade necessária para arrebanhar ainda mais gente para seu movimento, com números de arrecadação que, mais uma vez, podem ultrapassar a casa do bilhão.

A ideia da oferta inicial da moeda do Telegram era dar um pontapé inicial na rede aberta de aplicações da empresa e garantir que investidores e entusiastas tivessem uma reserva de Grams antes disso. Uma vez que o sistema estivesse em funcionamento, a categoria financeira seria o motor de todo seu funcionamento, permitindo a transferência de dinheiro entre usuários e a compra de produtos, além do pagamento de assinaturas e, claro, a conversão em valores de diversos países ou outras criptomoedas.

O Telegram, entretanto, não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Apesar de ter falado abertamente sobre seu ICO, em fevereiro, a companhia se manteve um bocado calada desde então. O silêncio, provavelmente, tinha a ver com os movimentos reais para lançamento da oferta inicial de moedas, aguardando a resolução de questões regulatórias enquanto ventilava a ideia – e a oportunidade – para investidores próximos.

Fonte: The Wall Street Journal

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