Libra já está sendo usada para a prática de golpes no Facebook

Por Felipe Demartini | 23 de Julho de 2019 às 12h31
Reuters / Dado Ruvic
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O Facebook está sendo usado como um vetor para a prática de golpes relacionados à Libra, a vindoura criptomoeda da empresa. Enquanto a modalidade não está disponível ao mercado e a empresa enfrenta desafios regulatórios e escrutínios governamentais, usuários mal-intencionados utilizam páginas e perfis tanto na rede social quanto no Instagram para venderem ofertas antecipadas e tokens do dinheiro virtual em busca de dados bancários e dinheiro de vítimas desavisadas.

Uma reportagem do jornal americano The Washington Post descobriu pelo menos uma dúzia de ocorrências desse tipo, entre perfis de usuários, páginas e grupos que prometem uma entrada antecipada na Libra. Todos levam os usuários a sites de terceiros e prometem descontos na aquisição de tokens que garantirão acesso direto a unidades da criptomoeda uma vez que ela for lançada. Tudo, também, falso.

A matéria aponta para a inabilidade de combater golpes que usam a própria modalidade financeira na plataforma dedicada à sua utilização. De acordo com o jornal, os perfis somente foram retirados do ar após o Facebook ser notificado pela reportagem, enquanto outros links semelhantes permanecem ativos, incluindo aqueles de páginas e grupos inativos que podem ser ativados a qualquer momento para a aplicação de novos golpes.

Em sua maioria, os golpistas tentavam passar uma aparência de legitimidade aos perfis, utilizando o logo do Facebook e imagens de seus escritórios, comunicações oficiais, peças de marketing da própria Libra e também fotos do CEO e fundador Mark Zuckerberg. Ocorrências desse tipo também foram encontradas em outras plataformas como o YouTube e o Twitter, com peças bem produzidas que poderiam muito bem enganar alguém mais ingênuo e altamente disposto a investir na modalidade.

Em resposta oficial, o Facebook disse estar trabalhando constantemente em seus sistemas de detecção de fraudes e spam. Por meio de porta-voz, a empresa ainda afirmou que anúncios e páginas que violem políticas desse tipo são retirados do ar assim que a empresa fica ciente sobre a existência deles. Isso acontece por meio de denúncias de usuários ou a partir de algoritmos automatizados que, aparentemente, estão longe de serem eficazes.

Não dá para saber ao certo se alguém caiu em golpes relacionados à Libra, nem quantas pessoas teriam sido afetadas. Os sites ligados às fraudes, hospedados pelos próprios criminosos e fora da arquitetura do Facebook, permanecem no ar e a reportagem chama a atenção para o fato curioso de que a mesma plataforma que deseja revolucionar os pagamentos com uma criptomoeda própria também está sendo usada para a disseminação de golpes relacionados a ela. É um imbróglio para o qual, aparentemente, a rede social não estava preparada.

Então, para que fique claro: a Libra, apesar de anunciada, ainda não foi lançada. Qualquer oferta de investimento inicial, compra antecipada ou descontos relacionados é falsa. Para evitar ser vítima, não clique em links relacionados a anúncios desse tipo e jamais dê seus dados pessoais e financeiros em operações dessa categoria.

Fonte: The Washinton Post

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