Telegram abandona projeto de criptomoeda própria

Por Felipe Demartini | 14 de Maio de 2020 às 11h52
Divulgação/Telegram
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Após dois anos e meio de desenvolvimento e diversas barreiras regulatórias, o Telegram anunciou que está abandonando o TON, seu projeto baseado em criptomoedas e blockchain. Em anúncio oficial, o CEO da companhia, Pavel Durov, revelou o fim da proposta de tecnologia, que integraria pagamentos e armazenamento de dinheiro ao mensageiro instantâneo, e culpou o governo dos Estados Unidos.

A ideia original era que o TON fosse lançado no final do ano passado, com Durov chegando a anunciar, em agosto, que faltavam poucos meses para a chegada. 2019 acabou, 2020 chegou, e nada da criptomoeda do Telegram. Não faltavam, por outro lado, obstáculos regulatórios e pendengas judiciais entre o mensageiro e a Comissão de Títulos e Câmbio (SEC, na sigla em inglês) do governo dos EUA.

O órgão chegou a entrar com pedido, concedido pela Justiça do país, proibindo o Telegram de utilizar o TON não apenas por lá, mas também coibir o acesso de cidadãos americanos às moedas, chamadas de Grams, a partir de VPNs e outros métodos, o que também incluiria viagens internacionais aos países nos quais o sistema eventualmente estivesse funcionando. Para a SEC, a empresa seria a responsável por desestabilizar o já pouco controlável ambiente das criptomoedas, pois o funcionamento da plataforma permitiria que ela “inundasse” o mercado com bilhões de unidades, sem que fosse preciso registrar isso e seguir regras regulatórias.

Em apelos oficiais, alguns concedidos e outros não, bem como no próprio anúncio do abandono do TON, Durov compara seu sistema ao dos bitcoins e afirma que a decisão do governo americano, que permite um, mas proibiu o outro, não faz sentido. Além disso, afirma que o governo ultrapassa suas limitações ao tentar aplicar uma proibição global à tecnologia, em uma medida que fere a soberania de outros países.

Durov continua falando sobre o fechamento, afirmando que essa soberania, na realidade, não existe, e que, com o controle do dólar, os Estados Unidos seriam capazes de criminalizar a utilização de qualquer sistema financeiro alternativo no mundo. Além disso, o criador do Telegram diz que a administração poderia forçar lojas online como as da Apple e Google a retirar os apps do TON do ar, minando seu alcance e, efetivamente, acabando com o projeto, mesmo sem depender de ações judiciais. “96% da população global mora fora dos EUA, mas são dependentes da decisão dos eleitos pelos 4% que vivem [lá]”, completou ele.

O executivo termina o texto afirmando que a situação da criptomoeda própria do Telegram pode mudar no futuro, mas se dá por vencido afirmando que “não é possível equilibrar um mundo muito centralizado exatamente por causa da centralização”, mas que, pelo menos, a empresa tentou. Ele parabenizou todos que seguem trabalhando em sistemas desse tipo e diz esperar que eles tenham sucesso onde sua empresa falhou.

Fraudes

Pavel Durov alertou para golpes e terceiros utilizando o nome de sua tecnologia, empresa ou seu próprio, sem autorização (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

A nota publicada por Durov ainda dedica um espaço aos golpistas. Ele lembra a todos que o TON jamais chegou a ser lançado, nem mesmo em fase de testes ou em uma liberação segmentada a investidores, como fizeram outras criptomoedas, e que qualquer site, serviço ou indivíduo usando seu nome ou o de sua empresa está praticando um golpe.

Ele alerta para que eventuais investidores e interessados não entreguem dinheiro ou dados pessoais a tais plataformas, que não estão afiliadas de maneira alguma ao agora finalizado projeto. O criador do Telegram pondera que algumas das inovações trazidas pelo projeto de criptomoedas, desenvolvido em código aberto, podem aparecer em outras iniciativas ou até mesmo no próprio mensageiro, mas que não existe nenhum tipo de movimentação financeira nesse sentido.

Fonte: Pavel Durov (Telegraph)

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