Supercomputadores para minerar bitcoins são roubados na Islândia

Por Felipe Demartini | 05 de Março de 2018 às 12h01
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No que está sendo citada como a maior série de crimes da história da Islândia, 600 supercomputadores usados para minerar bitcoins e outras moedas virtuais foram furtados de diferentes data centers espalhados pelo país. Os crimes aconteceram entre dezembro do ano passado e janeiro de 2018, com as máquinas tendo um custo estimado de US$ 2 milhões, sendo capazes de gerar valores maiores caso sejam utilizadas para sua finalidade original.

O ato foi citado pela polícia como uma ação coordenada de escala jamais vista no país. A investigação subsequente, entretanto, levou à prisão de 11 pessoas, incluindo um segurança de uma das unidades invadidas durante o roubo. O caso aconteceu em quatro etapas, todas mirando centrais de dados no sudoeste da Islândia. Os três primeiros roubos aconteceram no final de dezembro, enquanto o quarto e último foi executado no início de janeiro – dois deles foram registrados na península de Reykjanes.

Os indícios são de um ato planejado minuciosamente e que conta com a participação de funcionários dos data centers. Dos 11 indiciados, apenas dois continuam atrás das grades, mas, segundo as autoridades, os mandantes e organizadores do crime ainda não foram localizados.

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Foi justamente por isso que as autoridades islandesas decidiram divulgar o crime. Antes, ele estava sendo mantido em sigilo de forma a não alertar os bandidos sobre os detalhes da ação, mas agora a polícia pede ajuda de fornecedores de energia e empresas de internet na busca por picos de utilização e acesso, que poderiam indicar a localização dos equipamentos.

O foco governamental em energia sustentável e barata transformou a Islândia em destino preferencial para grandes mineradores de moedas virtuais. Picos no consumo de eletricidade, então, estão sendo usados pelas autoridades como o principal caminho para encontrar os equipamentos e chegar aos responsáveis pelo crime.

Essa, entretanto, seria a única pista possível para a realização desse trabalho, devido ao caráter descentralizado das criptomoedas. O governo da Islândia citou o uso do dinheiro virtual como agente de crimes, dando o caso como principal exemplo – o caráter anônimo faz com que a transferência dos fundos gerados não possa ser identificada nem rastreada, tornando picos energéticos e pedidos inusitados por grandes espaços em centros de dados, por exemplo, as grandes pistas a serem seguidas pela polícia.

O caso vem em um momento delicado para as criptomoedas na Europa, com a pressão de legisladores, principalmente, do Reino Unido com relação a maior controle sobre transações e transferência de dinheiro. O pedido é que a categoria financeira esteja sujeita às mesmas regras que todas as outras, algo que depõe diretamente contra os princípios das plataformas.

Fonte: The New York Times

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